Ir ao conteúdo principal Ir ao menu Principal Ir ao menu de Guias

Estratégias inteligentes de leitura para gêneros digitais

Priorizar a leitura dialógica, que dá voz ao aluno, e inserir textos digitais nas aulas são formas inteligentes de engajar os alunos na leitura

POR:
Débora Garofalo
Crédito: Getty Images

O Brasil vai mal em Matemática e na leitura. Dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), avaliação aplicada a cada três anos a estudantes de 70 países integrantes ou parceiros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) demostra que estamos entre os últimos no ranking de Leitura e Matemática. Ocupamos a 59ª colocação em Leitura, a 63 ª posição em Ciências e ficamos em 65º lugar em Matemática.

Os dados apontam dificuldades dos alunos em localizar informações no texto, inferências e informações implícitas. Eles têm dificuldade em reconhecer qual é a ideia principal do texto. A situação se agrava quando envolve leituras de mapas, gráficos e charges – consequência da pouca circulação desses gêneros na escola.

LEIA MAIS   Como despertar o prazer da leitura e da escrita através da fanfic

O relatório do Pisa apresenta também casos de sucesso em países que investiram em estratégias de aprendizagem. Um bom exemplo é a Coreia do Sul, que possuía índices baixíssimos de Alfabetização em 1950, início da guerra que devastou o país, e que conseguiu não apenas reverter, mas universalizar o acesso à Educação em 1995 – atingindo altos índices em rankings de aprendizagem e 55,5% dos estudantes chegando à universidade.

Dentro deste cenário, o Banco Mundial, recomenda três pontos para fortalecimento das políticas públicas.

1. Avaliação para aprendizagem

2. Escolas para todas crianças.

3. Mobilizar todas as pessoas interessadas na aprendizagem

E o Brasil?

Em termos de políticas públicas, temos bons exemplos no Brasil. Um deles é Sobral, no Ceará, que detém uma das maiores taxas de índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) do país.

No painel de Educação no Brazil Fórum UK 2019, realizado em maio na London School of Economics (LSE) em Londres, participei de um debate ao lado do ex-prefeito de Sobral e atual senador Cid Gomes, que defendeu a alfabetização na idade certa, entre outros pontos.

Já carregamos um problema na leitura do texto impresso. Com o avanço das tecnologias, essa deficiência se agrava e aparece também nos textos de gênero digital.

LEIA MAIS   Como usar os gêneros digitais em sala de aula

Como alavancar a leitura dos gêneros digitais nas aulas

Leitura Dialógica
É necessário abolir das aulas a leitura monológica, aquela que prioriza o individualismo e que muitas vezes silencia o aluno e priorizar a leitura dialógica, que permite dar voz aos alunos, conversando e dialogando sobre os textos e gêneros digitais. Com isso, eles serão provocados a interagir com os textos lidos, aproveitar sua vivência de leitura e falar sobre suas impressões – fazendo conexões com o mundo real.

Inserir nas aulas textos e gêneros digitais
É necessário inserir no planejamento os gêneros digitais e os meios que eles circulam. As redes sociais, são diferentes, é necessário conversar com os estudantes sobre esses aspectos, como por exemplo, o twitter é um servidor para microblogging, na qual, as informações circulam com um limite de caracteres, já o Instagram é uma rede social de compartilhamento de fotos e vídeos. Conhecer a especificidade e trabalhar esses pontos nas aulas é importante.

O trabalho pode partir de exemplos de posts, em conversas virtuais, gêneros (vídeo, fotos, texto) e interatividade do leitor com o autor, analisando e conhecendo o contexto da conversa. Por exemplo, muitas vezes quando os alunos acompanham um cantor(a) e ou ator (atriz), muitas vezes, eles interagem com os posts, conhecendo a história de forma macrotexto e no microtexto. Explorar esses aspectos é importante para a leitura e compreensão destes textos, sendo um excelente recurso para as aulas.

Tornar os estudantes produtores de gêneros digitais
A web proporciona interatividade, trazer esse gancho as aulas para despertar desafios, aguçar a leitura, através das produções, é uma estratégia de leitura. Temos vários programas, inclusive no celular, que produz memes, gifs, charges.

Para trabalhar com gêneros digitais

Memes – Memes Generator Free

Gifs  - Gifs Makers

Charges - Hagaquê

Trabalhar com textos multimodais

Muitas das dificuldades dos alunos na leitura digital é manter o foco na leitura com as diversas possibilidades de interação contidos no mesmo texto.  Entre o texto e o vídeo, os alunos preferem o audiovisual.

Trabalhar com esses textos nas aulas de forma dialógica é importante para formar leitores responsivos ativos, demostrando as muitas possibilidades ao trabalhar a essência destes textos e a importância dos hiperlinks.

E você querido professor, quais estratégias de leitura vocês utilizam para trabalhar com os gêneros digitais? Conte aqui nos comentários e ajude a fomentar práticas pedagógicas.

Um abraço,

Débora Garofalo é Assessora Especial de Tecnologias da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo (SEE SP) e professora da rede pública de ensino de São Paulo. Formada em Letras e Pedagogia, mestranda em Educação pela PUC-SP, vencedora na temática Especial Inovação na Educação no Prêmio Professores do Brasil e uma das dez finalistas do Global Teacher Prize, o Nobel da Educação.

Tags

Guias

Tags

Guias