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Matéria de capa | Cultura de paz


Por: Pedro Annunciato

6 estratégias para promover a paz nas escolas

Mudanças na rotina escolar, desde o planejamento das aulas até os protocolos de ação, podem fazer a diferença

Crédito: Getty Images

Com base em recomendações da Unesco e em um estudo das pesquisadoras Telma Vinha e María José Díaz-Aguado, resumimos 6 estratégias para inspirar a construção de um ambiente pacífico:

Alunos focados
Privilegiar metodologias ativas na sala de aula, que incluam discussão, experimentação, cooperação entre pares e recursos mais atrativos, entre outras estratégias, é fundamental para manter os alunos engajados. Parte dos comportamentos inadequados é uma reação que vem da impaciência do estudante ante uma aula expositiva excessivamente longa. Especialistas lembram que, atualmente, a exposição permanente aos dispositivos eletrônicos “habitua” as crianças e os jovens à desatenção, criando dificuldades em momentos que exigem mais foco.

Espaços de diálogo democrático
Quando os alunos participam da construção das regras, eles se tornam mais obedientes. Primeiro, porque as normas se tornam mais adequadas ao contexto. Segundo, porque isso muda a percepção sobre a regra: desobedecê-la não é mais só rebeldia, mas uma deslealdade com o grupo. Por isso, é essencial garantir espaço na agenda para assembleias, onde se discutem problemas coletivos, rodas de conversa, para conflitos mais localizados, e atendimento individual. Há várias maneiras de se organizar esses encontros, ora mais livres, ora com pautas mais específicas. O fundamental é que se observem dois cuidados essenciais: distinguir questões a serem tratadas coletivamente (como, por exemplo, o uso da quadra no recreio) de conflitos individuais, que devem ser tratados reservadamente; e manter o foco na escuta e na solução, a fim de que a situação não vire uma mera “lavação de roupa suja”.

Estudo do problema
Quando possível, algumas escolas adotam aulas semanais para que os estudantes tomem os conflitos como um objeto de estudo. Eles investigam as razões que levam aos desentendimentos, aprendem procedimentos sistemáticos para regular emoções e resolver conflitos. Antes disso, porém, a própria equipe docente precisa de formação sobre problemas de convivência, formas de prevenção e intervenção, quando eles ocorrem.

Conflito é aprendizagem
A ocorrência de um problema pode se transformar em uma solução futura. O professor pode, tanto de forma preventiva quanto depois que um conflito ocorre, seguir alguns passos: examinar com a turma as causas do conflito e o que é preciso saber para resolvê-lo, levantar as soluções possíveis e avaliar as consequências negativas e positivas de cada uma delas, planejar a execução, colocá-la em prática e analisar os resultados obtidos. Em casos mais graves, convém que a escola disponha de um grupo ou pelo menos de uma pessoa capacitada para ajudar as partes a resolver o problema. De maneira geral, o mediador deve conversar individualmente com os envolvidos e preparar o terreno para um encontro em que eles possam buscar saídas para restaurar a relação. A mediação pode ser trabalhosa e levar várias reuniões, até que se chegue a um acordo.

Comunicação não violenta
Desenvolvida pelo psicólogo americano Marshall B. Rosenberg, a comunicação não violenta é um conjunto de estratégias que ajudam a expressar de modo sincero e adequado os sentimentos e necessidades, além de ouvir sem julgamentos as necessidades do outro. O método está explicitado na famosa obra Comunicação Não Violenta: Técnicas Para Aprimorar Relacionamentos Pessoais e Profissionais (Ed. Ágora, 288 páginas, 38,61 reais).

Bom uso das medidas corretivas
Nem sempre a reação natural da repreensão funciona - pelo contrário. Há casos em que o objetivo do estudante é justamente provocar o professor. E aí não adianta aumentar o tom de voz ou expulsar o aluno da sala. “Às vezes funciona responder com uma conduta que os surpreenda, que contrarie o que
se espera e se busca com a disrupção”, escrevem Telma e María José. Às vezes, é necessário recorrer a medidas punitivas. No entanto, elas precisam estar em sintonia com o objetivo de resolver os conflitos e educar o aluno que transgrediu as regras de convívio. O ideal é que a correção tenha ligação com o ato praticado, em forma de reparação pelo que aconteceu. Por exemplo: se um estudante vandaliza uma carteira, o adulto deve mostrar a ele como aquele ato prejudica a coletividade e fazer com que o próprio aluno conserte o que quebrou ou repare, de alguma forma, o prejuízo. É o que alguns autores chamam de justiça restaurativa. Para casos excepcionais que entram na esfera criminal, como roubos ou violência física, os meios legais podem ser acionados.