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“A Educação de São Paulo precisa voltar a crescer”

Para o secretário de Educação Rossieli Soares da Silva, a prioridade da rede estadual paulista é focar na aprendizagem e na gestão

POR:
Lívia Perozim

Em 2019, NOVA ESCOLA vai publicar entrevistas com os secretários de Educação dos 26 estados e do Distrito Federal para ouvir os planos, perspectivas e as opiniões de quem lidera a pasta pelo país.

Rossieli Soares: "Esperamos encontrar o melhor modelo para São Paulo em conjunto com os nossos professores e alunos"  Crédito: André Nery/Divulgação

O secretário do estado de São Paulo, Rossieli Soares da Silva, tem o desafio de recolocar a Educação paulista, a maior rede do país, no topo dos índices educacionais. Sua prioridade, como conta à NOVA ESCOLA, é deixar a aprendizagem do aluno como uma meta clara para todos os atores educacionais e melhorar a gestão, em três pilares: coordenação pedagógica, valorização dos profissionais e infraestrutura.

A rede estadual de São Paulo dispõe de 5,4 mil escolas, que atendem 3,7 milhões de alunos. Mais de 245 mil servidores constam dos quadros do Magistério, apoio escolar e dentro da secretaria. São mais de 139,9 mil professores ativos e 4,8 mil diretores de escolas distribuídos em 91 Diretorias Regionais de Ensino, que se agrupam em 15 Polos Regionais.

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Rossieli Soares, que já ocupou a cadeira de ministro da Educação e de secretário de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), durante o governo de Michel Temer (MDB), tem como braço direito, na secretaria executiva, o economista Haroldo Rocha, ex-secretário do Espirito Santo. “Aqui um secretário não basta”, diz ele. Na entrevista a seguir, o secretário de Educação de São paulo explica como pretende chegar a um modelo em que a aprendizagem esteja no centro da gestão.

O senhor chegou aqui em um momento conturbado, com risco de não poder contratar professores temporários e atraso de entrega dos kits de materiais escolares no início do ano letivo. Quais são os desafios da rede paulista?
ROSSIELI SOARES: O maior desafio é a aprendizagem. Estamos mirando em como podemos apoiar a escola, o professor, o aluno, para melhorar a aprendizagem. Conseguimos reverter a decisão judicial de que não poderíamos contratar temporários, um profissional fundamental. É um problema de curto prazo importante para o objetivo maior em longo prazo, que é ter uma aprendizagem melhor.  O maior desafio de São Paulo é garantir a aprendizagem para os alunos que mais precisam. Não dá para ter diferença por conta da situação socioeconômica de um aluno. Então, melhorar a gestão, os custos e toda nossa forma de organização é um objetivo para melhorar a aprendizagem.

São Paulo perdeu a liderança nos índices educacionais, especialmente no Ensino Médio. Diante desses números, quais são as suas prioridades?
São Paulo precisa se posicionar, olhar sempre para a aprendizagem. O estado é uma referência na economia, quando a economia do Brasil cresce é porque São Paulo cresceu. E temos um histórico de coisas muito boas, como o programa Ler e Escrever. Precisamos recuperar o espaço com esse foco na aprendizagem. Entendemos que vários estados fizeram bons esforços, como foi o caso do Espírito Santo, por exemplo, com o secretário Haroldo Rocha. Com todo um time remando na mesma direção, o estado conseguiu manter a melhor proficiência do Brasil no Ensino Médio. O professor Haroldo vem compor a equipe da secretaria do estado de São Paulo porque aqui um secretário não basta, é preciso ter um time remando para o mesmo lugar. A nossa visão é de que São Paulo precisa voltar a crescer, de forma constante e duradoura, garantindo a aprendizagem das crianças. São Paulo ocupará, certamente, posições melhores. Esperamos que em um futuro breve.

Com quais estratégias a secretaria pretende alavancar a aprendizagem no estado?
Primeiro, colocar isso como uma meta clara para cada escola, para cada diretoria de ensino, para cada funcionário e colaborador. Depois, temos alguns pilares fundamentais. Um deles é o da gestão pedagógica, para que a gente consiga desenvolver o currículo de São Paulo do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Outro pilar é o das pessoas. Precisamos trabalhar na valorização dos professores, não só no aspecto salarial, que é importante, mas também no suporte e na formação, valorizando a formação de pares. O bom professor, o bom alfabetizar pode colaborar com os seus colegas. Formação basilar, inclusive, com encontros mais presenciais, aproveitando a tecnologia, mas também os contatos, criando uma rede cada vez mais próxima. Lógico que nós não podemos deixar de falar da infraestrutura, a escola precisa ser olhada, os espaços são importantes. E melhorar a nossa política de gestão como um todo para que seja possível nos concentrarmos naquilo que essencial, o que faz a diferença especialmente na vida dos nossos alunos.

