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“Meus alunos são meus parentes”

Tiago dos Santos é professor e conta como buscou a carreira para defender e promover a cultura indígena

Depoimento a Ingrid Yurie

Não deixam ser o que somos, estamos à mercê desse sistema dos não indígenas, do qual a escola faz parte. Quando estudei aqui [na E.E. Gwyrá Pepó], tive muitas dificuldades porque era tudo em português, não tinha nada a ver com a minha realidade. Então quis ser professor para ajudar a não deixar a escolarização dominar nossa cultura, que é viva e pertence ao nosso povo. Nossa escola deve servir para nos proteger desse sistema, ensinar a lidar com ele e oferecer algum poder de decisão. É por isso que sou professor aqui. E também pelo carinho que tenho pelos meus alunos, porque eles são também meus parentes. A gente conversa, brinca, aprende junto, é uma relação rica. Quando saio da escola, muitas vezes vou para casa ao lado dos alunos e convivemos na comunidade. Por um lado, é muita responsabilidade, porque tenho de ser um exemplo vivo o tempo todo para eles. Por outro, sei que não sou só eu que ensino, porque também aprendo muito com eles. Na cultura indígena isso é muito forte, de saber que ninguém, de nenhuma civilização, é superior a ninguém.

Tiago dos Santos (Karai Tataendy), professor na E.E Gwyrá Pepó, 27 anos

FOTO: Andris Bovo/NOVA ESCOLA