Como usar mapas mentais para melhorar aprendizagem na escola

A utilização de mapas mentais auxilia a memorização de conteúdos e análise crítica dos alunos

POR:
Paula Calçade
Crédito: Getty Images

O uso de diagramas, instrumentos, experiências vivenciais, músicas e técnicas que tornem lúdico e positivo o processo de aprendizagem e a memorização de conteúdos é um modo de estimular o foco e a reflexão em sala de aula. Propor novos modelos para o ensino acessa áreas diferentes do cérebro das crianças e adolescentes e a utilização de mapas mentais pode ser uma dessas ferramentas.

Os mapas mentais trazem o ponto de vista pessoal e a maneira como aquela pessoa enxerga o mundo. Criada pelo escritor inglês Tony Buzan, a técnica consiste em uma espécie de resumo do conteúdo, por meio das informações principais em palavras-chaves, desenhos ou pequenos ícones, que devem funcionar como uma âncora, que puxa o restante do conteúdo na memória. O mapa mental trabalha com comparações, síntese de informações e hierarquização.

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Essa metodologia pode facilitar o entendimento de informações complexas, fazendo com que os estudantes possam criar ou conectar ideias. Com isso, o professor pode perceber mais claramente qual é o processo de pensamento de cada aluno para fazer suas internvenções quando a aprendizagem precisa avançar mais.

Ilustração de mapa mental    Crédito: Wikimedia Commons/Wikipedia

Os mapas mentais são úteis em processos como a fixação da linguagem escrita, o ensino e visualização de fatos históricos. A psicopedagoga e professora da UERJ Regina Lima explica que os mapas mentais também fornecem aos alunos uma maneira natural de pensar e construir pensamentos sobre diferentes temas. “Os mapas mentais ajudam na estruturação de informações, compreensão, síntese, memorização e geração de novas ideias”, afirma.

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Narcélio Pereira é mestre em Geografia e estudou a utilização dos mapas mentais como instrumento de percepção do espaço geográfico. Para ele, um dos principais aspectos positivos do uso dos mapas mentais nas aulas é a desmistificação da cartografia como um simples desenho que reproduz fielmente a superfície da Terra. “A utilização de conceitos cartográficos para a produção dos mapas mentais possibilita o tratamento dos alunos não como meros reprodutores e, sim, sujeitos participantes na construção de um material cartográfico”, diz. Narcélio afirma que essa mudança de perspectiva é capaz de mostrar como o aluno vê e interpreta o meio em que vive e a sociedade onde ele está inserido.

Nessas atividades, o professor acompanha o processo de representação espacial, questiona os alunos sobre o que estão fazendo ou fizeram, promove reflexões sobre a possibilidade de soluções aos problemas encontrados durante a elaboração dos mapas mentais. David Luiz Rodrigues pesquisa Educação Geográfica e Cartografia Escolar na Universidade Federal da Paraíba e, de acordo com ele, o mapa mental pode auxiliar os alunos a desenvolver não apenas uma representação do espaço geográfico, mas uma habilidade consciente do ato de mapear, uma leitura de mundo da qual faz parte.

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Em uma de suas pesquisas em campo, em uma turma do 4º ano, David trabalhou com uma oficina sobre os principais rios da Paraíba e sua influência no cotidiano da população. “Realizamos um estudo de caso com um pequeno curso de rio canalizado que passa ao lado da escola e deságua em um dos cartões postais da cidade de Campina Grande, o Açude Velho, analisando também os problemas sociais urbanos relacionados a ele. Uma aluna desenhou o curso de água e a acompanhei no ato de pintar o rio. Em um determinado momento, ela pegou uma caneta preta e coloriu o meio do rio de preto. Quando a questionei sobre aquela ação, ela respondeu: ‘Professor, quando o riacho nasce a água é limpinha, quando vai chegando dentro da cidade as pessoas vão jogando lixo nele’. Essa interpretação, por mais simples que seja, auxilia o aluno a desenvolver conhecimentos cada vez mais complexos e atribui novos significados ao aprendizado”, afirma.   

Outras técnicas para fazer diferente

Regina Lima elenca mais ferramentas para auxiliar a aprendizagem de forma interativa em sala de aula:

- Sala de aula invertida. Tipo de ensino que subverte o ambiente de aprendizado tradicional ao fornecer conteúdo que mistura ações dentro e fora da sala de aula. O professor propõe atividades, que são passadas como tarefas de casa e são parte de um processo finalizado dentro da sala de aula, dando protagonismo aos alunos no debate e geração de ideias.

- Gamificação. Uma abordagem educacional que tem como objetivo motivar os alunos a aprender usando elementos de jogos no processo de aprendizagem. O objetivo é maximizar o prazer e o envolvimento, capturando o interesse dos alunos e inspirando-os a continuar aprendendo por meio da competição ou colaboração na busca de pontos e realização de tarefas.