Ir ao conteúdo principal Ir ao menu Principal Ir ao menu de Guias

BNCC na prática: como garantir o direito de Explorar na Educação Infantil

Esse direito está relacionado com a forma como a criança pequena aprende: a partir de sua curiosidade e na ação

POR:
Camila Cecílio
Bebê de bruços e olhando para a câmera, brinca na grama com bolas coloridas
Foto: Getty Images

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece seis direitos de aprendizagem para a Educação Infantil: conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. Para colocá-los em prática no dia a dia, o professor precisa conhecer cada um deles para garantir que as experiências propostas estejam de acordo com os aspectos considerados fundamentais no processo.

Nesta série sobre como trabalhar esses direitos, NOVA ESCOLA ouviu especialistas que falaram sobre conviver e  brincar. Agora chegou a hora de abordar o direito de explorar.

LEIA MAIS Com a BNCC, as crianças passam a ter 6 direitos de aprendizagem

“Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, na escola e fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas diversas modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia”. Definição da BNCC - MEC

Especialista no assunto, a diretora da Escola de Educadores, Beatriz Ferraz, afirma que é importante considerar que o direito de explorar está diretamente relacionado com a forma como a criança pequena aprende: a partir de sua curiosidade e na ação.

Para ela, explorar não significa meramente deixar que a criança manipule objetos e materiais. “É necessário garantir às crianças contextos de aprendizagem nos quais elas possam aprender a partir da exploração de diferentes materiais e objetos, mas com uma perspectiva de um processo de investigação para que, a partir de sua ação sobre os materiais, as crianças possam dar sentido àquela ação, às descobertas que realiza”, reforça.

LEIA MAIS  BNCC na Educação Infantil: como garantir os direitos de aprendizagem

Nessa perspectiva, de acordo com Ferraz, as escolas precisam garantir um cotidiano com uma pluralidade de experiências a partir da exploração de materiais diversos, selecionados considerando os interesses, os saberes e as necessidades das crianças sempre com a intenção de apoiá-las em seus processos de investigações.

Outra especialista no assunto é a consultora Maria Virgínia Gastaldi. Ela diz no Guia BNCC na Prática – Tudo que você precisa saber sobre Educação Infantil que é fundamental permitir que as crianças explorem sozinhas diferentes materiais fornecidos pelo professor. “Não é por meio de ‘aulinhas’, em que o professor senta na frente da sala e diz: isso é madeira, isso é isopor”, ressalta.

Além da exploração de elementos concretos, é necessário explorar elementos simbólicos, como músicas e histórias, por exemplo. “Criar momentos de reflexão e, a partir da observação e escuta, que o professor perceba o que é pertinente e necessário para os pequenos”, sugere Gastaldi.

Na prática do dia a dia

Na EMEI Professora Maria da Glória Mariano Santos, de São José dos Campos (SP), os pequenos investigam o mundo em movimentos. Ao todo são 652 alunos entre 1 e 5 anos. Lá, o direito de explorar é visto como a um convite à curiosidade, possibilidades motoras, afetivas, cognitivas e sociais, segundo a coordenadora Cristiane Patrícia de Araújo. Os professores acolhem as experiências e planejam ações em que as crianças possam explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, ampliando seus saberes sobre a cultura em suas diferentes linguagens.

LEIA MAIS  O que muda na Educação Infantil com a BNCC?

A educadora conta que os alunos são convidados, em todas as nuances do cotidiano da escola, a experimentar o direito de explorar. Muito além de descobrir as possibilidades de um objeto percebendo suas peculiaridades, eles exploram diferentes formas de interação com outras crianças e adultos nas brincadeiras, possibilidades do seu próprio corpo ao pular, saltar, correr, exploram os diferentes desafios proporcionados pelos espaços da escola. “Aqui eles exploram a combinação de materiais, suportes e instrumentos para alimentar seu percurso criador, exploram o fazer musical com instrumentos, objetos e sons do próprio corpo, exploram elementos da cultura, modos de viver, gestos, textos orais e escritos, histórias, sentimentos, diálogos e manifestações”, conta. 

As experiências planejadas pela equipe escolar consideram como eixos estruturantes as interações e brincadeiras e compreendem de forma articulada os diferentes direitos de aprendizagem e desenvolvimento de modo que não se organizam em práticas estanques, mas comprometidas com o desenvolvimento integral das crianças. 

Duas meninas chutam bola colorida em um gramado de um parque
Foto: Getty Images

A seguir alguns exemplos trabalhados pela EMEI Professora Maria da Glória Mariano Santos:

 

               Crianças de 1 a 3 anos

- Brincadeiras no parque com crianças de diferentes faixas etárias (explorar diferentes formas de interação) e nos diferentes espaços externos (tanque de areia, quadra de futebol, casinha, quintal gramado);
- Brincadeiras com cestos de tesouros e espaços propositores organizados para exploração de diferentes materiais (caixas, tecidos, elementos da natureza, e outros) ampliando a percepção da diversidade de formas, texturas, cheiros, cores, pesos;
- Brincadeiras de exploração de gestos, sons, mímicas nas canções, histórias, parlendas e outros textos da tradição oral. 

Objetivos de aprendizagem trabalhados 

- Explorar diferentes formas de interação;
- Explorar diferentes materiais, objetos e espaços;
- Explorar gestos, sons, rimas, textos da tradição oral. 

Aprendizados

- Ampliação do modo de perceber a si mesma e ao outro;
- Construção da identidade pessoal, autonomia, senso de coletividade;
- Ampliação de movimentos como pular, correr, andar pelos ambientes, manusear os materiais presentes neles;
- Ocupação dos espaços em todos os seus planos e possibilidades;
- Manipulação, observação, imitação, análise dos materiais sob diferentes perspectivas, percepção de como o outro interage com os objetos;
- Escuta de histórias;
- Imitação de gestos, movimentos de leitura, situações de escuta;
- Ampliação do repertório de brincadeiras da cultura oral. 

 

Crianças de 4 a 5 anos

- Brincadeiras no parque e nos diferentes espaços externos (tanque de areia, quadra de futebol, casinha, quintal gramado), explorando diferentes formas de interação com outras crianças e adultos e novos modos de ocupação e uso dos materiais e cenários dispostos nos ambientes;
- Explorar as variadas possibilidades de uso e combinações de materiais e recursos para o fazer artístico nas diferentes modalidades (visuais, dramatizações, musicais);
- Explorar recursos tecnológicos nas descobertas do mundo natural e social (pesquisas na internet, fotos e vídeos no tablet);
- Explorar situações numéricas em diferentes contextos: registros de jogos, controle de materiais, comparação de quantidades nas coleções e outros. 

Objetivos de aprendizagem trabalhados 

- Explorar diferentes formas de interação;
- Explorar possibilidades para o fazer artístico;
- Explorar recursos tecnológicos para descobertas do mundo natural e social;
- Explorar situações numéricas em diferentes contextos. 

Aprendizados 

- Fortalecimento de vínculos, desenvolvimento da identidade pessoal e de grupo;
- Aprimoramento das relações nas propostas individuais e em grupo;
- Reconhecimento de diferentes pontos de vista, negociar, ouvir, dialogar;
- Produção de sons com o corpo, com objetos sonoros e instrumentos musicais;
- Produção de desenhos, colagens, pinturas, combinação de modalidades usando variação de suportes e materiais;
- Organização de cenários, reconto de histórias em improvisações teatrais;
- Uso de ferramentas tecnológicas para apoiar pesquisas: máquina fotográfica, tablets, internet;
- Contagens com contexto e significado;
- Registros, comparações.