Considerando que o avanço da aprendizagem passa pela valorização do professor, existe algum plano específico para essa área?
Isso nunca é uma tarefa simples nem única da secretaria, mas estamos dialogando. Existe uma vontade muito grande do governador [João Dória) em fazer e da secretaria em conseguir dar condições melhores. Esse é o nosso desafio para esses primeiros meses.

E em relação à melhoria de salário dos professores?
Estamos discutindo, seria irresponsável falar em salário sem você ter todas as condições colocadas na mesa. Nós estamos, agora, discutindo ainda qual será a economia do país, não temos a certeza de qual será a rota. Mas, com a certeza, precisamos encontrar soluções para buscar essa valorização dos professores.

O senhor já declarou que vai alterar a política de bônus, em vigor desde 2008. O que pretende mudar?
A meritocracia, para funcionar, precisa de um processo de avaliação e não pode ser um fim em si mesmo, ou seja, o bônus não pode substituir  políticas importantes no processo de valorização. Para que um bônus funcione, é preciso ter claramente quais são as métricas, quais são as metas, o que eu preciso fazer para receber isso. Acho que hoje existe uma falta de claridade para os professores. Faremos essas discussão durante o ano de 2019.

Você pretende abrir mão dessa política?
Vamos rediscutir, repensar, mas certamente o mérito também faz parte do processo. Não como um ponto central, mas como complemento de uma série de políticas que serão discutidas e construídas com os professores.

Sua gestão no MEC foi marcada pela defesa da reforma do Ensino Médio. Quais são as suas propostas para São Paulo?
Durante o ano de 2019, vamos construir, com diretores e professores, o novo currículo. É o momento apropriado para uma discussão mais ampla possível com toda rede. Esperamos encontrar o melhor modelo para São Paulo em conjunto com os nossos professores e alunos.

Seria um modelo mais flexível?
A flexibilidade vem estabelecida na lei e ela é necessária. As boas experiências que nós temos visto mostram os professores trabalhando um conjunto de competências e habilidades estabelecidas na Base que o currículo vai apontar com mais detalhe. Iremos usar o professor de sociologia, química, arte, física, enfim, todos eles para essa a construção da flexibilidade. Bons casos existem e já estão aconteceram desde 2017.

Como a secretaria pretende colaborar com a Educação Infantil?
O plano do governador João Dória fala sobre ampliação da rede física e apoio aos municípios. Estamos fazendo os estudos para entender quais são os municípios mais importantes para esse processo, aqueles que têm as maiores fragilidades sociais. A meta é chegar a 1.200 creches ao longo dos próximos anos. Já temos uma série em andamento e vamos buscar não só ficar na questão da construção, mas também na substituição do que fazer, observando a BNCC como um todo e apoiando os municípios que não tenham  a melhor infraestrutura. Às vezes, até mesmo pelo tamanho, muitos não conseguem ter equipe técnica. Vamos ter uma área que vai apoiar especificamente os municípios na área de educação contínua.

Essa é a 7ª gestão do PSDB no governo estado de São Paulo. Que política o senhor pensa em reavaliar?
Nós estamos passando por um momento de transformação na educação brasileira. A partir do novo currículo, todas as demais políticas precisarão ser revistas. Não é porque elas são ruins ou boas, é porque, se eu estou mudando o currículo, estou mudando o referencial disso. Vamos olhar quais são as evidências sobre cada uma das políticas e, a partir disso, fazer com muita tranquilidade aquilo que funciona melhor.

Que marca você pretende deixar na sua gestão?
O foco na aprendizagem. Qualquer marca que a gente queira colocar, a única que no final das contas realmente importa é que o aluno saia da escola ao final do Ensino Médio aprendendo mais.

O senhor está otimista?
São Paulo é um estado onde tudo é gigante. Tudo é muita gente, não há nada comparável no Brasil com uma rede única que tem três milhões e meio de alunos, são 250 mil funcionários. Somos uma das maiores empresas do mundo, se você for olhar o número de funcionários. Então, isso dá aquele friozinho na barriga, mas tem uma grande importância devido ao impacto na vida de milhões de jovens. Isso é o que nos anima.

 

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