Ir ao conteúdo principal Ir ao menu Principal Ir ao menu de Guias

Faltam para:   

Pesquisa: bem-estar emocional é importante para o sucesso na escola

Emoções positivas ajudam a construir o aprendizado, segundo estudo do The Economist Intelligence Unit

POR:
Flavia Nogueira
Crianças sentadas em uma quadra coberta sorriem para a câmera com bola na mão
Foto: Getty Images

Um estudo realizado pelo The Economist Intelligence Unit, braço de pesquisa da revista The Economist, sugere que bem-estar e emoções positivas são muito importantes para o sucesso acadêmico (baixe aqui o PDF do estudo Emotion and Cognition in the Age of AI, original em inglês).

A pesquisa, encomendada pela Microsoft, foi realizada em 15 países entrevistando 762 docentes, de professores do Ensino Fundamental 1, responsáveis pela alfabetização dos alunos, até profissionais como administradores e diretores. E esses profissionais enxergam o bem-estar como uma força construtiva para o aprendizado.

LEIA MAIS Como a Inteligência Artificial vai colaborar para sua saúde emocional

De acordo com o estudo, a maioria dos entrevistados acredita que o bem-estar emocional melhora a compreensão dos estudantes, sendo que, para 79% deles, as emoções positivas são “muito” ou “extremamente” importantes para o sucesso acadêmico.

Entre os entrevistados, 79% destacam os benefícios para a aprendizagem dos relacionamentos estáveis e positivos e 75% apontam para os benefícios do sentimento de comunidade e pertencimento.

LEIA MAIS Meditação nas escolas – é sério que dá para fazer?

A maioria dos docentes (77%) afirmou que o bem-estar emocional é “muito” ou “extremamente” importante para o desenvolvimento de aspectos educacionais fundamentais como leitura e Matemática, para o desenvolvimento das habilidades emocionais (82%), habilidades de comunicação (81%) e pensamento crítico (78%). 

América Latina 

O estudo do The Economist Intelligence Unit mostrou também que os docentes de alguns países da América Latina, mais especificamente no Brasil, Chile e México, são grandes entusiastas e proativos na adoção de políticas e ideias relacionadas ao bem-estar.

Cerca de dois terços dos pesquisados nestes países (65%) “concordam plenamente” que priorizar o bem-estar emocional dos estudantes é importante para que eles se transformem em adultos saudáveis e cidadãos responsáveis no futuro. No resto do mundo, 42% dos pesquisados concordaram com essa afirmação.

LEIA MAIS Afetividade na Educação Infantil: a importância do afeto para o processo de aprendizagem

Brasileiros, chilenos e mexicanos também colocam esta afirmação mais em prática: 38% dos docentes entrevistados nesses países afirmaram que incorporaram totalmente o desenvolvimento das habilidades emocionais na vida escolar. Em comparação, uma média de 26% dos docentes em outras regiões – e 23% dos europeus – disseram o mesmo.

A pesquisa também apontou que os profissionais de Educação destes países acreditam na importância de envolver os alunos em atividades desafiadoras: 50% afirmaram que estas atividades são “extremamente importantes” para o sucesso acadêmico, em comparação com apenas 32% dos entrevistados em outras regiões.

Os latino-americanos também destacam como pontos importantes para o sucesso acadêmico a busca de realizações (46% em comparação com 27% dos docentes de outras regiões), e relacionamentos estáveis e positivos (44% dos latino-americanos comparados com 35% dos profissionais de Educação de outras regiões pesquisadas). 

Como avaliar 

A pesquisa demonstrou que a maioria concorda com a importância do bem-estar emocional do estudante para o sucesso acadêmico. Mas, as formas de diagnosticar este bem-estar podem ser complicadas.

A maioria dos docentes pesquisados (54%) depende de avaliações subjetivas, feitas pelos professores ou por profissionais ligados à órgãos administrativos e educacionais. Ou até mesmo feitas pelos próprios estudantes (51%).

Minorias significativas usam questionários padronizados (43%) ou informais (30%) para saber mais sobre como está o estado de espírito dos alunos.

Já as escolas que apresentam maiores índices de bem-estar, contam com todos estes métodos para levantamento de informações, mas também com dados médicos (29%) e avaliações socioeconômicas dos estudantes (30%).

Quando as escolas usam estes dados para elaborar políticas e ações, a maioria delas adota uma abordagem mais específica. Quase metade dos pesquisados (47%) afirmaram que usam os dados dos estudantes para identificar e dedicar mais atenção para certos alunos, frequentemente encaminhando estes alunos para outros profissionais de apoio à escola ou serviços de aconselhamento.

Quase o mesmo número, 42%, usa estas informações para oferecer orientações de forma mais proativa. Enquanto que 37% usam os dados para identificar necessidades emocionais não atendidas. Outros 38%, se preocupam em usar estas informações para identificar as necessidades acadêmicas que não foram atendidas.

Apenas 32% dos pesquisados afirmam que usam os dados relativos ao bem-estar do estudante para elaborar processos de aprendizagem personalizados. Um número ainda menor (29%) usa estas informações para elaborar mudanças na escola ou nas secretarias de Educação e apenas 27% usam os dados para propor mudanças no próprio sistema educacional.

A boa notícia, segundo o estudo, é que este tipo de mudança no sistema educacional raramente é um requisito para melhorar o bem-estar dos estudantes.

Entre os pesquisados, os docentes mais engajados ou aqueles que se colocam na categoria de “líderes” (cujos alunos têm um nível de bem-estar mais alto do que a média em comparação com outras escolas do país) usam os dados de bem-estar dos estudantes com mais frequência do que os demais. O que realmente parece fazer a diferença é a abordagem mais proativa destes docentes.

O estudo afirma que os pesquisados que se colocaram na categoria de líderes (e são poucos, um em cada quatro) estão muito mais aptos a oferecer orientação e processos de aprendizagem personalizados, além de identificar as necessidades dos alunos que não foram atendidas. 

Tecnologia

Os profissionais de Educação que participaram da pesquisa afirmaram acreditar que a tecnologia vem criando um impacto positivo no bem-estar, mas nem todas as ferramentas podem ter o mesmo impacto.

Para eles, as ferramentas que promovem a colaboração e aquelas que possibilitam a coleta de dados sobre o estado emocional dos alunos foram aprovadas por 49% e 46% dos professores, respectivamente.

Por outro lado, os jogos online e assistentes virtuais foram citados por apenas 16% e 15% dos pesquisados, apesar de terem sido apontados como adições potencialmente boas para uma pauta de aprendizagem personalizada.

A pesquisa também apontou que há quase um consenso entre os entrevistados: 72% deles afirmam que o bem-estar do professor na sala de aula é “muito” ou “extremamente” influente nos resultados dos estudantes.

Uma das formas mais óbvias apontada pelos entrevistados para melhorar o ânimo dos professores é a automação. Os pesquisados afirmaram que um software que reduzisse de forma significativa o tempo gasto com questões administrativas certamente aumentaria o tempo que eles passam com os estudantes, melhorando não apenas o bem-estar do professor, mas produzindo também outros efeitos positivos no ambiente escolar.