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“Precisamos garantir que o aluno adote o processo educacional para sua vida”

Adriana Aguiar, secretária de Educação do Tocantins, acredita na Educação Integral e tem o Ensino Médio como prioridade, mas sem EAD

POR:
Paula Salas
Adriana Aguiar é secretária estadual de Tocantins. Crédito: Elias Oliveira/Divulgação SEDUC Tocantins

Em 2019, NOVA ESCOLA vai publicar entrevistas com os secretários de Educação dos 26 estados e do Distrito Federal para ouvir os planos, perspectivas e as opiniões de quem lidera a pasta pelo país.

Adriana da Costa Pereira Aguiar é pedagoga e atua na área de Educação desde os 16 anos. Foi professora da Educação Especial, do Ensino Fundamental e Ensino Médio, passou para coordenadora pedagógica, supervisora e depois diretora. “Em todo esse período na Educação, foi na gestão que eu me encontrei mais”, afirma a atual secretária de Estado da Educação, Juventude e Esporte do Tocantins.

Vencedora de prêmios na área da gestão escolar, Adriana foi diretora regional de ensino de Gurupi, cidade a 223 km de Palmas. Em 2014, no final do mandato, assumiu a secretaria. No ano passado, durante um momento político delicado, foi chamada para ocupar novamente o cargo e, em 2019, foi convidada a permanecer à frente da Seduc.

Entre as pautas educacionais, a secretária avalia como bem-sucedida a articulação do Estado pela implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e não vê a Educação à Distância (EaD) como uma área de investimento, mas aposta firmemente no fortalecimento da relação entre professores e alunos.

Em relação ao Ensino Médio, Adriana Aguiar entende que o Tocantins segue o desafio nacional de combater a evasão e melhorar a aprendizagem, por isso a etapa é uma das prioridades do estado. “Precisamos fortalecer o Ensino Médio e fazer com que as nossas escolas sejam mais atrativas, que os nossos profissionais estejam motivados e que busquem estar próximos daquilo que o aluno espera da escola”, diz a secretária. Também acredita na Educação Integral como caminho para alcançar os objetivos do Ensino Médio e investir no futuro dos jovens.

Confira a seguir os principais trechos da entrevista de Adriana Aguiar para NOVA ESCOLA.

Como a sua trajetória e as suas experiências profissionais te prepararam para ocupar o cargo de secretária de educação do Tocantins?

Estou na área de Educação desde os 16 anos e me encontrei na gestão. Fiquei na direção da mesma escola por 10 anos e ali busquei fortalecer a minha capacitação na área e aproveitei todas as oportunidades de crescimento. Em 2002, a escola foi referência estadual em gestão e, em 2012, fomos escolhidos como referência nacional. A partir daí, assumi a diretoria regional de ensino de Gurupi. Em abril de 2014, tive a oportunidade de assumir a Secretaria de Educação do Estado, voltei em abril do ano passado, num momento delicado de cassação do governo do estado. Fui convidada de volta com base na minha trajetória. Conseguimos superar os desafios e fui convidada a permanecer na Seduc.

Eu gostaria de destacar que não sou filiada a nenhum partido, me sinto confortável em ser uma escolha técnica, uma profissional concursada que tem um histórico na secretaria. Considero que estou em um excelente momento profissional, quero fazer tudo que estiver ao meu alcance pela Educação do Tocantins.

Faz diferença ser uma mulher na liderança, mesmo com toda a experiência em sala de aula?

A Educação precisa ter um equilíbrio muito grande entre razão e a sensibilidade. Somos mulheres, mães, passamos por grandes desafios. Anos atrás, quando assumi a direção da escola, eu havia passado por um momento pessoal de muita fragilidade. Tinha acabado de ficar viúva, com filhos pequenos. Precisei lidar com os alunos, os pais e a comunidade escolar em um momento de desafio pessoal. Passar por isso foi muito importante. Eu me dediquei de corpo e alma, levei meu exemplo pessoal como inspiração para muitas mães e alunos. E tenho muito orgulho disso.

Em todas as minhas decisões, nunca me distanciei do chão da sala de aula. É preciso que todo ato tenha muito clareza de qual é a finalidade, que chegue na sala de aula e no aluno.

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Quais são os grandes desafios da Secretaria de Educação hoje no Tocantins?

O maior desafio da Secretaria de Educação no Tocantins é o mesmo desafio nacional, o Ensino Médio. Os índices nacionais mostram que precisamos ter um olhar mais atento para a etapa, que é a porta para a universidade. Precisamos garantir que o aluno perceba e adote o processo educacional para a sua vida até esgotar todas as possibilidades. Nós precisamos garantir a transição entre as modalidades de ensino para que o nosso aluno entre na universidade sabendo exatamente o que ele quer, buscando ser um profissional de sucesso para atuação aqui no nosso estado.

