Inovar como? Professores não aprenderam a usar tecnologia e não se sentem preparados para dar aula

Relatório da OCDE aponta que países precisam tornar a carreira mais atraente para dar conta da demanda por Educação de qualidade

POR:
Soraia Yoshida
Crédito: Getty Images

Mais da metade dos professores não receberam treinamento para lidar com novas tecnologias em sala de aula, mas quem teve acredita que foi o desenvolvimento mais importante em sua profissão. A conclusão faz parte do relatório “Teacher and School Leaders as Lifelong Learners”, baseado na pesquisa Teaching and Learning International Survey (TALIS) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgada nesta quarta-feira (19).

Realizada entre os países que integram a organização, a pesquisa levanta dados sobre o perfil dos professores e os maiores desafios que enfrentam. O relatório aponta para a necessidade das nações em tornar a profissão de professor mais atrativa do ponto de vista intelectual e financeiro, a fim de dar conta das crescentes demandas por professores com melhores currículos.

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Menos da metade disseram não se sentir preparados para dar aula quando iniciaram sua carreira. Pouco mais da metade dos professores não receberam treinamento em tecnologia para uso em sala de aula. Na outra ponta, dois terços dos professores afirmaram que o desenvolvimento de maior utilidade em suas carreiras está ligado a práticas inovadoras.

A grande maioria dos professores e líderes educacionais afirmam que suas escolas estão abertas a práticas inovadoras e estão aptas a adotá-las. Na média, o estudo mostra que entre os países membros da OCDE, 78% dos professores dizem que eles e seus colegas ajudam uns aos outros para implementar novas ideias. O levantamento indica que os professores na Europa são os menos abertos à inovação.

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“A qualidade de um sistema educacional nunca pode ultrapassar a qualidade de seus professores”, afirmou Andreas Schleicher, diretor da OCDE para Educação. Ele defende que os governos empoderem seus professores e lideranças educacionais dando-lhes autonomia para inovar e implementar uma cultura colaborativa em cada escola. “Os governos também precisam reconhecer melhor a importância e o valor de envolver professores no desenho de melhores práticas e políticas para criar salas de aula que sejam compatíveis com o futuro”.

De acordo com Ludger Schuknecht, subsecretário-geral da OCDE, “a aceleração das mudanças sociais, econômicas e tecnológicas torna imperativo que nossos sistemas educacionais se adaptem quase que em tempo real”. Para ele, os governantes deveriam trabalhar juntamente com professores, gestores e lideranças educacionais para tentar compartilhar conhecimentos e assim ajudar estudantes a terem sucesso em suas carreiras.

Em sua terceira edição, os pesquisadores ouviram 260 mil professores e líderes educacionais em 15 mil escolas de 48 países.

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