Olimpíadas de Língua Portuguesa estimulam práticas de leitura e produção de texto

Com inscrições abertas até 25 de maio de 2012, concurso de Língua Portuguesa investe na formação dos professores

POR:
Elisângela Fernandes

"Não basta dar um tema e uma folha para que os alunos escrevam. Por trás de uma boa produção de texto, há um trabalho intenso de planejamento das atividades e de seleção de boas referências para a turma". Esses são os argumentos de Sonia Madi, coordenadora da Olimpíada de Língua Portuguesa (OLP) - Escrevendo o Futuro, ao explicar por que o investimento na formação de professores é o grande diferencial dessa iniciativa.

Em geral, a olimpíada visa selecionar os melhores alunos, mas não foca o avanço de todos. Outro problema comum é que as provas cobrem temas que não estão articulados aos conteúdos da fase da escolaridade em que os participantes estão. A OLP trilha outro caminho e por isso acontece a cada dois anos, com inscrições nos anos pares. A formação dos docentes não se restringe ao período da competição. Nos anos ímpares, quem se inscreveu no ano anterior continua envolvido. O professor recebe a revista Na Ponta do Lápis com orientações para o ensino de leitura e escrita. E no site do programa há cursos a distância, textos e fóruns de discussão. O docente ainda tem acesso a materiais para desenvolver uma sequência didática e sugestões de leituras voltadas a cada um dos gêneros: poema (5º e 6º anos), memória literária (7º e 8º anos), crônica (9º ano e 1º ano do Ensino Médio) e artigo de opinião (2º e 3º anos do Ensino Médio).

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O objetivo é que o professor desenvolva práticas de leitura, produção e análise de textos com a turma. "Não queremos encontrar talentos, e sim contribuir com a formação dos professores", enfatiza Sonia. Por isso, os conteúdos são organizados para integrar o planejamento. "Cada professor pode adequar o material às suas necessidades", comenta Patrícia Alves de Amorim Percinoto. Ela e o aluno Fábio Henrique Silva dos Anjos, 12 anos, ficaram entre os vencedores da categoria poema em 2010.

O poema de Fábio Henrique Silva

A edição de que eles participaram teve a adesão de 99% dos municípios e de quase 240 mil professores. Fábio se inspirou na desapropriação de uma favela no bairro do Jaçanã, em São Paulo, onde morou até os 4 anos de idade. Desde que a OLP foi criada, o tema do texto é este: o lugar em que os estudantes vivem.

A ideia do projeto surgiu em 2001, quando o Programa Internacional de Avaliação dos Alunos (Pisa) mostrou que o país ocupava a última posição na proficiência em leitura. O resultado motivou a criação do programa Escrevendo o Futuro, pela Fundação Itaú Social e pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), ambos em São Paulo. Em 2007, o Ministério da Educação (MEC) decidiu participar da organização e a iniciativa passou a ser chamada de Olimpíada.

Veja os textos dos alunos finalistas em 2010

Especial Produção de Texto
Especial Leitura

Inscrições abertas
Os docentes interessados em participar da terceira edição da OLP podem se inscrever até 25 de maio pelo site www.escrevendoofuturo.org.br. A inscrição é validada após a adesão da rede de ensino correspondente. Os alunos e professores vencedores ganham uma medalha e um notebook cada um e a escola deles recebe um laboratório de informática.

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