Formando poetas (relato do Caminhos do Brasil)

POR:
NOVA ESCOLA

 

Alguns dos poetas de Itupiranga. Foto: Gustavo Heidrich
Alguns dos poetas de Itupiranga

Mãe

mulher meiga
mulher cheirosa
mulher adorável
mulher fabulosa

mãe
tu és tudo isso
mulher, mãe, esposa
és dedicada
e uma mulher muito amada!

mãe você é bonita
você é maravilhosa
tão carinhosa
que merece uma rosa


O autor do texto acima é o poeta Pedro Henrique Damasceno. Ele tem dez anos e é aluno da 4ª série da Escola Municipal Serafina Carvalho em Itupiranga (PA).

Antes de virar poeta, a história de Pedro não tinha muita poesia. Perdeu o pai aos três anos e repetiu a 1ª série depois de entrar tardiamente na escola. "Quando ele fez o texto, me pediu para entregar para mãe. Sei que ela é muito ausente da vida dele e ele sente falta de ser mais próximo dela", conta a professora do poeta, Rosilene Pereira.

Para Pedro virar poeta foi preciso muito esforço das professoras do Serafina, a primeira escola do garoto. "Ele tinha dificuldades para escrever e se expressar e hoje escreve desse jeito e quase não tem erros de ortografia", orgulha-se a diretora da escola, Edna Tavares.

Apesar de nunca ter dado aula ao poeta, Edna e a coordenadora pedagógica da Serafina, Adilma Oliveira, são tão responsáveis pelo sucesso de Pedro como as professoras que lhe ensinaram a ler e escrever.

As duas são as responsáveis pelo programa de formação continuada de professores na escola. A fórmula é tão simples quanto eficiente: elas passam por uma formação voltada para gestores da educação, oferecida pela secretaria de Educação do município que conta com a assessoria do Instituto Avisalá. Depois retransmitem os conceitos aprendidos para os professores em encontros constantes dentro da escola.

O diferencial é que nada, nada mesmo, é pensando sem levar em consideração aquele que, apesar de muitas vezes esquecido, é o centro e objetivo máximo do processo de ensino e aprendizagem: o aluno.

Todo o trabalho, estruturado com muito planejamento e com base em projetos didáticos que trazem poesia, contos, parlendas e outros gêneros da escrita para a carteira dos alunos, é feito com base em diagnósticos diários das dificuldades e necessidades apresentadas pelos estudantes.

Cada aluno tem seu processo de aprendizagem documentado em volumosos cadernos caprichosamente enfeitados e redigidos de próprio punho pelas professoras. A partir dali, são elaboradas as metas e os conteúdos dos projetos didáticos a serem desenvolvidos, tudo em estreita parceria entre a diretora, a coordenadora, os professores e as formadoras.

O que era antes dificuldade se tornou oportunidade em Itupiranga. O que o aluno não aprende vira pauta dos projetos e tema da formação continuada, que neste município do Pará, onde 90% das crianças provêm de famílias cuja renda é cerca de um salário mínimo, tem, de fato, CONTINUIDADE.

Lá, existem professores que não se esqueceram que estão em sala de aula para ajudar os alunos a construírem o conhecimento que lhes dará oportunidade no futuro.

Coordenadores e diretores que se debruçam sobre o processo pedagógico e acham que um aluno que se torna leitor competente vale mais que uma bolo de contas e despesas administrativas a organizar.

Gestores que incentivam e viabilizam a Educação.

Gente comprometida, como as formadoras Léiva e Katilvânia (para as quais dedicarei um texto mais tarde). Enfim, um ciclo virtuoso da Educação brasileira no meio da Transamazônica.


O resto é poesia.


Publicado por Gustavo Heidrich Oliveira - Repórter



Muito conteúdo na TV

Ana Rita e a TV pendrive: aula de Ciências. Foto: Denise Pellegrini
Ana Rita e a TV pendrive: aula de Ciências

Desde 2007, a rede estadual do Paraná está promovendo o DEB Itinerante, um programa de formação continuada que, até outubro deste ano, deverá ter capacitado 60 mil professores da Educação Básica. O objetivo principal é contribuir para a implantação das Diretrizes Curriculares no Estado. Divididos em grupos de acordo com as disciplinas que lecionam, os professores conhecem os conteúdos estruturantes da área para, depois, já em sua escola, definir com a equipe os conteúdos específicos que devem fazer parte da proposta pedagógica.

Depois dessa etapa do programa, a formação continuada segue dentro dos núcleos regionais em que a rede é dividida. E, nesses núcleos, o trabalho se intensifica. "Nos reunimos com colegas de outras escolas que lecionam a mesma matéria e aprendemos muito. A troca de informações é intensa", afirma a professora Maria Helena Matos Araújo de Lima, que leciona Língua Portuguesa no Colégio Estadual Protásio de Carvalho.

O entusiasmo dela e de outras professoras da equipe com essa nova dinâmica de trabalho na rede só não é maior que o provocado pelas capacitações para o uso da TV pendrive. "O equipamento, instalado em todas as salas de aula, está permitindo diversificar as aulas", conta Wanda Elisamar Pereira, professota de Ciências. Em encontros com profissionais da mesma disciplina e no site da secretaria elas têm à disposição vídeos, animações e outros materiais que enriquecem as atividades em sala.

Ana Rita Bloch Martins, que leciona Ciências no Colégio Estadual Moradias Monteiro Lobato, já esgotou os 2 mega de seu pendrive. Hoje, ela mostrou para a turma da 7ª série diferentes imagens sobre a liberação do óvulo pelo ovário e sobre a fecundação. A turma sem piscava durante a exibição. Para a 5ª série, ela já deu uma aula sobre astronomia com belas imagens que mostraram com clareza para os estudantes a proporção entre os planetas."Tenho certeza de que essas imagens não vão sair da cabeça deles", comemora. Ela tem razão. Eu mesma fiquei vidrada na aula.

Publicado por Denise Pellegrini - Redatora-chefe

 

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