Tecnologia #vidareal: como aproveitar melhor o que você já tem na escola

O professor pode aproveitar recursos, aplicativos e boas ideias para desenvolver com os alunos e todo mundo sai ganhando

POR:
Débora Garofalo
Os estudantes levam seus celulares para a escola: uso de dispostivos eletrônicos pode tornar a aula mais participativa e criativa   Crédito: Getty Images

Uma das principais reclamações que escuto sobre o uso de tecnologias na escola é a falta de recursos. Sem dúvida, contar com infraestrutura e conectividade é de suma importância, mas acredito que da mesma maneira que é preciso olhar para o que está ao alcance de nossas mãos, vale a pena pesquisar e experimentar maneiras de usar ferramentas digitais junto ao planejamento. E fazer isso tendo objetivos claros para alavancar o processo de aprendizagem.

Para melhorar efetivamente o aprendizado, elaborei a seguir algumas dicas para mostrar de maneira bem produtiva como lidar com a falta de recursos. Vamos lá?

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Use os celulares e tablets dos alunos

Os estudantes possuem bastante familiaridade com dispositivos eletrônicos como celulares e tablets e a grande maioria carrega seu aparelho para a escola. Potencializar o uso desses aparelhos para fins pedagógicos

é necessário para criar uma nova cultura e investir em novas formar de consolidar e personalizar o processo de aprendizado. Os aparelhos eletrônicos possuem uma série de possibilidades:

Recurso audiovisual
O professor pode explorar as mais variadas formas de trabalhar com este recurso, desde fotografias com várias temáticas à produção de um curta-metragem, documentário, história em quadrinhos ou animação sobre o tema que está sendo proposto. Para a animação ou HQ, é possível usar técnicas de Stop Motion (que nada mais é do que a animação foto a foto). Os próprios alunos podem ser personagens, mas se preferir, faça a animação usando objetos, fotografando uma cena, movendo os objetos um pouco, fazendo nova foto e assim por diante, criando uma sequência de movimentos que, depois de colocados na ordem, vão criar a ideia de movimento.

Aplicativos
Há muitos aplicativos que podem ser baixados pelos estudantes em seus celulares para ajudar a personalizar o ensino.

Evernote. Os estudantes podem criar cadernos, adicionar etiquetas e textos em PDF, apresentações de slides, juntando fotos e áudio gravados para enriquecer o aprendizado. Para os professores, é uma oportunidade de criar portfolios com os estudantes e ou simulados para a turma, fazendo as intervenções necessárias no processo de aprendizado.

Mecflix. Similar ao NetFlix, essa plataforma possui vídeos sobre as diferentes áreas do conhecimento, um recurso importante para trazer interatividade para as aulas e mostrar diferentes maneiras e recursos para trabalhar com os conteúdos.

Duolingo. Aplicativo de línguas que pode trazer interatividade e reforçar as aulas de inglês ou espanhol. As tarefas são simples e trabalham a cultura através de vocabulário e verbos. Para o professor, vale a pena vivenciar essa aprendizagem com os estudantes. Uma boa maneira de explorar é passar uma tarefa de casa para os alunos e juntos, durante a aula, discutir os desafios da atividade e como chegaram às respostas.

QuizUp. Outro aplicativo que traz o lado lúdico e interativo para a sala de aula. Os alunos poderão selecionar as disciplinas e temas para fazer testar seus conhecimentos – e acompanham sua pontuação. Para o professor é uma oportunidade de reforçar o conteúdo trabalhado em sala de aula, dialogando com o material do aplicativo.

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Use as redes sociais

Já pensou em analisar uma conversa pelo WhatsApp em uma aula de Língua Portuguesa e apontar coerência e concordância? E que tal trabalhar com os memes recebidos pelo grupo da escola? Ou ainda analisar uma foto recebida e relacioná-la com o momento histórico? Falar de estatística na aula de Matemática a partir de um gráfico, conversar e dialogar com os estudantes sobre ética e segurança e garantido de fato engajamento da turma, as possibilidades são as mais variadas.

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Faça a sua turma participar de atividades mão na massa

As atividades mão na massa podem ser trabalhadas em qualquer área do conhecimento e com qualquer turma e ciclo de aprendizagem. A escola oferece muitas possibilidades para que os estudantes vivenciem a aprendizagem com as mãos, desde a possibilidade de uma caixa se tornar um projetor, usando o celular e uma lupa, até a atividade de criação, como transformar papelão em um robô autômato. Coloque os alunos para encontrar caminhos para a construção desses objetos, tendo você como mediador do processo cognitivo.

Esse tipo de aprendizagem tende a aguçar e despertar a criatividade e a inventividade, além de trazer engajamento ao possibilitar o trabalho a partir de resoluções de problemas reais, colaboração e empatia.

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E você, querido professor, quais experiências possuem para aproveitar as tecnologias que possuem em sala de aula? Conte aqui nos comentários.

Um abraço,

 

Débora Garofalo é Assessora Especial de Tecnologias da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo (SEE SP) e professora da rede pública de ensino de São Paulo. Formada em Letras e Pedagogia, mestranda em Educação pela PUC-SP, vencedora na temática Especial Inovação na Educação no Prêmio Professores do Brasil e uma das dez finalistas do Global Teacher Prize, o Nobel da Educação.

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