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Blog de Alfabetização

Troque experiências e boas práticas sobre o processo de aquisição da língua escrita.

Por que o professor é fundamental para despertar nos alunos o gosto pela leitura

Precisamos ir além da alfabetização e criar oportunidades para que nossas crianças conheçam tudo o que a leitura pode proporcionar

POR:
Mara Mansani
Crédito: Pixabay

“Não basta alfabetizar, é preciso ensinar a ler.”

Essas sábias palavras são do Imortal da Academia Brasileira de Letras, bibliófilo, grande incentivador da leitura em nosso país, apaixonado e dedicado à preservação de livros: José Mindlin.

Concordo com ele. Precisamos ir além da alfabetização e criar oportunidades para que nossas crianças possam conhecer tudo o que a leitura de livros pode proporcionar a elas. Criança alfabetizada, que toma gosto pela leitura, descobre um mundo de conhecimentos e tem sua aprendizagem potencializada.

Nos últimos anos, percebi que as escolas onde trabalhei e trabalho estão recebendo mais livros de literatura, ampliando assim seu acervo e o acesso das crianças à leitura. Muitos professores com quem converso Brasil agora me dizem que também estão recebendo mais livros em suas escolas, Muitos deles foram enviados pelo MEC em anos passados, devido a políticas públicas e programas de incentivo à leitura, como o Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE).

Mas ainda temos muito o que caminhar em relação à formação de leitores em nosso país. Apenas 44,8% das nossas escolas públicas contam com biblioteca ou sala de leitura.

A 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, de 2016, realizada pelo Instituto Pró-Livro, nos mostra avanços na formação dos leitores em nosso país. Há um crescimento entre 2011 e 2015 dos livros lidos por ano, de 4 para 4,96 em média, dos livros lidos inteiros (de 2,1 para 2,43) e dos livros lidos em partes (de 2 para 2,53). Mas ainda temos muito trabalho pela frente nesse sentido. Uma média de leitura de 2,43 livros inteiros é muito, muito pouco.

Para a pesquisa, leitor é aquele que leu pelo menos um livro nos últimos três meses, inteiro ou em partes. E não leitor é aquele que declarou não ter lido nenhum livro nos últimos três meses, mesmo que tenha lido no último ano.

Ela diz ainda que “83% dos não leitores não receberam a influência de ninguém, enquanto 55% dos leitores tiveram experiências com a leitura na infância pela mediação de outras pessoas - especialmente mãe e professor”.

Nas faixas etárias de 5 a 10 anos, que corresponde à de nossos alunos, quando perguntados sobre qual foi a pessoa que mais influenciou ou incentivou sua leitura, os entrevistados citam, em primeiro lugar, suas mães. Ou seja, a influência da família, em especial da mãe, é mais percebida do que a influência do professor. Isso nos leva a uma boa reflexão: estamos cumprindo bem o nosso papel na formação de nossos alunos como leitores?

As escolas e nós, professores, temos esse papel fundamental. Se não há bibliotecas ou salas de leitura para todos, as salas de aula e os demais ambientes da escola podem ser campos férteis para que a leitura seja estimulada e aconteça, para que as crianças vivenciem práticas de leitura de livros, para que conheçam obras e escritores, tenham prazer e criem o hábito de ler.

Em minhas conversas com professores de todo o Brasil, tenho conhecido práticas efetivas envolvendo a leitura. Por outro lado, muitas escolas ainda estão começando a incorporar a leitura diária em sua programação. Precisamos ampliar e aprimorar nossas ações na mediação e na promoção da leitura.

Diariamente inicio minhas aulas com a leitura de livros de literatura infantil, mesclando com outras leituras em alguns dias. Toda semana, temos rodas de leitura e leitores em sala de aula. Semanalmente, as crianças levam livros para ler em casa. Sempre há espaço para a leitura por prazer. No planejamento, o projeto de leitura é uma ação permanente. Os alunos fazem indicações literárias, conhecem a história de vários escritores e suas obras, entre outras coisas.

Todas essas práticas foram incorporadas ao meu trabalho com base em formações que pude participar ao longo da minha carreira e também da proposta pedagógica das escolas em que lecionei, da vontade e da união entre professores das escolas em projetos coletivos.

Você também pode fazer a diferença na sua escola, transformando seus alunos em leitores. Para isso, reúna-se com seus colegas de trabalho e a comunidade escolar e planejem ações nesse sentido. Vocês podem:

- Fazer uma programação de leitura semanal de livros;
- Trazer um convidado da comunidade para ler para as crianças;
- Realizar rodas de leitura temáticas e especiais sobre os escritores e suas obras;
- Apresentar narrativas literárias em diferentes formatos, livros, em vídeos, em áudio, etc;
- Propor às crianças a construção de caixas de leitura, que explorem e destaquem cenários, personagens, etc;
- Construir com os alunos um painel coletivo, com indicações literárias de todos da escola;
- Fazer, pelo menos uma vez ao ano, uma feira de trocas de livros entre os alunos e professores;
- Propor uma gincana literária, com os alunos divididos por ano;
- Uma turma de alunos presentear outra turma com uma indicação literária;
- Propor rodas de conversa sobre experiências de leitura;
- Convidar os pais para participar de saraus literários;
- Fazer oficinas de produção de livros com as crianças;
- Fazer uma parada especial, de toda a escola, para a hora da leitura.

São ações que dependem mais de planejamento, estudo e vontade de fazer do que de grandes investimentos. Nós podemos transformar nossas escolas em territórios de muita leitura. Espero que vocês tenham se empolgado com a proposta de incentivar os alunos a ler tanto quanto eu. Vamos mudar essas estatísticas de leitura nacionais a partir da nossa sala de aula. Nós podemos!

Compartilhem, aqui nos comentários, as práticas de incentivo e formação de leitores em sua escola e ou município. Vamos aprender com o outro e ampliar nossas práticas.

Um grande abraço e até semana que vem,

Mara Mansani

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