Ir ao conteúdo principal Ir ao menu Principal Ir ao menu de Guias

Protestos contra cortes na Educação acontecem em todo país

Manifestações vão reunir professores, estudantes e funcionários de universidades em 26 estados e no DF

POR:
André Bernardo, Paula Peres, Soraia Yoshida, Laís Semis
Crédito: Reprodução/Twitter

Professores, estudantes, funcionários de universidades e instituições ligadas à Educação se unem nesta quarta-feira (15/05) em manifestações contra cortes de verba e bloqueios de bolsas de estudo promovidos pelo Ministério da Educação (MEC). Com apoio ainda de sindicatos e organizações em protesto contra a reforma da Previdência discutida pelo governo Bolsonaro, eles foram às ruas em todo o país. A movimentação virou trending topics no Twitter com as hashtags #TsunamiDaEducação, #NaRuaPelaEducacao e #todospelaeducacao.

Educador, você também parou neste dia 15 de maio? Estamos compartilhando relatos de professores sobre os motivos que os levaram a aderir ao movimento. Para participar, use a hashtag  #PorqueEuParei  no Twitter e Facebook. 

Os protestos são contra os cortes e bloqueios em verbas da Educação, que vão afetar todas as etapas de ensino, da Educação Infantil à pós-graduação. O corte atinge ainda verbas para construção de escolas, ensino técnico, bolsas de pesquisa e transporte escolar. De acordo com o MEC, o bloqueio é de 24,84% das chamadas despesas discricionárias — aquelas consideradas não obrigatórias, que incluem gastos como contas de água, luz, compra de material básico, contratação de terceirizados e realização de pesquisas. A contenção seria resultado da queda na arrecadação

LEIA MAIS
- Bolsonaro chama manifestantes de "idiotas úteis"
- Atos contra cortes na Educação lota Paulista
- Weintraub na Câmara: "Eu já li Paulo Freire e não gostei"
- "Não faço balbúrdia, eu semeio a esperança em cada aula!"

Convocado para esclarecer os cortes na Câmara dos Deputados, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, chegou a dizer aos parlamentares que os cortes são culpa das gestões de Dilma Rousseff e Michel Temer. Na terça-feira (14/05), o ministro não descartou a possibilidade de ampliar os cortes. Nos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro chamou os manifestantes de "idiotas" e "massa de manobra", dizendo que se fossem questionados, não saberiam dizer qual é o resultado da multiplicação de 7 por 8. São uns idiotas úteis, uns imbecis que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo de muitas universidades federais no Brasil".

Em Brasília, o prédio do MEC ficou cercado por soldados da Força Nacional desde a manhã de ontem, como medida de segurança. Questionado sobre os protestos, a assessoria de comunicação do ministério informou que o "MEC está aberto ao diálogo" (leia a nota na íntegra ao final da reportagem)

As manifestações foram convocadas por várias entidades, como a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). Em São Paulo, os reitores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade estadual Paulista (Unesp) convocaram toda a comunidade a se unir ao debate sobre a Educação. Universidades particulares como a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e a Universidade Presbiteriana Mackenzie também aderiram à movimentação.

A UNE já convocou os estudantes para um segundo grande protesto no dia 30 de maio, segundo a Folha de S. Paulo.

Na USP, alunos e professores protestaram logo pela manhã fechando uma das entradas da Cidade Universitária. Com as aulas suspensas, um grande grupo marchou durante a tarde em direção à Avenida Paulista, ponto da maior aglomeração na cidade. Na Paulista, segundo os organizadores, mais de 100 mil pessoas se concentraram nas proximidades do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Carregando cartazes e balões, os estudantes exibiram frases como "Educação, direito de todos, dever do Estado", "Conhecimento destrói mitos" e "Um livro, uma caneta, uma criança e um professor podem mudar o mundo". Da Paulista, a passeata seguiu rumo ao Ibirapuera, na zona sul de São Paulo

No interior de São Paulo, manifestações aconteceram em Sorocaba, São Carlos, São José dos Campos, Taubaté, Ribeirão Preto, Jacareí, Piracicaba e Campinas. Estudantes da Unicamp e da Unifesp juntaram-se ao movimento na capital

Manifestação reúne professores e alunos em Sorocaba. Crédito: mandell_photos

No Rio de Janeiro, alunos e professores de instituições federais do Rio de Janeiro, como o Colégio Pedro II, o Instituto Tecnológico Celso Suckow da Fonseca (Cefet) e Colégio de Aplicação da UFRJ, entre outros, aderiram à paralisação contra o bloqueio de 30% das verbas para a Educação anunciado pelo governo federal. Em diversos pontos da cidade, como o Largo de São Francisco, a Praça XV e a Praça Saens Pena, docentes realizaram aulas públicas. No Largo do Machado, o tema abordado foi a importância da democracia e da educação na construção de um país.

