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Saiba | Coluna Felipe


Por: Felipe Bandoni

A importância de ir além da nota

Mais do que avaliar, é preciso apontar caminhos para os alunos

Um dos aspectos mais importantes do nosso trabalho é apontar caminhos para que os alunos avancem, sobretudo quando cometem erros. Na maioria dos casos, quando eles realizam qualquer atividade, o que recebem de volta é um sinal, que indica acerto ou erro, ou uma nota. Mas isso é suficiente? 

Para gerar aprendizagem, a devolutiva do professor precisa ser bem mais detalhada do que as breves marcas vermelhas nas provas. É preciso que o aluno perceba que errou, reflita sobre o erro e pense em como fazer para superá-lo. Nossa tarefa é propor situações em que esse percurso seja realizado.

Um bom exemplo são as atividades de refacção, comumente chamadas de “correção”. Nelas, os alunos revisitam o que já fizeram em outro contexto, mais amigável (em grupos ou no conjunto de toda a turma), refletindo sobre a própria produção. É comum que notem erros que não observaram antes. Portanto, vale investir mais tempo resolvendo essas dúvidas do que passar aos próximos conteúdos. Esse tipo de proposta é produtivo, mas pode não ser suficiente para escapar de certos becos sem saída. Em vários casos é necessária uma intervenção feita sob medida, específica para cada aluno. Esse trabalho, tão precioso, esbarra em dificuldades do nosso contexto: muitos alunos, falta de tempo para planejar as devolutivas ou pressão para seguir ao próximo conteúdo. Confesso que não tenho solução mágica para superá-los, e que muitas vezes me sinto angustiado por não fazer devolutivas tão cuidadosas como acredito ser necessário. Apesar disso, não perco de vista que é um trabalho que precisa ser feito e reservo tempo para que possa acontecer. Busco fazer um atendimento mais individualizado, ainda que breve. Um bilhete escrito no caderno ou uma conversa podem ser transformadores.

Neus Sanmartí, educadora espanhola, escreveu que seus melhores alunos foram os que aprenderam a autorregular sua aprendizagem. Para que isso aconteça, é preciso ensiná-los a observar criticamente suas produções, e isso só se dá se o próprio professor fizer as críticas e apontar caminhos para avançar.


Felipe Bandoni é professor de Ciências na Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Colégio Santa Cruz, em São Paulo

Foto: Tomás Arthuzzi/NOVA ESCOLA