Professores dizem que clima com alunos é bom, mas 28% dos diretores apontam intimidação

No levantamento da OCDE, 10% das escolas brasileiras reporta intimidações, bullying e ofensas verbais toda semana

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NOVA ESCOLA
Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

As escolas brasileiras estão registrando um aumento na inciência de intimidações, ofensas verbais e casos de bullying. Pelo menos 10% das escolas enfrentam episódios desse tipo semanalmente, segundo o relatório “Teacher and School Leaders as Lifelong Learners”, baseado na pesquisa Teaching and Learning International Survey (TALIS) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgada nesta quarta-feira (19). No conjunto dos países analisados, esse índice fica em 3% entre os 48 países que participaram da pesquisa.

De novo, comparando Brasil e a média dos países da OCDE, 28% dos diretores reportam casos frequentes de intimidação e bullyiung entre estudantes, contra 14%.

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O dado positivo é que 94% dos professores concordam que há um bom relacionamento entre estudantes e docentes. Entretanto, 87% dos professores brasileiros informaram que têm de acalmar os estudantes, contra a média de 65% da OCDE. 

Inclusão

Em relação à inclusão, 11% dos professores informaram ter em sua sala de aula um aluno que se enquadraria na categortia de alunos com necessidades especiais. Pelo levantamento Talis, o índice seria de 10% de alunos. 

No total, 40% dos professores participaram de formação específica nos 12 meses anteriores à pesquisa. Ainda assim, 58% informaram ter "muita necessidade" de formação nessa área, contra 22% na OCDE.

Por sua vez, 60% dos diretores informaram que a qualidade da Educação em suas escolas é prejudicada pela falta de professores qualificados para lidar com alunos com necessidades especiais. Na OCDE, são 32%.

Novas metodologias

Quando o assunto é metodologias, ficou claro que os métodos que estimulam a participação ativa do aluno na escola são menos usados. A taxa é de 40% contra 45% na média da OCDE. Ainda assim, 80% dos professores brasileiros se disseram abertos a adotar práticas inovadoras. A barreira, de acordo com o estudo Talis, estaria no treinamento, que os professores entendem como um desenvolvimento importante em suas carreiras – mas que sem ele não se sentem seguros para usar novas tecnologias em sala de aula.

No que diz respeito à avaliação, apenas 40% dos docentes adotam autoavaliação dos estudantes.

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A Talis (Teaching and Learning Internacional Survey – Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem) é realizada pela OCDE a cada cinco anos. Na edição divulgada hoje, foram coletados dados sobre aprendizagem e condições de trabalho de professores e gestores de escolas de 48 países, entre eles o Brasil. Participaram 2.447 professores e diretores de 185 escolas dos anos finais do ensino fundamental (5º ao 9º ano) e 2.883 de 186 escolas do ensino médio, das redes pública e privada.

 

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