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Que tal rever a maneira como você se relaciona com as pessoas?

Compartilhar a nossa história, priorizar encontros presenciais e rever a forma como olhamos para os nossos relacionamentos são algumas ações que podemos praticar desde já

POR:
Ana Carolina C D'Agostini
Crédito: Getty Images

Quando pensamos em trazer mudanças para os nossos relacionamentos pessoais, muitas vezes não sabemos sequer por onde começar. Pode ser que não estejamos nos comunicando bem, que estejamos tendo pouco contato presencial, nos sentindo desrespeitados ou até culpabilizando demais o outro. Relacionamentos ruins - seja entre colegas de profissão ou com os os alunos - afetam o cotidiano escolar, a capacidade de trabalho e de aprendizado e, sobretudo, a saúde emocional. Nem todo encontro entre uma ou mais pessoas flui de maneira natural. Por vezes, temos que nos esforçar e pensar em formas de melhorar os nossos relacionamentos.

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Ao longo dos séculos, inúmeros filósofos, artistas e pensadores se dedicaram a pensar sobre as relações humanas. Porém, nas últimas décadas, grupos não tão românticos como neurocientistas, psicólogos e psiquiatras também se dedicaram à difícil tarefa de responder a essa questão. Os achados são diversos, e hoje conhecemos algumas ações cientificamente comprovadas que podem fazer toda a diferença no nossos relacionamentos pessoais. A ciência descobriu, inclusive, formas de melhorar as nossas conexões humanas e de aumentar os níveis de endorfina, ocitocina, dopamina e serotonina, os chamados "hormônios da felicidade" que são liberados pelo corpo quando nos conectamos de maneira significativa. Felizmente, muitas das formas de aumentar a quantidade de "hormônios da felicidade" são simples, eficazes e sem custos financeiros.

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Intimidade, confiança e vínculo

O psiquiatra Daniel Martins de Barros, médico do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), no livro "Pílulas de Bem-Estar", sugere uma maneira de melhorar os nossos relacionamentos pessoais. Spoiler: lembra aquele segredo que você não quer contar para ninguém? Então…

Sabe quando uma criança pequena não para de fazer birra em casa ou na escola e você, adulto, não sabe mais o que fazer? Uma das estratégias que costumam fazer é chamá-la de lado e dizer que vai contar um segredo. Imediatamente, a criança tende a arregalar os olhos e voltar a toda a atenção para o adulto, que vai revelar a ela algo que ninguém mais sabe. Acontece que não são somente as crianças que ficam fascinadas por segredos. Segundo o doutor Daniel, a revelação de um segredo tem vários elementos que o tornam tão atrativos:

1) a sensação de mistério ("ninguém sabia disso");

2) exclusividade ("só eu vou saber"), intimidade e confiança.

Afinal, quem conta um segredo se coloca em uma situação de vulnerabilidade, confiando no outro para manter o sigilo, o que acaba por estabelecer vínculos sólidos entre pessoas.

Ao mesmo tempo em que um segredo tem esse poder de criar mais intimidade, colecionar segredos e não contá-los a ninguém é um passo para o distanciamento. Há diferentes tipos de segredos: de um lado, informações essenciais que se compartilhadas podem nos aproximar de outras pessoas e nos ajudar a refletir, alguns que se compartilhados podem nos ajudar a tirar um peso das costas, e outros que melhor serem mantidos na esfera privada e não serem contados (ainda) para ninguém.

Redes sociais: aproximam ou afastam?

Esse texto que escrevi para a NOVA ESCOLA sobre solidão e mídias sociais traz pesquisas que mostram que a interação por esses tipos de ferramentas não é necessariamente nociva ao relacionamentos humanos, pois nos permite manter o contato com amigos e criar comunidades. O problema começa quando o uso excessivo das mídias sociais substitui as conexões reais, afetando a proximidade, a interação e aumentando a solidão. A solução, portanto, não está em negar o uso das mídias sociais, e sim em diminuir o tempo em que dedicamos as nossas formas de contato para esse meio e que busquemos formas reais de estarmos juntos. A boa e velha conversa ao vivo e aquele passeio com alguém querido por um lugar legal da cidade continuam sendo um fator protetor e eficaz para o senso de bem-estar e para a manutenção das conexões saudáveis.

