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Inove | Coluna Helena


Por: Helena Singer

Como escolas inovadoras alfabetizam

Boas políticas públicas são aquelas que valorizam a diversidade e os interesses dos alunos

Acompanhei a trajetória de aprendizagem de alunos de escolas cujos currículos se organizavam em torno de projetos, orientados pelo interesse dos estudantes e seguindo seu ritmo de aprendizagem. Nessa pesquisa, realizada pelo Laboratório de Estudos e Pesquisas sobre Ensino e Diversidade (LEPED) da Unicamp, conheci escolas inovadoras públicas e privadas, urbanas e rurais, de Educação Infantil e Fundamental e de Educação de Jovens e Adultos. Compartilho o que observei sobre o processo de conquista da leitura e da escrita. Nas urbanas, acompanhei as crianças de duas instituições particulares. Suzana começou o processo aos 3 anos com o reconhecimento das letras dos nomes de suas princesas favoritas. Aos 4, querendo compreender os gibis, pedia que os educadores escrevessem palavras que ela copiava; aos 5, ajudava os colegas a escrever aquelas que já conhecia. Aos 6, fazia livros ilustrados para os amigos. Lauro, embora desde os 5 anos se expressasse bem, só foi se interessar pela leitura e escrita aos 8. Iniciou o processo a partir das palavras ligadas ao futebol, seu maior interesse. Aprendeu a distinguir bem as letras e os fonemas, até dominar a leitura. Passou a escrever cartões, e com o tempo tornou-se fluente na escrita. Na sequência, passou a estudar gramática e aos 9 já dominava bem a estruturação de textos e as regras ortográficas. Na escola rural, diariamente, Diana, de 6 anos, explorava a biblioteca. Aprendeu a ler e a escrever algumas palavras e passou a ensinar as amigas. Fábia, da mesma idade, gostava que lessem para ela e aprendeu a reconhecer seu nome e os de seus colegas. Influenciada pelas amigas, Stefanie, com 7, também passou a levar livros para casa. Com os computadores, as meninas descobriram mais uma mídia para a comunicação. No fim do ano, as três crianças liam e escreviam fluentemente. Todas essas histórias revelam que, em ambientes que respeitam e estimulam os interesses das crianças, a aquisição da leitura e escrita se dá de modo singular, contínuo e seguro, a partir de metodologias diversificadas. As políticas públicas ideais são, portanto, as que estimulam essa diversidade.

Helena Singer é doutora em Sociologia e líder da Estratégia de Juventude para a América Latina na Ashoka. Foi assessora especial do MEC.

Foto: Tomás Arthuzzi/NOVA ESCOLA