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Inove | Diversidade


Por: Tory Helena

Como a escola pode se posicionar contra o racismo

Em São Paulo, equipe da Emei Nelson Mandela coloca as questões étnico-raciais e de gênero no centro da Educação Infantil

MANDELA: As educadoras Cibele (dir.) e Marina diante do grafite do lider sul-africano que batiza a Emei. Crédito: Patricia Stavis/NOVA ESCOLA

Dandara, Elza Soares, Leci Brandão, Clementina de Jesus, Sandra de Sá, Ivone Lara e Lia de Itamaracá. Pertencentes às mulheres negras que fizeram (e fazem) muita história no Brasil, esses são também os nomes escolhidos para batizar em 2019 as sete salas de aula multisseriadas da Emei Nelson Mandela, em São Paulo. A iniciativa não é isolada: desde 2011, a escola, que atende 211 crianças de 4 a 6 anos, incorporou as questões étnico-raciais e de gênero ao seu Projeto Político-Pedagógico (PPP), em respeito à Lei nº 10.639, sem deixar de lado o consumismo e a sustentabilidade, que é o outro tema transversal. Ambos os assuntos, na visão de Cibele Racy, diretora da unidade há 15 anos, são indissociáveis. “Não dá para falar de racismo sem conectar com o mundo em que vivemos”, conta ela, explicando que o processo de transformação da escola não foi fácil e precisou de muita formação para toda a equipe. “Os erros nos fortaleceram e, a partir deles, começamos a acertar”, afirma. 

Mesmo após receber pichações racistas no muro da escola, a equipe não desanimou e fortaleceu as atividades, além de ouvir as famílias e estreitar os laços com a comunidade. Além disso, na Emei Nelson Mandela toda a comunidade escolar é encarada como educadora e participa ativamente do PPP, inclusive as funcionárias da cozinha e da limpeza. 

Os resultados estão em toda parte, inclusive no nome da Emei, rebatizada em 2016 em homenagem ao líder sul-africano que lutou contra o apartheid e o racismo e recebeu o Prêmio Nobel da Paz. A escola também abriga a família Abayomi, bonecos de pano em tamanho real da tradição iorubá responsáveis por trabalhar, com muito afeto e ludicidade, a diversidade com as crianças. Os nomes das salas de aula também norteiam as discussões com os pequenos. “Cada turma segue um caminho: a Clementina de Jesus interessou-se pela questão dos turbantes, a da Leci Brandão foi entender como funciona o trabalho na Câmara e assim por diante”, explica a coordenadora pedagógica Marina Basques. A diretora, Cibele, que se aposentará no fim deste ano letivo, descreve-se como realizada. “Sei que a equipe dará conta porque amam esta escola como eu amei.” 

3 INOVAÇÕES DA EMEI NELSON MANDELA
Conheça três iniciativas que trabalham a diversidade, o protagonismo e o respeito às diferenças na infância 

Diretor por um dia 
Duas vezes por semana, uma criança acompanhada de educadores faz as vezes de diretora da escola, observando problemas e apontando soluções. 

Família Abayomi 
Multiétnica, a família de bonecos de pano da tradição iorubá “mora” na escola e ajuda a trabalhar a questão da diferença com os pequenos. 

Salas Multisseriadas 
Em geral vistas em escolas do campo ou com poucos recursos, a opção pelas salas multisseriadas foi pedagógica e visa reforçar a convivência entre diversas faixas etárias. 

DIVERSIDADE E ANTIRRACISMO 
Confira 3 dicas para iniciar o trabalho em sua escola  

Questão racial 
Aposte em parcerias com entidades reconhecidas para a formação dos educadores.

Planejamento 
Insira as relações étnico-raciais e de gênero no PPP da escola. Isso traz consistência ao trabalho e evita que as iniciativas fiquem isoladas. 

Vamos sonhar 
Povoe a escola com referências e crie narrativas mágicas e lúdicas que levem as crianças a pensar em situações reais, como no caso da família Abayomi. 

Ilustrações: Istockphoto e The Noun Project