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A Mentalidade de Crescimento e os nossos relacionamentos

Carol Dweck, psicóloga norte-americana da Universidade de Stanford, é um dos principais nomes nos estudos sobre o desenvolvimento pessoal e a personalidade. Sua teoria mais conhecida é a da Mentalidade Fixa e de Crescimento, hoje em dia bastante aplicada à Educação. Esse conceito também pode ser aplicado aos nossos relacionamentos pessoais, o que impacta não somente a nossa forma de aprender, como toda a nossa vida.

A teoria nasceu a partir da vontade da pesquisadora em compreender como as pessoas lidam com o fracasso. Seus primeiros estudos foram focados em escolas na observação de alunos ao tentarem resolver uma série de quebra-cabeças difíceis. Dweck observou as estratégias utilizadas pelas crianças no enfrentamento das dificuldades e concluiu, ao longo de mais de 20 anos de estudo, que a opinião que você adota a respeito de si mesmo afeta a maneira com a qual você leva a sua vida. Além disso, percebeu também que não somos ensinados a pensar sobre as nossas habilidades para aprender, seja sobre conteúdos escolares, seja sobre se relacionar de maneira diferente. 

Mentalidade Fixa

Na Mentalidade Fixa, há a crença de que as nossas qualidades e as dos outros são imutáveis, vemos os traços de personalidade como fixos e as nossas imperfeições são motivos de vergonha e fraqueza. Nessa mentalidade, sentimos também que precisamos provar constantemente quem somos. Além disso, a Mentalidade Fixa supõe que os relacionamentos pessoais devem funcionar bem de maneira automática.

Mentalidade de Crescimento

Em oposição, na Mentalidade de Crescimento considera-se que traços da personalidade também podem ser desenvolvidos por meio da combinação de esforço, aprendizagem e orientação. A dedicação é vista como um fator chave para a mudança, seja na forma como aprendemos, seja em nossos relacionamentos pessoais. Na Mentalidade de Crescimento, apesar das pessoas serem diferentes em muitos aspectos, como preferências, talentos ou temperamento, cada um é capaz de mudar e de se desenvolver por meio de vontade, esforço e experiência e estamos abertos para sempre aprender algo novo.

 

 

Mudando a mentalidade nos relacionamentos

"Se algo der errado em um relacionamento pessoal, quem é o culpado? Eu sou a pessoa errada, má, ou você é essa pessoa?”, diz a psicóloga Carol Dweck. "Todo relacionamento tem altos e baixos, portanto, quando você está em um momento ruim com outra pessoa, isso significa que o relacionamento é necessariamente positivo ou negativo? Na Mentalidade Fixa, estamos sempre julgando. Quem é o bom? Quem é o mau? Quem está certo? Quem está errado? Quem é o culpado? O relacionamento é bom ou ruim? Esta não é a melhor maneira de se relacionar. Em vez disso, em uma Mentalidade de Crescimento, entendemos que, ao enfrentar e discutir um problema, o relacionamento poderá ficar ainda mais forte.”

 Carol Dweck recomenda que, para desenvolver a Mentalidade de Crescimento nos  relacionamentos pessoais, devemos:

  1. Nos questionar como podemos nos comunicar melhor;
  2. Usar aprendizados de relacionamentos pessoais que hoje estão melhores do que antes;
  3. Pensar em formas práticas de se esforçar para tornar esse relacionamento melhor;
  4. Não considerar que relacionamentos positivos são simplesmente naturais e que não podemos nos dedicar para melhorá-lo;
  5. Definir no que podemos nos responsabilizar para tornar esse relacionamento melhor;
  6. Aprender com os conflitos;
  7. Aceitar que possam haver incompatibilidades, discordâncias e pontos de melhora;
  8. Acreditar que nós mesmos e outras pessoas podemos mudar;
  9. Ter conversas abertas com a outra pessoa para resolver os  problemas.

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