De malas prontas

Portugal e Espanha são os destinos mais procurados por professores que buscam uma bolsa de estudos para cursar pós-graduação fora do Brasil

POR:
Carolina Costa
"Se fosse depender apenas da minha remuneração como professora, jamais teria ido estudar em Portugal"  Cláudia Santa Rosa, 36 anos - Coordenadora - Rede estadual, Natal, RN

Conseguir uma bolsa de estudos para fazer pós-graduação no exterior é o sonho de muitos professores que se inscrevem anualmente em programas de fomento, como o do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) ou o da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Mas a disputa por uma oportunidade assim é acirrada: no ano passado, o CNPq concedeu cerca de 65 mil bolsas, mas apenas 354 foram para cursos no exterior. Já a Capes consegue manter um número maior de bolsistas, 2,1 mil, em cerca de 30 países. De acordo com o CNPq, Espanha e Portugal são os destinos mais procurados por quem busca se aperfeiçoar na área de Educação. 

Para pleitear esse subsídio, é preciso desenvolver um projeto de pesquisa e fi car atento aos prazos de inscrição e às exigências das instituições. Além do CNPq e da Capes, consulados, embaixadas e outras entidades oferecem bolsas (leia o quadro Quer Saber Mais?). O primeiro passo é entrar em contato com a faculdade no exterior e submeter seu projeto à análise. Quem já desenvolve uma pesquisa de doutorado e quer estendê-la a um doutorado sanduíche (feito parte no Brasil, parte no exterior) deve checar com quais instituições estrangeiras sua universidade mantém convênio. "Isso garante a possibilidade de dupla titulação", explica Aline Maria da Silva, assessora da pró-reitoria de pós-graduação da Universidade de São Paulo.

O QUE É PRECISO PARA OBTER UMA BOLSA

Desenvolver um projeto de pesquisa.

Conseguir a aprovação em uma faculdade estrangeira.

Cumprir prazos e condições das instituições de fomento.

 



Para um doutorado sanduíche nos Estados Unidos ou na União Européia, o candidato recebe uma mensalidade de 1,1 mil dólares ou 1,1 mil euros (se for na Europa), com o acréscimo de 200 dólares ou euros por fi lho, até o limite de quatro, no caso do CNPq. A professora Cláudia Santa Rosa, 36 anos, de Natal, RN, conseguiu viver bem durante os seis meses de suas pesquisas de doutorado em Portugal, com uma bolsa da Capes de 1,1 mil euros por mês. Ela ganhou também 620 euros de auxílio instalação e outros 420 de seguro-saúde. A agência ainda arcou com as passagens. Lá, ela alugou um apartamento com água, energia, gás, TV a cabo e internet banda larga por 500 euros mensais.

Com o restante do dinheiro, comprava gêneros alimentícios, ia de vez em quando a restaurantes, pagava inscrições em eventos científi cos e culturais e comprava livros. "Se fosse depender apenas da minha remuneração como docente, jamais teria ido." Cláudia foi estudar a experiência da Escola da Ponte, nas proximidades da cidade do Porto, conhecida por seu projeto pedagógico inovador. Coordenadora da EE Hegésippo Reis, em Natal, aproveita muito do que aprendeu por lá. Às voltas com os últimos ajustes em sua tese, ela pretende retornar a Portugal na segunda metade de 2010. "Mas só vou viajar depois de retribuir o investimento feito em mim pela rede pública de Educação."

Quer saber mais?

CNPq, www.cnpq.br

Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (Crub), www.crub.org.br

Capes, www.capes.gov.br

Fundação Estudar, www.estudar.org.br

Fundação Ford, www.programabolsa.org.br

Organização dos Estados Americanos (OEA), www.educoea.org

Programa Alban da União Européia, www.programaalban.org

Rotary Club, www.rotary.org/languages/portuguese

 
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