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“Parei porque não faço balbúrdia, eu semeio a esperança em cada aula!”

Professores contam o que os levou a aderir à paralisação e sair às ruas para protestar no dia 15

POR:
Paula Salas, Paula Peres
Manifestação em São Paulo. Foto enviada por: Paulo Magalhães

Desde a manhã desta quarta-feira (15/05), professores, estudantes, funcionários de universidades e instituições ligadas à Educação ocuparam as ruas do país para se manifestar  contra cortes de verba e bloqueios de bolsas de estudo promovidos pelo Ministério da Educação (MEC). Pautas como a reforma da previdência e retrocessos na Educação também ganharam força na paralisação.

Enquanto o ministro Abraham Weintraub presta esclarecimentos sobre os cortes na Câmara dos Deputados, as hashtags #TsunamiDaEducação, #TodospelaEducação e #NaRuaPelaEducacao figuram entre os trending topics do Brasil com fotos, vídeos e relatos dos manifestantes.

Pela hashtag #PorqueEuParei recebemos relatos de professores que aderiram à greve e contam o que os levou a sair às ruas neste dia de protesto:

“Nem sei o que dizer tamanha emoção, mas é incrível ver tantos professores, gente de todas as idades, estudantes, as Universidades, todos juntos em defesa da Educação. Raras vezes vi isso em Sorocaba. Não podemos aceitar os massacres da Educação! Educação tem que ser prioridade, só assim se constrói uma  sociedade mais justa e igualitária.” #TsunamiDaEducação #PorqueEuParei

Mara Mansani, professora da rede municipal de Sorocaba

"Eu aderi à paralisação, pois como professora não temos uma convenção assegurada, não temos um governo que apoie nossa categoria, nosso futuro é incerto e agora nos cercam mexendo com os nossos estudantes. Afinal, cortar verbas impacta diretamente em uma formação de qualidade, pesquisas sendo inferiorizadas. Eu sei o quanto a educação pode transformar a vida de alguém, pois foi isso o que aconteceu comigo, uma transformação pessoal, social, ideológica. Enquanto cidadã, mãe e formadora tenho o dever de lutar por aqueles que desejam se transformar, difundir os seus saberes. É preciso investir e incentivar nossos jovens, para que haja desejo de engajamento na sociedade e com todos os avanços a que a sociedade está submetida, os filhos do Brasil possam ser articuladores, polivalentes e eficazes em seus projetos e escolhas, e não pessoas medíocres e ínfimas por não terem tido se quer uma opção. #Ninguémsoltaamãodeninguém"
Amanda Fortunato Sousa, professora da rede particular

“Estou parando porque acredito em uma escola de qualidade que possa desenvolver seus projetos de forma integral, como tenho feito com minhas "Aulas Públicas". Cortar orçamentos, a partir das universidades até chegar no Ensino Básico, é simplesmente tirar da sociedade o seu livre pensamento, marginalizar nossos estudantes e toda estrutura educacional” #PorqueEuParei
Paulo Magalhães, professor de Geografia da rede municipal de São Paulo

"Por ser um professor comprometido com os interesses de uma educação de qualidade #PorqueEuParei" 
Ivanílson Santos

“15 de maio: um dia para se levantar contra o retrocesso! Eu parei porque não aceito ver mentiras sobre meu trabalho disseminadas como verdade! Eu contribuo com o ensino na construção do conhecimento, eu faço pesquisa, realizo extensão, preparo jovens para o mercado de trabalho, preparo futuro professores, engenheiros, enfermeiros para produção científica, contribuo para uma sociedade mais tolerante e menos preconceituosa, eu contribuo com a cultura de paz...e, por tudo isso, não aceito ser desrespeitada e nem aceito ver meu ambiente de trabalho ser precarizado nas condições básicas de atuação! Eu parei porque não faço balbúrdia, eu semeio a esperança em cada aula!”
Fabiana Júlia de Araújo Tenório, do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE)

"Por estar em constante luta em defesa da Educação pública, eu parei hoje. Parei para ir às ruas junto a professores e estudantes para dizer que não aceitamos a precarização de nossa profissão e não acreditamos em uma sociedade que não tem como prioridade o compromisso com Educação de qualidade em todos os níveis para seus cidadãos #PorqueEuParei"
Bianca Silva, professora de História

