MEC: assessor especial de Vélez e chefe de gabinete são exonerados

Entre exonerações e pedidos de demissão, Ministério da Educação teve 18 baixas em cerca de um mês. O ministro Ricardo Vélez Rodríguez também causou polêmica ao sugerir revisão de livros didáticos por causa da ditadura militar

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Camila Cecílio

Atualizado em 04/04/2019 às 16:05

Crédito: MEC

A exemplo do que aconteceu em março, o Ministério da Educação entrou abril com mais duas mudanças em seu alto escalão. O assessor especial Bruno Meirelles Garschagen, considerado braço direito do ministro Ricardo Vélez Rodríguez, foi demitido, assim como a chefe de gabinete Josie Priscila Pereira de Jesus. Ela foi substituída pelo ex-subcomandante geral da Polícia Militar do Distrito Federal, Marcos de Araújo, conforme o Diário Oficial da União desta quinta-feira (04/04). Entre pedidos de demissão e exonerações, já são 18 baixas no MEC em cerca de um mês.

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Bruno Garschagen, que é autor dos livros “Direitos Máximos, Deveres Mínimos” e "Pare de Acreditar no Governo", participou da decisão de enviar às escolas de todo o país uma carta com o slogan de campanha de Jair Bolsonaro, pedindo que os estudantes fossem filmados cantando o Hino Nacional, segundo o Blog de Renata Cafardo. O Diário Oficial não trouxe o nome do substituto e nem o MEC comunicou a nomeação para o cargo.

Horas após a publicação, Bruno postou em seu perfil no Twitter: "Após quase três meses de intenso trabalho, deixo o MEC, em decisão acordada com o ministro @ricardovelez, para cuidar dos meus projetos pessoais, incluindo o doutorado e os lançamentos do meu livro novo, 'Direitos Máximos, Deveres Mínimos'".

Josie de Jesus ocupou a chefia de gabinete por menos de um mês. Ela é ex-funcionária do Centro Paula Souza, autarquia ligada ao governo de São Paulo, de onde havia vindo o chamado “grupo técnico” do MEC. O ex-secretário executivo do ministério, Luiz Antonio Tozi, vinha do Paula Souza. Ele foi exonerado após críticas de Olavo de Carvalho e seus ex-alunos. A ex-secretária de Educação Básica, Tania Leme de Almeida, que pediu demissão, também pertencia ao grupo.

O substituto de Josie de Jesus é Marcos de Araújo, que além de ter sido subcomandante da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), é professor da Academia do Corpo de Bombeiros de Brasília e fundador de uma empresa de assessoria jurídica e desenvolvimento humano. É advogado, mestre em Ciência Política e especialista em gestão estratégica em segurança pública e doutor em Ciência Jurídica e Social. 

Uma terceira funcionária também foi exonerada nesta quinta – mas fora do alto escalão do MEC. Também deixa sua cadeira no MEC Juliana Alves Isaac, coordenadora-geral da coordenação-geral de avaliação de programas da Educação à distância da diretoria de acompanhamento de políticas da Educação Básica da Secretaria de Educação Básica.

Golpe de 64 e livros didáticos

Nesta quarta-feira (03/04), o ministro Ricardo Vélez Rodríguez afirmou em entrevista ao Valor que os livros de História deveriam se referir à instituição do governo militar em 31 de março de 1964 não como golpe, mas “uma decisão soberana da sociedade brasileira”. Ele disse ainda que o regime militar não foi uma ditadura, mas “um regime democrático de força, porque era necessário naquele momento”. Afirmou, ainda, que a forma como o episódio é retratado nos livros didáticos deverá ser revisada para que “as crianças possam ter a ideia verídica, real, do que foi sua história”.

As declarações geraram reações negativas nas redes sociais. Ontem à noite, Vélez voltou atrás e se justificou em seu perfil no Twitter. “O que disse ao Valor foi que mudanças poderiam ser realizadas progressivamente, trazendo uma versão mais ampla da História, e só após passar por uma banca de cientistas da área. Doutrinação como foi feito pela esquerda, jamais!”

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