Estudantes organizam protestos em 23 estados e no DF contra cortes na Educação

Manifestações foram organizadas pelas redes sociais por entidades estudantis

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NOVA ESCOLA

Estudantes participaram nesta quinta-feira (30/05) de protestos contra cortes de verbas na Educação em pelo menos 23 estados e no Distrito Federal. A União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) usaram as redes sociais para convocar estudantes para manifestações em todo o país. As maiores concentrações aconteceram no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde os protestos entraram pela noite. Em algumas cidades, os estudantes e professores ganharam apoio de manifestantes contra a reforma da Previdência e de alguns sindicatos.

No Twitter, a hashtag #30MpelaEducacao está no trending topics, seguida pela #Dia30EuVouTrabalhar que reúne a oposição aos protestos. 

https://twitter.com/samiabomfim/status/1134211684657225729

Esse novo dia de protestos foi uma sequência das manifestações do dia 15 de maio, quando professores, estudantes e representantes ligados a sindicatos realizaram atos em 26 estados e no Distrito Federal. A segunda movimentação aconteceu quatro dias após apoiadores do governo de Jair Bolsonaro terem saído às ruas.

Ao saber dos protestos no dia 15 de maio, o presidente Jair Bolsonaro afirmou a jornalistas que os manifestantes eram "idiotas úteis" e que não saberiam dizer nem a fórmula da águaSão uns idiotas úteis, uns imbecis que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo de muitas universidades federais no Brasil", disse durante sua visita ao Texas. Mais tarde, Bolsonaro se corrigiu e disse que os manifestantes não eram "idiotas úteis" e sim "inocentes úteis".

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, gravou vídeo divulgado nesta quarta-feira (29/05) conclamando estudantes a denunciar professores e funcionários públicos que os incitassem a participar dos protestos. “Estamos recebendo aqui no MEC (Ministério da Educação) cartas e mensagens de muitos pais de alunos citando explicitamente que alguns professores, funcionários públicos, estão coagindo os alunos e que serão punidos de alguma forma caso eles não participem das manifestações", disse o ministro no vídeo.

Em Brasília, o prédio do Ministério da Educação (MEC) foi cercado por soldados da Força Nacional. A medida de prevenção já havia sido tomada para o primeiro dia de protestos, mas nenhum incidente foi registrado. Mesmo assim, um grupo de aproximadamente 1.500 pessoas, segundo dados da Polícia Militar, participaram de uma passeata que deveria ter o MEC como destino final.

Na Bahia, professores e estudantes protestaram logo cedo no centro de Salvador. Em Feira de Santana, os manifestantes saíram em passeata e pararam o trânsito na cidade.

Estudantes protestam contra cortes na Educação em São Paulo   Crédito: Cuca da UNE

No Rio Grande do Sul, os estudantes organizaram protestos em Pelotas, Lajeado, Santa Maria, Rio Grande e Santa Rosa. Em Pelotas, não houve aulas na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e nem no Instituto Federal Sul-rio-grandense (UFSul).

Em Santa Catarina, estudantes realizaram pequenos protestos na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em Florianópolis e também na cidade de Camboriú.

No Piauí, professores da Universidade Federal do Piauí (UFPI) informaram que aderiram à paralisação e algumas aulas devem ser suspensas hoje. Estudantes e professores saíram em passeata pelo centro de Teresina. 

Estudantes protestam contra cortes na Educação em Pau dos Ferros, no Rio Grande do Norte   Crédito: Reprodução/Twitter UNE

No Maranhão, estudantes levaram a sala de aula para as ruas para mostrar à comunidade seus projetos e pesquisas em instituições públicas de ensino. Na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), estudantes distribuíram panfletos sobre a movimentação para motoristas.

No Ceará, osprotestos acontecem no centro de Fortaleza. Em Caruaru e Quixadá, estudantes saíram pelas ruas com cartazes e faixas contra os cortes de verbas para universidades. Houve protestos ainda em Iguatu, Itapipoca, Itarema e Barbalha.

Em Alagoas, alunos da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) ocuparam as ruas ao redor do Campus Sertão com cartazes.

Em Sergipe, estudantes protestam na Universidade Federal do Sergipe (UFS). 

No Pará, os estudantes e professores contaram com apoio dos petroleiros, e trabalhadores portuários. Além da manifestação em Belém, houve protestos em Altamira, Bragança, Castanhal, Marabá, Santarém e Tucurui.

No Mato Grosso, estudantes levaram cartazes para as ruas em Rondonópolis.

Em Goiás, houve manifestações em Catalão. 

Bloqueio de recursos

De acordo com o Ministério da Educação, o bloqueio de recursos é resultado de restrições orçamentárias que afeta toda a máquina pública em função da queda na arrecadação. O ministério afirma que do total de R$ 49,6 bilhões previsto para as universidades federais, R$ 42,3 bilhões – o equivalente a 85,34% – são despesas obrigatórias com pessoal (pagamento de salários para professores e demais servidores, bem como benefícios para inativos e pensionistas) e não podem ser contingenciadas.

De acordo com o ministério, 13,83% (ou R$ 6,9 bilhões) são despesas discricionárias e 0,83% (R$ 0,4 bilhão) diz respeito àquelas despesas para cumprimento de emendas parlamentares impositivas – já contingenciadas anteriormente pelo governo federal.

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