Ir ao conteúdo principal Ir ao menu Principal Ir ao menu de Guias

  

BNCC na prática: como garantir o direito de Conhecer-se na Educação Infantil

Direito reforça que construção da identidade se dá nos primeiros anos de vida e depende das experiências nas quais crianças têm oportunidade de ter interações de qualidade

POR:
Camila Cecílio
Bebê olha para a câmera de costas para um espelho enquanto escova os dentes
Foto: Getty Images

Considerados um marco histórico para a Educação Infantil, os direitos de aprendizagem estabelecidos pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) vêm norteando experiências de crianças de 0 a 5 anos nas redes de ensino do país. Eles asseguram as condições para que os pequenos aprendam em situações nas quais possam desempenhar um papel ativo. Mas, além disso, os direitos de aprendizagem direcionam o trabalho dos professores para que as vivências estejam de acordo com os aspectos considerados fundamentais durante a aprendizagem. 

Conhecer-se é o último dos seis direitos de aprendizagem presentes na BNCC. Com ele, NOVA ESCOLA encerra a série que aborda, também, os direitos de conviver, brincar, participar, explorar e expressar a partir de entrevistas com especialistas.

“Conhecer-se e construir sua identidade pessoal, social e cultural, constituindo uma imagem positiva de si e de seus grupos de pertencimento, nas diversas experiências de cuidados, interações, brincadeiras e linguagens vivenciadas na instituição escolar e em seu contexto familiar e comunitário”. Definição da BNCC - MEC

Especialista consultada durante toda a série, Beatriz Ferraz, diretora da Escola de Educadores, diz que o direito de se conhecer é fundamental na infância. Ela reforça que a construção da identidade e a formação social se dá nos primeiros anos de vida das crianças e depende das experiências em que elas têm a oportunidade de participar, de ter interações de qualidade, responsáveis, positivas, e que vivam com adultos que ofereçam afeto, carinho e segurança emocional.   

LEIA MAIS BNCC na Educação Infantil: como garantir os direitos de aprendizagem 

Essas são, segundo ela, situações que escola e professor precisam garantir diariamente para que as crianças sejam respeitadas no seu direito de conhecer-se. “Elas precisam de professores que criem vínculos com elas, vínculos profundos e estáveis, que organizem um cotidiano previsível e confiável, condições fundamentais para que possam ser efetivamente participantes de seu processo de aprendizagem sobre si mesma, sobre as relações, sobre o mundo que a cerca”, ressalta Ferraz. 

Na prática do dia a dia

No dia a dia esse direito pode ser garantido com algumas estratégias, conforme afirma a consultora sobre Educação Infantil, Maria Virgínia Gastaldi. “Boa parte das atividades ajudam a garantir esse direito, mas há estratégias para pensar especificamente sobre ele”, comenta. 

Com os bebês, Gastaldi cita como exemplo situações em que eles podem ficar em frente a espelhos e se observar. Os momentos de banho, alimentação e troca de fraldas também são ricos para essa aprendizagem: ao se sentir cuidado e ao aprender a cuidar de si, a criança desperta a consciência sobre seu corpo. "Quando anunciamos para um bebê onde vamos tocá-lo e o que faremos com ele, criamos a primeira oportunidade para que se reconheça como pessoa e não objeto", explica a especialista.

No CMEI Irmãs de Betânia, em Londrina (PR), as práticas são pensadas a partir do que preconiza a BNCC. Todas as atividades levam em consideração o que diz cada um dos seis direitos de aprendizagem, segundo a coordenadora pedagógica Adelice Bispo de Oliveira. A unidade atende 92 crianças de 1 a 4 anos.

Uma menina e um menino brincam em uma banheira cheia de água e de brinquedos
Foto: Getty Images

A seguir, veja algumas das práticas realizadas pela escola no CMEI Irmãs de Betânia:

Crianças de 1 a 3 anos

- Brincadeiras em frente ao espelho, com várias experiências, tanto individuais para que a própria criança se observe, quanto coletivas para que se percebam diferentes umas das outras. Dentre as experiências possíveis podemos realizar jogos de imitação, pintura com tinta, mostrar e nomear objetos pessoais e partes do corpo, trocar roupa, calçar sapatos;
- Brincadeiras com água, onde tomam banhos individuais na cuba e coletivos, utilizando mangueira ou bacias e baldes para se refrescarem nos dias quentes; banhos e trocas de roupa em bonecas;
- Brincadeiras com sons e cores, disponibilizar objetos com diferentes texturas, formas, aromas; como cortinas coloridas, pranchetas interativas, tapete sensorial, pedaços de tecidos e fantasias, caixas de papelão para entrar/sair/subir/descer;
- Brincadeiras corporais e afetivas, através de histórias, músicas e outros gêneros textuais para brincar com o próprio corpo e do outro realizando toques, massagens individuais e coletivas;
- Rotina diária: hora do banho, trocas, alimentação, sono, higiene das mãos e rosto.

Objetivos de aprendizagem trabalhados  

- Favorecer a identidade com o uso de espelhos;
- Reconhecer a própria imagem e a dos colegas;
- Respeitar o outro;
- Brincar com a própria imagem;
- Construir a imagem do próprio corpo;
- Reconhecer a importância da higiene corporal;
- Favorecer o desenvolvimento da autonomia;
- Promover a socialização na escola.

Aprendizados 

- Conhecer o próprio corpo e do outro;
- Fortalecimento de vínculos afetivos criança/criança, criança/educador;
- Expressar preferências, emoções e sentimentos nos diferentes contextos;
- Ser capaz de identificar sua imagem e de seus pares, seja através de foto ou refletida no espelho;
- Ampliar a segurança quanto a rotina, sono, banho, troca e outros;
- Explorar texturas, temperaturas e pesos por meio dos sentidos;
- Ampliar a percepção visual, olfativa, gustativa e auditiva.

 

Crianças de 4 a 5 anos

- Momentos da rotina: uso do banheiro, higiene das mãos e rosto, escovação de dentes, trocas de roupa, chamada;
- Oficina de salão de beleza com diferentes materiais para pentear-se, fazer massagens, maquiar-se, acessórios e fantasias para se enfeitar;
- Oficina de culinária com a preparação de diferentes receitas comestíveis como: bolos, salada de frutas, bolachinhas, doces e não comestíveis como massinha de modelar, tintas extraídas de alimentos como beterraba, cenoura, couve, etc;
- Brincadeiras envolvendo as relações corporais como por exemplo quebra-cabeça do próprio corpo, contorno do corpo no papel craftt ou papelão, esconde-esconde, confecção de máscaras e fantasias, experiências com tecidos.

Objetivos de aprendizagem trabalhados 

- Conhecer a imagem do próprio corpo descobrindo seus limites e possibilidades;
- Identificar, localizar e nomear as partes do corpo;
- Desenvolver atitudes de confiança em si mesmas e nos pares com os quais interage em diferentes momentos;
- Interagir com crianças da mesma faixa etária e adultos na convivência diária;
- Desenvolver atitudes de respeito ao próprio corpo e o do outro;
- Compreender e desenvolver atitudes de cuidado, saúde e bons hábitos com o próprio corpo e com o corpo do outro.

Aprendizados 

- Ser capaz de identificar sua imagem e de seus pares, seja através de foto ou refletida no espelho;
- Contribuir para que os combinados e regras do ambiente escolar sejam respeitados;
- Reconhecer os objetos, lugares e suas funções no âmbito da sala de aula e nos outros espaços da instituição;
- Reconhecer e identificar os diferentes momentos da rotina:  alimentação, hora do descanso, higiene pessoal e demais atividades.

 

 

.