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Ato contra cortes na Educação lota Avenida Paulista

De acordo com organizadores, cerca de 150 mil pessoas estiveram presentes na tarde do dia 15

POR:
Paula Peres, Camila Cecílio
Crédito: Camila Cecilio

Educadores, estudantes de escolas e universidades, sindicatos, entidades e movimentos sociais participaram nesta quarta-feira (15/05) de um dos maiores atos contra os cortes na Educação do país, em São Paulo. As manifestações, que ocorreram durante todo o dia nos 27 estados brasileiros, são contrárias às medidas do governo Jair Bolsonaro, como os bloqueios de recursos que vão afetar todas as etapas de ensino, da Educação infantil à pós-graduação, e a reforma da Previdência, em tramitação no Congresso.

Já na concentração, que começou por volta das 14h, os participantes mostraram que, por mais que houvesse outras pautas em jogo, a Educação era o tema principal. A presença de partidos políticos de esquerda e organizações de trabalhadores se fazia notar pelas bandeiras e pelos balões, mas não ofuscou o protagonismo dos sindicatos de professores e organizações estudantis. Havia, ainda, um grande número de pessoas que não estava alinhada a nenhuma organização civil específica, com seus cartazes produzidos manualmente.

Mesmo sob chuva em momentos isolados, o protesto lotou a Avenida Paulista e reuniu cerca de 150 mil pessoas, segundo a organização. No fim da tarde, quando o grupo seguia rumo à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), os manifestantes ainda se movimentavam com dificuldades em alguns pontos da avenida. Entradas de acesso às estações de metrô foram fechadas devido ao intenso fluxo de pessoas. Por volta das 19h, as últimas pessoas deixavam a avenida Paulista para entrar na avenida Brigadeiro Luís Antônio, enquanto, no outro extremo do protesto, havia pessoas chegando na Alesp desde as 18h. A distância entre esses dois pontos é de aproximadamente dois quilômetros.

“É greve porque é grave”

Professora de Geografia da rede pública há 10 anos, Fernanda Correia Silva segurava um cartaz que dizia: “Ser professor e não lutar é uma contradição pedagógica. Nenhum direito a menos, é greve porque é grave”. A educadora também é pós-graduanda na Universidade de São Paulo (USP) e disse que foi para a rua pela Educação e pelo futuro dos alunos. “Hoje estou aqui pela minha profissão e pelos meus alunos. Chamamos todos os funcionários da escola e os pais para virem porque essa é a maneira que temos de resistir a tudo que está acontecendo na Educação do Brasil hoje”, contou.

Vestindo uma camiseta em que lia-se “Lute como uma professora”, a coordenadora pedagógica e professora de Educação Infantil Rita Batista diz acreditar que a Educação é uma das soluções para o Brasil. “No momento em que se ataca a Educação e promove cortes nos investimentos universitários você, consequentemente, vai atingir vários setores. A Educação vem encabeçando essa luta há muito tempo, então venho no dever social e político para combater esses horrores que têm acontecido nos últimos anos, é momento é soltar a voz em nome da equidade social”, ressaltou.

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A socióloga e professora universitária Márcia Moussallem contou que foi ao ato por defender não só a Educação, mas também outras bandeiras que, segundo ela, estão sendo prejudicadas pelo atual governo. “Eu defendo a saúde, os direitos humanos, a habitação e defendo os movimento sociais, a cidadania. A importância de estar aqui é, acima de tudo, a democracia, é a luta para mudarmos as coisas. Não existe mudança sem resistência”, enfatizou.

“Somos todos professores”

As escolas particulares também aderiram. Ao todo, 32 instituições privadas da capital não tiveram aula nesta quarta-feira e outras tiveram aula somente no período da manhã para poder participar do ato à tarde, segundo a diretora do Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP), Silvia Barbara. Ela explica que, a princípio, a entidade aderiu à manifestação por ser contra a reforma previdenciária. “Por conta dos ataques que o governo tem feito à Educação, seja por meio do estímulo ao discurso de ódio, incitando alunos a filmarem professores, ou pela suspensão de bolsas de pesquisa e cortes, acabamos ampliando a pauta”, disse a professora. “Estamos aqui em defesa da categoria, mas também como uma ação política junto aos professores da rede pública estadual e municipal, é um sinal de unidade, afinal somos todos professores”.

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Sergei Giannasi Alvarez é professor de Geografia há 25 anos em uma escola particular de São Paulo e dá aulas em cursinho comunitário. Hoje ele não foi para a sala de aula porque precisava ir para a rua se manifestar “contra uma série de abusos e absurdos que têm acontecido na Educação”. O educador lembra que a área já enfrentava problemas nos anos anteriores, mas, segundo ele, as coisas pioraram nos últimos meses.

“O cenário se agravou seja com os cortes, seja com o discurso que só desmerece as universidades públicas e o próprio ensino das áreas de Humanas. Por isso é muito importante a gente mostrar que quer uma Educação de qualidade, pois é prioridade. Investimento em Educação não pode ser cortado, tem que ser melhorado, tem que ter projeto para a Educação, uma coisa que não vimos até agora”, reforçou o professor.

“Hoje a aula é na rua”

O número de estudantes na manifestação também chamou atenção. Muitos deles carregavam cartazes com mensagens como “balbúrdia é o governo” ou “livros sim, armas não”, em alusão ao porte de armas defendido pelo presidente Jair Bolsonaro. “Viemos pelo nosso futuro e também pelos nossos professores”, disse Felipe de Lima, 19, aluno da Escola Estadual Ascendino Reis, localizada no Tatuapé.

A estudante Michelle Fernandes, 17, saiu de Itaquaquecetuba, região metropolitana de São Paulo, para ir ao manifesto por acreditar na educação pública. “Não podemos ver o que está acontecendo e nos calar. Eu vim aqui porque quero estudar em uma universidade federal, vim para defender o meu futuro”, disse a aluna da Escola Estadual Vila Arizona.

O que diz o MEC

Em nota, o Ministério da Educação afirmou que está "aberto ao diálogo com todas as instituições de Ensino para juntos buscarem o melhor caminho para o fortalecimento do ensino no pais". Veja a seguir a íntegra da nota:

"O MEC informa que está aberto ao diálogo com todas as instituições de Ensino para juntos buscarem o melhor caminho para o fortalecimento do ensino no pais. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, recebeu diversos reitores de Institutos Federais e Universidades desde que tomou posse no dia 9 de abril. A pasta se coloca à disposição para debater sobre soluções que garantam o bom andamento dos projetos e pesquisas em curso.

Quanto ao bloqueio preventivo realizado nos últimos dias atingiu 3,4% do orçamento total das universidades federais. Importante frisar que o MEC, mesmo diante de um quadro de contingenciamento imposto pelo Decreto nº 9.741, de 28 de março de 2019 e da Portaria nº 144, de 2 de maio de 2019, manteve os salários de todos os professores e profissionais de ensino, assim como seus benefícios já adquiridos."

Veja, abaixo, imagens da manifestação ocorrida em 15 de maio em São Paulo:

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