Gripe A: prevenir é preciso

O influenza A já não é tão letal, mas não dá para descuidar. Confira nesta reportagem dez respostas sobre a doença e as melhores formas de preparar a escola para enfrentá-la

POR:
Elida Oliveira

É verdade que a gripe A já não assusta tanto quanto no ano passado. Durante o início de 2010, época de frio no Hemisfério Norte, as mortes causadas pelo vírus inf luenza A H1N1, um subtipo do micro-organismo causador da gripe comum, diminuíram sensivelmente (veja nos mapas a comparação do momento mais crítico de 2009 com o panorama mais recente). Só para dar uma ideia, no Canadá, que já passou por dois invernos com a pandemia (nome dado às epidemias de grande alcance geográfico), foram apenas dois óbitos neste ano, contra 1.829 em 2009. Mas a situação ainda não é totalmente tranquila: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é cedo para afirmar que todos os países já vivenciaram o pico da transmissão. A trajetória do vírus pela América do Norte e Europa indica que ele vai chegar mais ameno ao Brasil e não será necessário fechar escolas e ampliar o período de férias, como ocorreu no ano passado. "Mas a história da gripe é de surpresas. Por isso, a importância da prevenção", afirma Celso Granato, chefe do laboratório de epidemiologia clínica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Para esclarecer as dúvidas mais comuns sobre o assunto, NOVA ESCOLA preparou um guia com dez perguntas e respostas e formas de preparar a escola para enfrentá-la. Informe alunos e colegas, pois as recomendações também são úteis para ajudar a combater a gripe comum.

Ilustração: Mariana Coan
O PERIGO FICOU MENOR Alcance da pandemia e número de mortos tendem a diminuir em relação ao ano passado.

Em 2009
Mundo 12.200 mortes
Brasil 2.051 mortes

Ilustrações: Mariana Coan
Ilustração: Mariana Coan
Em 2010*
Mundo 5.500 mortes
Brasil 50 mortes

* Até o mês de abril. Números consideram apenas os casos confirmados por testes de laboratório.

Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS) e Ministério da Saúde.

1. O surto de gripe A será menor neste ano?
Tudo indica que sim. O vírus vai continuar agindo da mesma forma, mas as pessoas estarão mais bem protegidas por causa da vacinação e porque muitas já tiveram a doença no ano passado e desenvolveram anticorpos contra ela.

2. Por que os casos de gripe aumentam no frio?
Porque as pessoas tendem a se aglomerar em locais fechados, onde o ar circula menos e os vírus ficam mais concentrados. "Uma pessoa com gripe pode passar a infecção num raio de 1 metro por meio das gotículas expelidas em espirros e tosses e durante a fala", afirma Granato.

3. Dá para saber se um aluno está com gripe A ou comum?
Não, pois os sintomas são iguais: febre, coriza, dor de cabeça, olhos avermelhados e mal-estar. "Nos quadros iniciais, é difícil até distinguir do resfriado, que é mais brando", diz Granato. Na dúvida, deve se considerar o problema como se fosse gripe, tratando-o com antivirais e procurando evitar o contato com outras pessoas.

4. Como funciona a vacina? Ela tem efeito colateral?
A vacina é o vírus inativo, que serve para provocar o sistema imunológico a produzir anticorpos. Segundo o Ministério da Saúde, sua eficácia média é superior a 95%. A única contraindicação é para alérgicos a ovo. Em termos de efeitos indesejáveis, ela pode eventualmente trazer dor local, febre baixa ou enjoo. Mas 90% das pessoas não sentem nada.

5. Por que o governo decidiu vacinar só algumas pessoas?
O critério foi selecionar a população de maior risco: doentes crônicos (que foram 75% das vítimas em 2009), gestantes, crianças de 6 meses a 2 anos, jovens de 20 a 39 anos e idosos de 60 anos ou mais.

6. Faz mal tomar a vacina da gripe A e da comum juntas?
Não. Profissionais da saúde e idosos com mais de 60 anos serão imunizados contra os dois subtipos de vírus influenza.

7. Como orientar os alunos a se prevenir?
O essencial é apostar nas mesmas noções básicas de higiene que devem prevalecer em outros ambientes. Vale orientar a garotada a cobrir a boca e o nariz ao tossir e espirrar com um lenço descartável, para evitar o contato das secreções com as mãos, e a lavar as mãos constantemente - sobretudo ao espirrar e tossir, antes de almoçar e depois de ir ao banheiro.

8. Em que situações é necessário usar máscara?
Pessoas sadias não devem usar - a não ser que estejam cuidando de alguém com gripe. Se um professor ou aluno estiverem com suspeita de doença, aí sim deve-se usar. "Há uma barreira cultural a esse comportamento no Brasil, mas é uma questão de respeito. Às vezes, quem está com gripe não se sente enfraquecido e pode circular ou ir à escola desde que tome cuidados de higiene", diz Granato.

9. É preciso adaptar algum ambiente ou equipamento?
Sempre que possível, é recomendável evitar aglomerações em locais fechados. Também é uma boa providência manter abertas a porta da classe e alguma janela, criando uma corrente de ar. Vale prestar atenção nos bebedouros. "Pode haver a transmissão se as crianças encostarem a boca no aparelho. Uma opção é colocar copos descartáveis ou incentivar as garrafinhas individuais", sugere David Uip, diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.

10. O álcool em gel é essencial à prevenção?
Não. Sua ação contra o vírus é semelhante à da água e do sabão. Ele pode ser útil nos momentos em que não há uma pia para lavar as mãos, como na saída das quadras esportivas e nas mesas de trabalho do ateliê de artes, por exemplo.

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