Pelo menos dez colégios particulares, como o São Vicente, no Cosme Velho, a Escola Parque, na Gávea, e o Liceu Franco-Brasileiro, em Laranjeiras, comunicaram aos pais e responsáveis que suspenderiam suas atividades para que os professores pudessem aderir à mobilização.

No Santo Agostinho, no Leblon, o pai de um aluno reprovou a decisão dos professores do Ensino Fundamental II e Médio de aderirem à greve e avisou que vai coletar assinaturas para redigir uma carta de repúdio à instituição. Outras unidades, como Santo Inácio, em Botafogo, São Bento, no Centro, e Escola Americana, na Gávea, funcionaram normalmente. 

O maior ato aconteceu na Candelária, onde cerca de 150 mil manifestantes, segundo estimativas do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ, reuniram-se a partir das 15h. Alunos, pais e professores de escolas públicas e colégios particulares participaram da mobilização, gritando palavras de ordem, como “Não é mole não, tem dinheiro pra milícia, mas não tem pra educação” e “Ô, Bolsonaro, vou te falar: a juventude também quer se aposentar”, e carregando faixas e cartazes. Estudantes e docentes de universidades públicas, como UFRJ, UFF e UERJ, aderiram ao movimento. Por volta das 17h, os manifestantes saíram da Candelária em direção à Central do Brasil. Ao longo do trajeto, a multidão ocupou todas as faixas da Presidente Vargas, uma das mais importantes do Centro do Rio

No Ceará, os protestos começaram cedo em Fortaleza, com alunos da Universidade Federal do Ceará (UFC) que promoveram uma caminhada até o centro, onde se juntaram com outros manifestante. No interior do estado, atos aconteceram em Sobral, Juazeiro do Norte, Cedro, Iguatu, Quixadá e Tauá.

Em Minas Gerais, os protestos aconteceram principalmente diante da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), reunindo estudantes, professores e até integrantes de comunidades indígenas. Há registros de manifestações também em Montes Claros, Divinópolis e Uberaba.

No Paraná, a maior movimentação aconteceu diante do prédio da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que contou inclusive com a participação de freis franciscanos. Os manifestantes promoveram uma caminhada pelas ruas da região central, bloqueando o tráfego. Professores e alunos de universidades privadas também fizeram parte do ato.

Na Bahia, as aulas foram suspensas em escolas públicas e privadas, como parte do dia de protestos. Professores e estudantes se reuniram em passeata até a praça Castro Alves. Segundo os organizadores, cerca de 25 mil pessoas participaram do ato, que contou com grupos afro.

No Rio Grande do Sul, o principal protesto foi nas proximidades da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Por volta do meio-dia, policiais militares lançaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, alegando que o grupo estava bloqueando o trânsito.

Na Paraíba, o maior protesto foi em João Pessoa, onde alunos e professores se concentraram diante do colégio Lyceu Paraibano e depois saíram em caminhada pelo centro. Houve manifestações também em Campina Grande, onde estudantes se concentraram diante da Universidade Federal de Campina Grande, e também nos municípios de Areia, Monteiro e Sousa.

No Pará, as manifestações aconteceram agora pela manhã em Belém, Santarém, Marabá, Bragança e Castanhal.

No Tocantins, as aulas foram suspensas em universidades e escolas públicas. 

No Piauí, estudantes e professores protestaramm diante a Universidade Federal do Piauí (UFPI).

Houve protestos ainda no Maranhão, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e no Distrito Federal.

MEC aberto ao diálogo

Em nota, o Ministério da Educação afirmou que está "aberto ao diálogo com todas as instituições de Ensino para juntos buscarem o melhor caminho para o fortalecimento do ensino no pais". Veja a seguir a íntegra da nota:

"O MEC informa que está aberto ao diálogo com todas as instituições de Ensino para juntos buscarem o melhor caminho para o fortalecimento do ensino no pais. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, recebeu diversos reitores de Institutos Federais e Universidades desde que tomou posse no dia 9 de abril. A pasta se coloca à disposição para debater sobre soluções que garantam o bom andamento dos projetos e pesquisas em curso.

Quanto ao bloqueio preventivo realizado nos últimos dias atingiu 3,4% do orçamento total das universidades federais. Importante frisar que o MEC, mesmo diante de um quadro de contingenciamento imposto pelo Decreto nº 9.741, de 28 de março de 2019 e da Portaria nº 144, de 2 de maio de 2019, manteve os salários de todos os professores e profissionais de ensino, assim como seus benefícios já adquiridos."

Tags

Guias