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Livros que marcaram a minha vida de professora e leitora

Neurilene Martins destaca os livros que marcaram sua experiência como leitora

POR:
Neurilene Martins

Quantos livros você tem lido? Quais deles você indica para os seus colegas? Quais deles te marcaram?

Há livros que nos deixam mudos, pensativos e com os quais a gente quer ficar um longo tempo. Há outros pelos quais nutrimos uma paixão tão grande que… emprestar? Nem pensar! E há ainda os que queremos que todo mundo leia e, por isso, indicamos sempre que temos uma oportunidade. Na minha lista entram A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini, O Menino do Pijama Listrado, de John Boyne, as obras de Manoel de Barros e as inúmeras crônicas de Martha Medeiros. Todos me marcaram de alguma maneira e, consequentemente, transformaram a minha experiência como professora e leitora.

É lugar comum dizer que, para formar leitores na escola, o professor precisa partir da sua própria experiência com a leitura. Mas essa é uma afirmação verdadeira e valiosa. Ser educador convoca cada profissional a ir além de ler para planejar atividades de leitura. É um convite a descobrir-se ou mesmo constituir-se um leitor encantado.

Minhas recordações do encontro com a literatura vêm da infância. Em meio à hegemonia dos livros didáticos, o poema A Foca, perdido entre os exercícios de gramática, flechou o meu coração. Por isso, ainda guardo como uma pérola o livro A Arca de Nóe, como prova do meu encontro clandestino com Vinícius de Moraes.

No entanto, foi durante minha trajetória profissional que tive os melhores encontros com livros e investi na minha formação leitora. Na faculdade e, depois, atuando como professora, tive contato com leitores mais experientes em redes de trocas, ampliei preferências e me reinventei como formadora de educadores leitores.

Durante oitos anos, viajei com uma mala de livros e a abri em encontros com educadores na Chapada Diamantina como uma formadora “mambembe”. Essas experiências destacaram a importância da literatura no currículo da formação docente, marcando não só a mim, mas a outros educadores presentes. Alguns vinham de cidades pequenas do interior da Bahia, que não tinham livrarias e naquele espaço descobriram que livros podiam ser presentes. Nesse projeto, as redes de leitores foram ampliadas e ler se tornou um valor pessoal e profissional para aqueles educadores.

Com o livro Mulheres de Cinza em mãos, declaro a minha relação amorosa com as obras do moçambicano Mia Couto. Este é um autor que tem marcado minha experiência como leitora. Seus livros O Último Voo do Flamingo e Terra Sonâmbula transcenderam a leitura livre, apenas de apreciação, e se constituíram em fios para a escrita da minha tese de doutorado sob uma perspectiva ética, estética, existencial e política da Educação em territórios rurais. Aprendo com esse autor que o que faz o caminhar na estrada é o sonho.

Entre Vinícius, na primeira infância, e Mia Couto, na vida adulta, reconheço as marcas de autores e histórias literárias na minha vida. E você, caro leitor, já viveu alguma experiência significativa com uma obra? Conte-nos sobre os seus encontros com livros e experiências leitoras e inspire nossa rede de educadores leitores!

Um abraço e até a próxima semana,
Neury

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