O que ensinar em Geografia do 6º ao 9º ano

A missão da disciplina é preparar a garotada para se localizar no mundo, compreender o local onde vive e as relações entre natureza e sociedade

POR:
Maria Rehder
Fotos: Marcos Rosa <i>(1ª imagem)</i>, Victor Malta <i>(2ª imagem)</i> e Paulo Vitale
Fotos: Marcos Rosa (1ª imagem), Victor Malta (2ª imagem) e Paulo Vitale

Estimular no aluno a capacidade de desenvolver o raciocínio espacial é um dos grandes desafios da Geografia. O planejamento deve contemplar o trabalho com conteúdos que permitam ao estudante compreender a posição que ocupa no espaço e as interações da sociedade em que vive com a natureza. O currículo deve priorizar as questões locais, sempre relacionando-as com as globais.

Sueli Furlan, docente da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) e selecionadora do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10, alerta para currículos muito prescritivos. "Uma boa proposta na área pode trabalhar bem os grandes eixos, indicar conteúdos e exemplificar com situações didáticas." Roberto Giansanti, consultor e autor de livros didáticos, diz que é preciso levar o aluno a aprimorar o domínio da linguagem geográfica para que ele saiba se localizar no mundo. A ênfase do trabalho deve estar nas atividades que preveem a aplicação do conhecimento e de referenciais geográficos. "O educador deve saber empregar os conceitos de paisagem, território, região, lugar, espaço e escala de modo que os alunos possam exercitar a leitura do mundo." (Leia uma proposta de plano plurianual para a área.)

Ler imagens e sair a campo para compreender o espaço

O estímulo de tal leitura de mundo não se restringe aos mapas. Giansanti explica que fotos, pinturas, filmes, poemas, romances, textos jornalísticos, cartas e até pichações levam ao conhecimento de um local e dos fenômenos que ali ocorrem. "Essas diferentes formas de representação da dinâmica espacial devem ser trabalhadas para enriquecer a compreensão de como o mundo se apresenta", afirma. Esse é o caminho escolhido por Daniel Montenegro, que leciona na Fundação Casa, em Rio Claro, a 184 quilômetros de São Paulo. O professor, que tem como aliados os recursos multimídia, trabalha com filmes, documentários e fotografias. "Aprender a interpretar vários tipos de imagem amplia a capacidade de reconhecimento espacial dos jovens", relata.



Outra atividade essencial para o estudo da disciplina é o trabalho de campo, uma estratégia empregada por Luzia Feitosa, que leciona na EMEF Professor Felício Pagliuso, na capital paulista. Ela desenvolveu um projeto com a turma para o reconhecimento do lugar onde vivem. "Os alunos saíram a campo e, ao retornar, debateram os problemas verificados e projetaram o bairro ideal, construindo maquetes", conta ela, que destaca a importância de conhecer proporção e escala, temas desenvolvidos nas aulas de Matemática, para dar conta da tarefa (conheça as expectativas de aprendizagem). O valor de projetos como o de Luzia não se restringe à compreensão do que ocorre no entorno da escola. As informações ali colhidas e discutidas em classe são ricas para que os adolescentes compreendam os conceitos de território e paisagem cultural, fundamentais na disciplina.

Veja a seguir quatro situações didáticas essenciais para o ensino de Geografia.

1. Leitura e escrita sobre Geografia

Foto: Paulo Vitale
LEITURA E ESCRITA A produção de textos escritos e orais amplia a habilidade de entender fenômenos geográficos. Foto: Paulo Vitale

O que é Ler e produzir textos escritos e orais em diferentes gêneros, utilizando-os para compreender e explicar a espacialidade de fenômenos em diferentes escalas (leia a sequência didática).

Quando propor Como parte de projetos e sequências didáticas.

O que o aluno aprende A ser um leitor mais crítico e ampliar a habilidade de interpretação de diferentes fenômenos geográficos e formas espaciais.

Como propor Para aprimorar a leitura, o ideal é indicar textos informativos, jornalísticos e literários sobre variados temas. No que se refere à escrita, uma opção é organizar saídas a campo para produzir coletivamente entrevistas e reportagens sobre assuntos ligados à disciplina.

2. Produção e interpretação de imagens e mapas

Fotos: Paulo Vitale e Victor Malta
IMAGENS E MAPAS Investigar e representar a realidade local aumenta o domínio da linguagem cartográfica. Fotos: Paulo Vitale e Victor Malta

O que é Aumento progressivo do domínio da linguagem cartográfica - que é visual, não verbal, universal e dotada de símbolos, códigos e convenções próprios -, importante para a compreensão e a explicação de acontecimentos, fenômenos e processos relativos à produção do espaço em diferentes escalas geográficas.

Quando propor Como parte de projetos e sequências didáticas.

O que o aluno aprende A desenvolver a capacidade para operar com as linguagens do campo das imagens.

Como propor Por meio de investigações e pesquisas sobre a realidade local, representando a espacialidade de fenômenos naturais e sociais por meio da linguagem cartográfica (mapas, plantas, cartas, imagens de satélite, maquetes etc.) e da utilização de iconografias diversas (desenhos, ilustrações, fotografias etc.).

3. Trabalho de campo com os alunos 

O que é Expedição de pesquisa fora da escola com o objetivo de explorar regiões do entorno e outras áreas. Nela, os estudantes observam, registram e coletam dados com as fontes disponíveis sempre após terem realizado pesquisas prévias.

Quando propor Como parte de projetos e sequências didáticas.

O que o aluno aprende A desenvolver também a percepção de seu papel no espaço geográfico e identificar, compreender e explicar elementos da natureza (clima, relevo, recursos hídricos etc.) e da sociedade (considerando as dimensões econômica, política, social e cultural), percebendo a dinâmica entre elas.

Como propor Com oportunidades para que os alunos se aproximem do objeto de estudo e observem a paisagem e seus processos naturais e sociais.

4. Ler e interpretar sistemas de orientação e localização

Foto: Marcos Rosa/Bússola Fina Estampa
ORIENTAÇÃO Localizando-se, o aluno aprende a identificar a ação do homem e da natureza na paisagem. 
Foto: Marcos Rosa / Bússola Fina Estampa

O que é Uso de instrumentos e de elementos da natureza para se orientar em ambientes variados. Pressupõe a capacidade de ler e interpretar as paisagens observadas, o movimento do Sol - seu efeito sobre a iluminação de casas e seu poder de informar o horário -, a posição de estrelas e a presença de limo nas árvores, assim como bússolas e GPS.

Quando propor Como parte de projetos e sequências didáticas.

O que o aluno aprende A se orientar e localizar de forma autônoma, bem como a reconhecer o efeito da ação do homem e da natureza na paisagem.

Como propor Por meio de trabalhos de campo, experiências em sala e pesquisas em livros, jornais, revistas, atlas geográficos e mídias eletrônicas diversas.

Quer saber mais?

CONTATOS
Daniel Montenegro
EMEF Professor Felício Pagliuso, R. Abner Ribeiro Borges, 224, 08380-045, São Paulo, SP, tel. (11) 2737-2791
Luzia Feitosa
Roberto Giansanti

BIBLIOGRAFIA
Série Olhar Geográfico
, Fernanda Padovesi Fonseca, Gilberto Pamplona da Costa, Laime Tadeu Oliva e Roberto Giansanti, 200 págs., Ed. Ibep, tel. (11) 2799-7799, 57,90 reais

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