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A vítima do bullying é o professor. E agora?

O debate e a prevenção do problema costuma ser centrado nos alunos, mas 12,5% dos docentes brasileiros afirmam ser vítimas de agressões verbais ou intimidações

POR:
Ana Carolina C D'Agostini
Alunos atiram papéis, cadernos e aviões de papel contra professor sentado em sua mesa na frente da sala
Foto: Getty Images

Normalmente, quando falamos sobre bullying na escola, discutimos formas de diminuir esse tipo de violência entre os alunos. Entretanto, o bullying também pode ocorrer contra os professores e abordagens para lidar com esse problema são menos frequentes.

Conforme publicado pela NOVA ESCOLA em junho deste ano, o Brasil infelizmente lidera o índice de violência contra professores, sendo que 12,5% dos docentes afirmaram ser vítimas de agressões verbais ou intimidações de alunos. Dados divulgados sobre uma pesquisa feita pelo Sindicato dos Professores de São Paulo apontam que mais da metade dos professores da rede estadual de ensino afirmam já ter sofrido algum tipo de agressão, incluindo o bullying.

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Pesquisas e conversas com professores - tanto do Ensino Fundamental como do Ensino Médio - reforçam esses dados e apontam que essa ação vem de várias fontes. Professores podem sofrer bullying em sala de aula por meio de comportamentos disruptivos ou ridicularização dos alunos, por meio de boatos espalhados entre a comunidade escolar e, também, via cyberbullying com o aumento da popularidade das mídias sociais. Além disso, podem sofrer esse tipo de violência por meio dos pais dos alunos, e até mesmo de colegas de trabalho.

Ser intimidado no ambiente profissional pode fazer o docente repensar a sua profissão e trazer graves consequências para a saúde emocional. Como então lidar com essa questão e combater esse tipo de violência?

LEIA MAIS O Brasil está mais ansioso. E você, professor?

Clima e cultura escolar

Considerando que o bullying é uma forma de agressão verbal, física ou psicológica que ocorre de maneira recorrente, conduzida por um indivíduo ou grupo contra uma ou mais pessoas em que a necessidade de humilhar e de intimidar dominam o relacionamento, a escola deve ter como princípio que nenhuma dessas características faça parte do clima e da cultura daquela instituição.

O olhar atento a manifestações sutis e explícitas que evidenciem a presença de bullying deve ser recorrente, para que assim absolutamente ninguém se sinta intimidado ou humilhado por ser quem é ou por alguma atitude que cometeu. O combate ao bullying deve fazer parte da linguagem da escola, até que todos se sintam corresponsáveis pela criação daquele espaço e sintam responsabilidade pela forma como cada um se sente ali dentro. 

O papel do gestor

Cabe ao gestor de cada escola estruturar condições para a cultura de paz e para o aprendizado de habilidades socioemocionais na escola, garantindo também o respeito ao professor nos mais diferentes níveis por meio da aplicação prática do que ensinam esses princípios. É importante também que o gestor garanta que as normas de conduta da escola e as consequências sejam claras e conhecidas por todos. Além disso, o gestor deve ser o responsável por repudiar qualquer tipo de violência contra os professores, inclusive por parte das famílias dos alunos que muitas vezes buscam desmoralizar o professor.

É importante estabelecer limites, se mostrar aliado desses profissionais, e também transmitir aos pais a importância do respeito e da valorização do professor. Por fim, é fundamental que o gestor saiba dar feedbacks ao professor de forma apropriada e combinada, para que este não se sinta intimidado e alvo de críticas constantes.

Gestão de sala de aula

O clima escolar também é influenciado pela gestão de sala de aula de cada professor, portanto é interessante que a escola garanta momentos de troca e de alinhamento entre os profissionais para que estes sejam norteados por princípios comuns, possam trocar boas práticas e até mesmo reavaliar o próprio gerenciamento de sala de aula.

Uma boa sugestão é criar normas de conduta em parceria com os alunos de preferência no início do ano letivo, assim todos podem opinar e participar da decisão de como gostariam de se sentir na escola, inclusive o professor.

Essa prática permite também que os alunos se sintam responsáveis e que possam refletir sobre o impacto de suas atitudes. O professor deve se atentar a modelar o que é respeito, a praticar a escuta ativa, e a retomar, quando necessário, o comportamento aceitável e não aceitável da sala de aula, nomeando aquilo que é disruptivo e que traz humilhação. Estar aberto ao feedback dos alunos sobre o que está funcionando bem e o que não está, criando espaços específicos para isso, garante muitas vezes que certas situações que poderiam ser contornadas pelo diálogo não se reflitam em comportamentos violentos como o bullying.

E vocês, professores e gestores, quais práticas e princípios fazem parte da rotina de vocês para combater o bullying?

Ana Carolina C D'Agostini é psicóloga e pedagoga com formação pela PUC-SP, especialização em psicologia pela Universidade Federal de São Paulo e mestre em Psicologia da Educação pela Columbia University. Trabalha com projetos em competências socioemocionais e é consultora do projeto de Saúde Emocional da Nova Escola.

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