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Formação de professores a distância dobra em sete anos

Segundo pesquisa do Todos pela Educação, seis em cada 10 alunos brasileiros que começaram cursos em 2017 estavam no EAD

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NOVA ESCOLA
Grupo de alunos em frente a monitores de computadores e professor ao fundo, ajudando uma aluna
Foto: Getty Images

Um estudo divulgado nesta quinta-feira pelo Todos pela Educação mostrou que seis em cada 10 alunos brasileiros que começaram cursos de graduação voltados à formação de professores em 2017 – Pedagogia e Licenciaturas – estavam na modalidade Educação a Distância (EAD), uma proporção duas vezes maior que nas demais áreas do Ensino Superior, que foi de 27%.

Nos cursos de formação de professores, de acordo com a pesquisa, a EAD cresceu 27 pontos percentuais desde 2010. Naquele ano os ingressantes nesses cursos correspondiam a 34%.

Gráfico elaborado pelo Todos pela Educação mostrando números relativos à EAD
Fonte: Todos pela Educação

O estudo usou como base informações do Censo da Educação Superior, do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e do Conceito Preliminar de Curso (CPC), que são coletadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e pelo Ministério da Educação (MEC).

O estudo mostra ainda que, sob a ótica dos alunos que terminaram a graduação, o movimento é parecido. A rede privada, que forma atualmente 72% dos futuros professores do país, dobrou o número de graduados em cursos EAD em 4 anos: foram 49,4 mil concluintes em cursos à distância em 2013 e 98,5 mil em 2017. Portanto, é na formação de professores em que há maior presença de EAD e onde essa modalidade mais cresce.

Desempenho acadêmico

De acordo com a pesquisa do Todos pela Educação, os futuros professores formados em EAD possuem desempenho acadêmico pior que os da modalidade presencial. Entre os formados a distância, por exemplo, 75% estão abaixo da pontuação 50 no Enade (em uma escala de 0 a 100); esse porcentual é de 65% em relação aos concluintes de cursos presenciais.

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“O professor é o profissional mais importante para o desenvolvimento social e econômico do país, pois é o fator determinante para a qualidade da Educação. A presença exagerada de EAD nessa formação, que demanda constante articulação entre teoria e os desafios práticos do dia a dia escolar, é muito preocupante”, diz Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos pela Educação.

O estudo afirma que “é importante reconhecer que, em um país continental como o Brasil, pode ser importante haver outros meios de se ofertar Ensino Superior: a modalidade a distância atinge quem está no interior, quem tem menos recursos econômicos, quem não pode frequentar uma instituição presencial”.

No entanto, ainda de acordo com a pesquisa, ao tratarmos especificamente da formação de professores, que exige um forte componente prático, a modalidade a distância é qualificada de “altamente controversa”.

O relatório lembra que a legislação brasileira estabelece que: “a formação inicial de profissionais de magistério dará preferência ao ensino presencial, subsidiariamente fazendo uso de recursos e tecnologias de Educação a Distância (LDB no artigo 62, parágrafo 3º)”.

A publicação acrescenta que isso não é o que vem ocorrendo e os cursos a distância estão ganhando cada vez mais relevância na formação dos professores.

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“Há, é claro, espaço para a tecnologia apoiar, mas não da forma como estamos fazendo, criando uma verdadeira indústria de cursos online para baratear os custos de formação. Esse é um entendimento básico em países que se destacam em Educação, afinal, compreendem que a formação de professores exige o mesmo rigor que a formação de um médico, de um engenheiro. Se queremos uma Educação melhor, urge a discussão sobre mudanças profundas no sistema de regulação da formação de professores no Brasil e o papel do EAD na área”, acrescentou Priscila Cruz.

A pesquisa do Todos pela Educação cita exemplos de outros países da América Latina. O Chile, país da América Latina de melhor desempenho no Pisa, a formação inicial do docente é exclusivamente presencial, o EAD é proibido naquele país. O México também é citado: o país também segue o modelo chileno. O Peru, país que avança mais rapidamente no Pisa, vetará a abertura de novos cursos a distância a partir de 2020.

Austrália, Canadá e Estados Unidos permitem que a formação inicial docente seja feita a distância, mas, em nenhum deles a formação EAD tem a magnitude que possui no Brasil. Entre esses países, a Austrália é o que tem maior percentual de matrículas EAD nos cursos de formação de professores com 25%. No entanto, a carga horária dos estágios clínicos deve ser cumprida em escolas específicas e existem rigorosos processos de certificação tanto das instituições quanto dos alunos formados, de acordo com o estudo.

O documento cita também um estudo realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que constatou que nos países de maior desempenho no Pisa a formação inicial dos professores é feita em grande articulação com as escolas, com vivências práticas como elemento central. A troca de experiências, discussão de casos e trabalho colaborativo entre os futuros professores são fundamentais para a boa formação inicial nesses países. O foco dos cursos está em garantir que o futuro professor não tenha apenas base teórica, mas também esteja em salas de aula reais desde o início do curso e, para que esse modelo de curso tenha sucesso, é importante que seja prioritariamente presencial.

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