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Nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos

Conheça as iniciativas de um projeto feito com professores da rede estadual que valoriza o autoconhecimento, o autocuidado e os pontos fortes de cada um

POR:
Ana Carolina C D'Agostini
Manel lidera iniciativas de autoconhecimento e bem-estar do professor no Centro de Ensino Fundamental do Varjão  Crédito: Acervo pessoal

Manoel Alessandro Machado de Araujo, mais conhecido como Manel, é filho da professora Matilde e começou a trabalhar com Educação há 25 anos, quando passou no concurso da Secretaria de Educação do Distrito Federal e se tornou professor. Ele trabalhou como coordenador da EJA (Educação de Jovens e Adultos) por 8 anos e hoje é professor de Ciências na escola distrital Centro de Ensino Fundamental do Varjão. Durante o dia, atua também no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Além disso, Manel faz um trabalho diferenciado com os professores da sua rede visando a saúde emocional e o aprendizado de ferramentas para o autocuidado desses servidores.

Manel costuma dizer que "ninguém sabe tudo, ninguém não sabe nada e todos sabemos algo". Com base nesse princípio e com a crença de que o professor é quem realmente faz a diferença na sociedade, o educador criou diversos projetos para a Semana Pedagógica de sua rede com o objetivo de trazer mais ânimo e fortalecimento para esses profissionais. Conheça algumas dessas iniciativas a seguir! 

Projeto VemSER

No Projeto VemSER, o grande princípio norteador é o acrônimo P.A.I., já que o objetivo é que cada professor se sinta Pertencente, Acolhido e Importante

. Para tornar isso possível, Manel primeiramente utiliza o teste DISC de perfil de personalidade. Desenvolvido pelo psicólogo William Moulton Marston, o teste busca compreender como as pessoas lidam com o ambiente em que vivem e os por quais motivos apresentam determinadas reações. Marston defendeu que o comportamento das pessoas é influenciado por diferentes variáveis internas e externas que originam quatro tipos de traços comportamentais cujas primeiras letras (em inglês) compõem a sigla do teste: o Dominante (D), o Influente (I), o Estável (E) e o Conforme (C).

Com base nos resultados, Manel acredita ser capaz de reconhecer ainda mais as características de cada professor, para que assim eles e elas possam atuar de forma mais satisfatória e serem reconhecidos por seus aspectos pessoais de destaque. Como exemplo, se um professor apresenta pontuação alta no fator "D", o Dominante, provavelmente será bastante  ousado, direto e ativo ao enfrentar problemas e desafios. Já se apresentar baixa pontuação, terá tendência a ser mais conservador, moderado e discreto. Por outro lado, caso a pontuação mais alta seja no "I", o Influente, a pessoa será mais comunicativa e apresentará traços de persuasão, entusiasmo e otimismo. Enquanto que se apresentar resultados mais baixos nessa categoria, poderá exibir traços de desconfiança, pessimismo e alta seletividade.

Outra ferramenta do Projeto VemSER é baseada na teoria das 5 Linguagens do Amor, de Gary Chapman. O autor defende que existem cinco linguagens básicas pelas quais o afeto não só é manifestado, como também é compreendido pelo outro: 1) Palavras de afirmação; 2) Tempo de qualidade; 3) Presentes; 4) Gestos ou atos de serviço; e 5) Toque físico. O autor propõe que conheçamos qual é a nossa linguagem predominante e também a do próximo, para que assim nossa comunicação seja efetiva e cada um possa se sentir aceito, querido e valorizado.

Embora faça uso de alguns testes reconhecidos, Manel acredita que a individualidade de cada professor é mais completa do que sugere inicialmente qualquer resultado. Por isso, ele faz uso também de ferramentas lúdicas no início da Semana Pedagógica como o jogo da velha humano e a dinâmica da bola. Nessa última, cada professor é encorajado a segurar uma bola e contar um fato de sua própria história de vida que deseje compartilhar para, em seguida, arremesar a bola para que outro participante faça o mesmo, criando condições para o exercício da escuta atenta, atenção plena e acolhimento. Segundo ele, além de funcionar como excelente quebra-gelo para as próximas discussões, o senso crítico dos professores costuma ser alto, por isso é importante também pensar em brincadeiras que tragam clareza, alinhamento e fortalecimento na equipe.

Outra atividade efetiva apontada por Manel são as Palavras de Afirmação. Nessa dinâmica, cada dupla é colocada frente a frente e são feitas as seguintes perguntas: "Como eu me vejo? Como o outro me vê?" Com base nas respostas, ele provoca a reflexão de cada um para que haja a percepção de que nos tornamos diferentes pessoas a partir de visões distintas. Manel costuma também fazer a leitura em voz alta de contos que estimulem a resiliência e a perseverança, tal como O lago congelado (ver no final do texto) e pedir que, em roda, cada professor liste 5 motivos pelos quais é grato e, em seguida, enumere 5 qualidades da pessoa que está ao seu lado.

Manel acredita que encontrou nesses princípios uma forma valiosa de trabalhar com o grupo de professores. Ele costuma se aprimorar constantemente para conhecer novas técnicas de autoconhecimento, fortalecimento de vínculo e, até mesmo, para trabalhar aspectos preventivos de temas como ansiedade, depressão e gerenciamento de estresse entre professores. Afinal, conclui ele, na Educação, concordando com Ray Kroc, "nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos".

O Lago Congelado

Certa lenda conta que estavam duas crianças patinando em cima de um lago congelado. Era uma tarde nublada e fria e as crianças brincavam sem preocupação. De repente, o gelo se quebrou e uma das crianças caiu na água. A outra criança, vendo que seu amiguinho se afogava, pegou uma pedra e começou a golpear o gelo com todas as suas forças, conseguindo quebrá-lo e salvar seu amigo.

Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino:

- Como conseguiu fazer isso? É impossível que você tenha quebrado o gelo com essa pedra e suas mãos tão pequenas!

Nesse instante apareceu um ancião e disse:

-Eu sei como ele conseguiu.

Todos perguntaram:

- Como?

O ancião respondeu:

- Não havia ninguém por perto para dizer-lhe que ele não seria capaz.

Retirado do Livro: Sentido da vida e valores no contexto da educação (Thiago Avellar de Aquino)

 

Ana Carolina C D'Agostini é psicóloga e pedagoga com formação pela PUC-SP, especialização em psicologia pela Universidade Federal de São Paulo e mestre em Psicologia da Educação pela Columbia University. Trabalha como consultora de projetos em competências socioemocionais e é consultora do projeto de Saúde Emocional da Nova Escola.



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