Precisamos fortalecer o Ensino Médio, fazer com que as nossas escolas sejam atrativas para o jovem, que os nossos profissionais da Educação estejam motivados e busquem estar próximos daquilo que o aluno espera da escola. Acreditamos muito na Educação em tempo integral. Nosso desafio é fazer com que esse jovem e as suas famílias compreendam que estar na escola com mais atividades, com tempo maior e com a dedicação exclusiva para os estudos é um investimento necessário para que tenhamos jovens mais preparados, que possam somar com o futuro do nosso estado. Os nossos jovens precisam ser vistos como uma grande oportunidade.

O Ideb do Tocantins está acima da média nacional desde 2007 nos anos iniciais do Fundamental e vai caindo conforme os anos avançam. No Ensino Médio, em 2017, o estado ficou meio ponto abaixo da meta. O que falta ao Ensino Médio do Tocantins para cumprir a meta e quais são os planos para fazer com que isso aconteça?

Nós estamos abaixo da média prevista no Ideb, mas são poucos os estados que tiveram um avanço considerável. O que nós pretendemos é fortalecer a conscientização do aluno. No ano passado, o estado fez um projeto para fortalecer a avaliação no Enem. Todos os alunos do Ensino Médio receberam um material impresso elaborado por nossa equipe de currículo, um aplicativo de celular e as 13 regionais de ensino tiveram aulas aos sábados. A iniciativa se estendeu para a rede privada e a comunidade.

Pensando na reforma do Ensino Médio e na Base do Ensino Médio, qual é o papel desses dois instrumentos no fortalecimento do Ensino Médio e como a secretaria vai apoiar a implementação em todo o estado?

Queremos a Base como um instrumento orientador que trabalhe aquilo que o nosso aluno precisa e quer estudar. Temos uma parceria muito forte com os municípios, inclusive vamos destacar profissionais da secretaria estadual para prestar esse apoio. Nossa equipe de implantação da BNCC é bastante articulada. Envolvemos profissionais tanto da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) como da Secretaria de Educação do Estado e representantes dos municípios. Pela articulação entre os sistemas, esse trabalho no Tocantins teve bastante êxito até agora. Ao zelar e colaborar com o aluno no município, ele vai chegar mais preparado ao estado e, consequentemente, terá mais sucesso.

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Há planos para implantar a Educação a Distância no Ensino Médio?

Não, nós queremos fortalecer cada vez mais o contato dos nossos professores com os nossos alunos.

E quanto a planos para um possível aumento de salário para os professores? Seria parte de uma política de valorização do professor?

Nós queremos valorizar o profissional docente. Temos que reestruturar a forma de remuneração desses profissionais e, de alguma forma, valorizar o docente. Ainda é um desenho em estudo, temos de ouvir a categoria e analisar os processos. É um plano do governo do estado, não apenas desta secretaria.

Qual é a sua opinião sobre a Base Nacional Docente?

Precisamos trabalhar a Educação com todos os atores. Toda discussão é válida, mas precisamos de mais informações de como o novo governo e o MEC veem essa proposta. O Tocantins está aberto à inovação, à discussão, a participar desse momento histórico da Educação do nosso país.

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Em um cenário no qual todos os recursos estivessem à sua disposição, qual seria o seu sonho para a Educação do Tocantins?

Gostaria de avançar na modernização das nossas estruturas físicas para que a escola se adeque ao nosso clima, seja mais atrativa, que o aluno sinta os avanços técnicos. Quando falo de estrutura, me refiro a tecnologia e formação continuada. Também investiria em oportunidades de intercâmbio para os nossos alunos e professores. Penso que a troca de experiências é muito bem-vinda.

Oferecer uma Educação plural, fortalecer a Educação profissional, ter profissionais motivados e que o aluno compreenda que seu futuro está na Educação. É nesse caminho que acreditamos.

Quais aprendizados Tocantins tem para compartilhar com o Brasil?

Temos um estado que recebe cidadãos de todos os lugares do Brasil, as pessoas vêm para cá com grandes expectativas. Gostaria de deixar claro para o Brasil que o Tocantins é um lugar de oportunidades e estamos aqui para receber talentos, sobretudo aqueles que podem contribuir com a Educação e com o futuro deste estado. Ao contribuir com a Educação dos nossos jovens, o estado que pode representar o Brasil ainda mais do que representa hoje.

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