Como encaminhar as dúvidas da turma sobre o Natal

Apesar de a data não ser conteúdo de ensino, muitas vezes os alunos levantam questionamentos sobre o assunto. Saiba como tratá-los nas diferentes etapas de ensino

POR:
Caroline Ferreira

Com a proximidade do Natal, é natural que surjam entre os alunos algumas questões relacionadas ao tema. Podem surgir, entre outras coisas, perguntas sobre presentes, costumes de família, Papai Noel ou ainda sobre o motivo original da celebração - que tem, como se sabe, origem cristã: o nascimento de Jesus. Justamente por seu aspecto religioso, falar de Natal na escola é um desafio maior do que pode parecer. Vale a pena esclarecer aspectos sobre a abordagem.

Um primeiro alerta, essencial, é lembrar que a escola pública é laica e deve ser imparcial no que se refere às crenças, sem privilegiar nenhuma delas - evitando, assim, distinções entre os alunos. Para os educadores, isso equivale a deixar de lado as convicções pessoais, que são de foro íntimo. No que diz respeito às dúvidas de matriz religiosa, a explicação escolar obedece às evidências científicas. "Exceto quando a escola é confessional, o professor não deve trabalhar de forma religiosa, muito menos querer impor uma religião", afirma Ana Aragão, psicóloga e docente da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

No caso do Natal, vale a pena redobrar os cuidados ao pensar qualquer atividade relacionada ao tema. "O professor deve se perguntar se há, de fato, objetivos de aprendizagem relacionados às atividades concebidas. Muitas vezes, não há", explica Daniel Vieira Helene, professor de História e Sociologia da Escola da Vila, em São Paulo.

Entretanto, evitar projetos sobre o tema não significa que o professor não possa orientar o esclarecimento de dúvidas que as crianças e jovens levantam espontaneamente. Nesses casos, a recomendação é auxiliar os alunos a examinar suas próprias concepções sobre a data. "O estímulo ao respeito das diferentes opiniões é fundamental. É importante mostrar, por exemplo, que existem outras crenças e festas religiosas como o Natal", destaca a pedagoga Helô Reuter, pedagoga do Externato da Aldeia, também na capital paulista.

Mas quais são as dúvidas mais comuns que a turma levanta em cada etapa de ensino? Como encaminhá-las? Abaixo, você conhece algumas orientações sobre como lidar com questões sobre o tema na Educação Infantil e no Fundamental 1 e 2.

Educação Infantil
O que é essencial: respeitar as explicações infantis e a influência familiar

Nessa fase, as explicações dos pequenos sobre o mundo ainda misturam fantasia e realidade. A crença em Papai Noel é um exemplo disso. Além de respeitar essas convicções (o ideal é que elas sejam reformuladas progressivamente pelos próprios pequenos e não invalidadas pelo professor), um caminho possível é devolver às crianças as eventuais dúvidas que aparecerem: o que você acha? De onde surgiu sua dúvida? O que seus pais dizem? "Além de ajudar o educador a mapear as crenças da classe, essas perguntas ajudam a levar em conta as ideias que vêm de casa", diz Helô Reuter.

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1º ao 5º ano
O que é essencial: debater sobre a diversidade cultural

No Fundamental 1, quando surgem as dúvidas, o professor também deve propor que os alunos compartilhem informações sobre como é o Natal em suas casas. "A diversidade de crenças e costumes vai ficar evidente, o que cria uma oportunidade para se falar de diferentes religiões", explica Ana Aragão. "A diferença nesta etapa é que já é possível debater o tema", explica Helene. Nesse contexto, o papel do professor é assegurar a igualdade entre os alunos nas discussões, já que, normalmente, as turmas são de maioria cristã (atenção, sobretudo, às crianças que querem impor suas ideias). "Para isso, o docente deve se distanciar da sua própria crença", ressalta o professor.

Outra possibilidade é partir para a observação dos hábitos de consumo no Natal, época em que as lojas ficam cheias e há uma profusão de propagandas dos mais variados produtos. "O professor pode mostrar que, atualmente, o uso social dessa data tem mais relação com o consumo", sugere Daniel.

6º ao 9º ano
O que é essencial: partir para uma abordagem histórica

Na etapa final do Fundamental, os adolescentes já têm mais clareza sobre o objeto de pesquisa das disciplinas que estudam. É possível, por exemplo, explorar a história das religiões.

Neste ciclo, também cabe aprofundar o debate sobre Natal e consumo. "Além de apresentar essa ligação, o professor pode favorecer o questionamento dos padrões de consumo. São exagerados? Há outros modelos alternativos? É possível - ou necessário - pensar em outras prioridades para os gastos de fim de ano?", complementa a professora Ana Aragão.

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