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BNCC na prática: como garantir o direito de Expressar na Educação Infantil

Com esse direito a criança pode construir conhecimentos sobre o mundo, as pessoas a sua volta, as relações e sobre si mesma

POR:
Camila Cecílio
Crianças reunidas em uma roda dançam e cantam em sala de aula
Foto: Getty Images

Os seis direitos de aprendizagem presentes na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) são conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. Eles representam um avanço nas políticas públicas pensadas para a Educação Infantil e, para aplicá-los no dia a dia, é necessário que o professor conheça a fundo cada um deles para garantir às crianças experiências que contemplem os aspectos considerados fundamentais durante esse processo. 

Após ouvir especialistas, NOVA ESCOLA traz uma série de matérias sobre os direitos de aprendizagem com o objetivo de mostrar, na prática, como garantir a aplicação de cada um deles no cotidiano escolar. Em entrevistas à NOVA ESCOLA, especialistas já falaram sobre os direitos de conviver, brincar, participar e explorar. Agora é hora de tratarmos do direito de Expressar.

“Expressar, como sujeito dialógico, criativo e sensível, suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões”. Definição da BNCC - MEC

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A diretora da Escola de Educadores, Beatriz Ferraz, especialista no assunto, afirma que o direito de expressar significa muito mais do que deixar as crianças falarem no decorrer das atividades. “O direito de se expressar está relacionado com a possibilidade de se expressar fazendo uso das diferentes linguagens e de, nesse processo, construir conhecimentos sobre o mundo, as pessoas a sua volta, as relações e sobre si mesma [criança]”, aponta.

Para Beatriz, isso é muito mais importante, uma vez que a escola tende a limitar a expressão das crianças à linguagem verbal. “As crianças têm uma potencialidade enorme de se expressarem e aprenderem de diferentes formas nessa idade e é fundamental que a escola crie condições para que isso aconteça”, reforça.

A consultora sobre Educação Infantil Maria Virgínia Gastaldi ressalta que rodas de conversa são imprescindíveis para que as crianças tenham seu direito garantido. No Guia BNCC na Prática – Tudo que você precisa saber sobre Educação Infantil, a especialista reforça que é importante que essas situações sejam frequentes para que o professor apresente materiais variados para que a criança explore e se expresse a partir de diferentes linguagens. “Expressar é posterior ao explorar, só se pode expressar quando conhece”, destaca.

Promover ambientes interessantes de expressão com diferentes pessoas e situações ajudam a garantir este direito, segundo Gastaldi. Outro recurso essencial é a criação de momentos de fala, nos quais ambas as partes escutem e se expressem. Além disso, criar conselhos e assembleias em que os pequenos votam e argumentam sobre decisões que afetam o coletivo ajudam nessa tarefa.

Na prática do dia a dia

Beatriz Ferraz sugere que as diversas vivências que escola e professores organizam para as crianças possam sempre considerar as diferentes formas delas interagirem com a situação ou com os materiais disponíveis. Por exemplo, se as crianças estão pensando sobre o movimento, que elas possam fazer isso por meio de suas sensações corporais, por meio da música, do som, do desenho, da escultura, da fala, da brincadeira, e assim por diante.

É o que acontece no Cmei Professor Water Okano, de Londrina (PR). A escola atende 174 crianças de quatro meses a cinco anos de idade e todas as atividades são realizadas pensando nos direitos de aprendizagem da criança.  

A coordenadora pedagógica Aline Moreno Noivo Henriques acredita que não adianta que professores pensem na melhor experiência para propor às crianças negando, por exemplo, a expressão dela em determinado momento. “Digo isso, pois não existe uma experiência própria em que seja trabalhado especificamente o direito de se expressar, ele está estabelecido como um direito e deve estar presente em todos os momentos em que a criança está no CMEI”, explica.

No berçário, por exemplo, os bebês se comunicam através do choro e linguagem corporal e, para garantir que a criança comece a entender o que está expressando, as professoras nomeiam os sentimentos das crianças. Aos poucos, elas vão entendendo como estão se sentindo para, futuramente, verbalizarem suas emoções. Assim estão garantindo que ela saiba se expressar, de acordo com a educadora.

Crianças sentadas em uma roda em um chão de madeira de uma sala espaçosa prestam atenção à professora
Foto: Getty Images

A seguir, veja alguns exemplos trabalhados pelo CMEI Professor Water Okano: 

                

Crianças de 2 a 5 anos

A partir da faixa etária de 2 anos todas as turmas trabalham com as rodas de conversa diariamente, destinando um momento da rotina a elas. Geralmente em roda, a professora conduz as crianças acerca de um assunto, incentivando a participação e a expressão de todas. Às vezes, as rodas de conversa também podem ocorrer após uma brincadeira ou outras vivências, como forma de ouvir das próprias crianças as suas aprendizagens e as suas impressões sobre o que foi trabalhado. 

Objetivos de aprendizagem trabalhados

- Expressar sentimentos, emoções, opiniões, dúvidas, vontades etc;
- Expressar, reconhecer e nomear necessidades, emoções e sentimentos que vivencia ou observa no outro;
- Narrar fatos vivenciados em seu cotidiano dentro e/ou fora do contexto escolar;
- Desenvolver progressivamente a oralidade.

Aprendizados

- A própria expressão de sua opinião, vontade, dúvida, sentimento ou emoção, coletivamente, desenvolvendo progressivamente confiança para falar em público;
- Desenvolvimento de sua própria identidade e conhecimento de si;
- Respeito pelo outro: ao ouvir a fala do colega e esperar sua vez de falar, ao conhecer a história de cada um, ao ouvir uma opinião divergente;
- Participação e desenvolvimento progressivo do senso crítico, da noção de democracia e ética;
- Aprimoramento de aspectos relativos à linguagem oral: oralidade, vocabulário, dicção de palavras etc.

 

 

Crianças de 3 a 4 anos

No início do ano, cada turma escolhe um nome para lhe representar, o que confere identidade à turma, porque denota o que aquelas crianças têm em comum entre si e o que as difere das demais. Nas turmas de crianças menores, geralmente dos quatro meses aos 2 anos as professoras observam uma característica em comum da turma, pode ser até mesmo uma necessidade. Por exemplo, o berçário é “turma do chocalho”, pois as professoras notaram que os bebês apreciavam tais brinquedos assim como todos os que faziam barulhos.

 A “turma da Polícia” (de faixa etária de 3 a 4 anos) tem esse nome porque as professoras oportunizaram que as crianças fizessem essa escolha. As professoras escreveram em um cartaz as sugestões das crianças dos nomes e cada uma pôde votar na sua preferida, sendo cada voto computado através de um palito de sorvete colado no cartaz. Ao final, elas tinham um gráfico com os resultados, o nome foi escolhido respeitando a vontade da maioria.

Objetivos de aprendizagem trabalhados 

- Expressar sentimentos, emoções, opiniões, vontades etc;
- Participar de processos de escolha;
- Identificar-se com a turma da qual faz parte, diferenciando-a das demais;

Aprendizados

- Desenvolvimento da afetividade com o grupo, noção de pertencimento e construção da identidade coletiva;
- Construção de noção de vida democrática, participação em assembleias, eleições, e outros processos de escolha;
- Convívio e respeito com as diferentes opiniões e vontades;
- Envolvimento maior nas experiências propostas.

 

 

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