Desafio Nova Escola: a arte de seguir em frente

Perdoar, explorar coisas novas e pensar no futuro ajudam a ter uma nova perspectiva sobre a vida

POR:
Ana Carolina C D'Agostini

Crédito: Getty Images

Ao longo dos últimos 21 dias, você foi desafiado a se conhecer melhor e a fazer pequenas ações para diminuir a solidão, se conectando com aqueles que estão ao seu redor. O desafio e a  jornada de tentarmos fazer algo diferente para nós mesmos é, no mínimo, um convite à reflexão para o autoconhecimento e ao fortalecimento das relações de dentro e de fora do trabalho.

Como afirma o psiquiatra Celso Lopes de Souza, fundador do Programa Semente, nós somos seres que fomos criados para a vida em grupo. Segundo ele, há um estudo sobre longevidade conduzido há quase oitenta anos pela Universidade de Harvard que mostra que relacionamentos conflituosos e pessoas que tendem a se isolar socialmente adoecem mais, têm expectativa de vida menor, e maior incidência de transtornos mentais. Portanto, pessoas que  vivem em ambientes harmoniosos e de cooperação têm uma qualidade de vida muito melhor. O principal marcador para relacionamentos não conflituosos é a capacidade de regular as nossas emoções, como raiva e ciúmes. Logo, aprender a lidar com as emoções na escola é um fator preventivo gigantesco, afirma o médico.

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A pesquisa à qual se refere o psiquiatra já analisou mais de 700 pessoas e teve início com alunos de uma universidade, monitorando o estado físico e emocional desses indivíduos por toda a vida. O estudo ainda está em andamento e é atualmente dirigido pelo médico Robert Waldinger. De acordo com ele, “há muitas conclusões deste estudo, mas o fundamental é que o importante para nos mantermos felizes e saudáveis ao longo da vida, é a qualidade dos nossos relacionamentos”. Waldinger defende também que investir em um relacionamento é o sinônimo de estar presente, ou seja, de prestar mais atenção no outro e se esforçar para que haja conexão, sem dar a presença do outro como certeza. Ele aponta para um dado importante do estudo: estabelecer laços com quem temos algum tipo de conflito é especialmente importante.

Meu futuro eu

Marty McFly, em De volta para o futuro 2,  filme clássico dos anos 80 dirigido por Steven Spielberg, tem a oportunidade de viajar para o futuro para resolver uma questão de relacionamento pessoal. O personagem tem a chance, graças a um experimento científico bem-sucedido, de visualizar o que aconteceu em sua vida e de até mesmo tentar mudar o curso da sua história. Acontece que a vida fora dos filmes é um pouco diferente. O máximo que conseguimos fazer é imaginar o que pode acontecer e se preparar para o que possivelmente virá pela frente.

Por vezes, estamos desconectados tanto emocionalmente como intelectualmente de quem gostaríamos de ser no futuro. Podemos privilegiar atitudes que tragam recompensa imediata ao invés daquelas que poderiam nos trazer ainda mais benefícios para o futuro. Você já se perguntou quem gostaria de ser daqui 1, 3 ou 5 anos? Já imaginou como estarão os seus relacionamentos pessoais? E como estará a Educação do país após esse período? O professor Hal Hershfield defende em seus estudos que quando nos imaginamos no futuro de maneira realista, aumentamos as chances de fazer escolhas que nos beneficiarão. Se projetar no futuro, portanto, é uma ótima forma de reconhecer as nossas necessidades e desejos e de nos conectarmos com quem queremos ser dentro de alguns anos. 

A solidão, em última análise, nada mais é que um sentimento pessoal de sermos menos conectados do que gostaríamos. A solidão tem várias esferas, e ao longo do desafio procuramos ajudá-los a navegar por algumas delas. Ser professor não precisa ser sinônimo de ter que aprender a se virar sozinho, e temos que pensar continuamente em como criar formas de fortalecer laços e de estabelecer redes de apoio na profissão. A alta incidências de questões relacionadas a saúde emocional do professor também passa por aí. Afinal, sabemos que juntos somos mais fortes, que compartilhar nos une, e que conexões significativas são transformadoras.

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