 "#PorqueEuParei Eu parei pois educação não pode parar”
Célia Senna

“Só em nosso Instituto Federal (IF) - Goiano, Ipameri/GO, tivemos um contingenciamento de verba de 40%. Isso é muito GRAVE e, por conseguinte, coloca em risco o funcionamento da nossa estrutura e compromete a existência de elementos básicos. Quem perde com o contingenciamento da #Educação? #TODOS nós: mães/pais, alunos, profissionais da educação. A nossa luta se fortalece essencialmente na tentativa de diálogo e se pauta pelo compromisso com a Educação Pública e de Qualidade. #PorqueEuParei #EducaçãoPública”
Greiton Toledo, do Instituto Federal Goiano (IFG)

Como educadora era impossível não está presente na rua hoje, lutando contra o descaso e desmando desse atual do governo. Educação pra mim significa liberdade. Essa sempre será minha bandeira. Essa sempre será minha luta"
Roberta Duarte, professora do Time de Autores de História da NOVA ESCOLA

"Democracia é o governo do povo para o povo. O governo foi eleito pelo povo, mas está fazendo política para atender aqueles de maior poder econômico. Essas políticas atacam a população brasileira nos direitos, na Educação e nas políticas públicas” 
Luciana Xavier

"#PorqueEuParei Porque nada, ABSOLUTAMENTE NADA, justifica cortes (ou contingenciamento, que seja) na educação, seja de 1%, 3%,10%, 30% ou 0,01%! #TsunamiDaEducação #15MGreveGeral #LevanteDosLivros"
Bruna Silva

"Saí da escola, passei em uma papelaria e comprei uma cartolina e dois canetões, fui para o ponto de ônibus, para depois pegar o trem e o metrô. Durante a minha jornada, entre espera e andanças nas respectivas conduções, confeccionei meu cartaz. Quando cheguei na Avenida Paulista, me vi inserido naquela atmosfera de igualdade, respeito onde a soberania reinava, independente de credo, etnia, gênero e opção sexual, um verdadeiro reflexo absoluto de um ambiente democrático, de uma parcela da população que não aguenta mais posicionamentos moralistas e uma politica neoliberal de sucateamento dos espaços públicos e dos direitos adquiridos através de muita luta. O campo progressista demonstra uma musculatura invejável para combater os retrocessos anunciados por esse desgoverno de forma cidadã e de acordo com a Constituição, transformam as ruas e avenidas do nosso país em espaços de construção de sonhos e empoderamento social. Foi quando levantei bem alto meu cartaz e me juntei à multidão, na qual todas as vozes e desejos se uniram. Dali saí de cabeça erguida e convencido de que com força e Fé, através desses atos podemos barrar as injustiças que as autoridades vem nos submetendo nos últimos meses".
Leonardo, 30 anos, 9 anos de Magistério, professor de Geografia desde 2013

"Parei hoje pelos meus alunos, meus filhos, pelo futuro do Brasil!"
Silvia Ines Schneider Menegazzi

"Como uma pessoa engajada e comprometida com a Educação, tem que estar engajado com as lutas sociais e políticas, com o bem social, lutando pela equidade do nosso povo. Eu me sinto na obrigação. É um dever ético e moral estar aqui lutando num momento tão complicado na nossa sociedade. De três anos para cá, a Educação tem sofrido fortes abates. Vem um discurso de precarização, de que a Educação é um problema, quando eu entendo que a Educação é uma das soluções do nosso país. No momento em que ataca a educação e promove cortes nos investimentos universitários você, consequentemente, vai atingir vários setores. A Educação vem encabeçando essa luta há muito tempo, então venho no dever social e político para combater esses horrores que a Educação tem sofrido nos ultimos anos. É um momento de não mais silenciar, mas soltar a voz em nome da equidade social" 
Rita Batista, coordenadora pedagógica no Fundamental 2 e Ensino Médio e professora de Educação Infantil. 

"Hoje eu parei principalmente para protestar contra a Reforma da Previdência e pelos cortes na Educação, o desmonte, gravação de professores. Como professores, estamos muito preocupados com essa reforma que nos pune mais ainda. A gente com 50 anos está sonhando em se aposentar e aumentar os anos trabalhados em salas super lotadas. Ninguém aguenta mais trabalhar e não receber".
Elaine Emi, 49 anos, professora de Educação Infantil há 30 anos. 

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