Bolsonaro nomeia militar para ocupar Secretaria Executiva do MEC

O tenente-brigadeiro Ricardo Machado Vieira atuava como assessor especial do FNDE

POR:
NOVA ESCOLA
O tenente-coronel Ricardo Machado Vieira vai ocupar a Secretaria Executiva do MEC   Crédito: FAB

O tenente-brigadeiro do ar Ricardo Machado Vieira é o novo secretário-executivo do Ministério da Educação (MEC). Em nomeação publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (29/03), o presidente Jair Bolsonaro indicou o militar para ocupar o segundo posto mais importante do MEC.

Machado Vieira já ocupava um cargo no ministério: ele atuava como assessor especial do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Na reserva desde 2014, ele foi chefe do Estado-Maior da Aeronáutica (segunda posição mais importante da Força Aérea Brasileira), chefe de Operações Conjuntas do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA) e secretário de Pessoal, Ensino, Saúde e Desporto do Ministério da Defesa. Em seu currículo também consta o posto de Subchefe de Inteligência do Estado-Maior de Defesa.

LEIA MAIS   Ricardo Vélez: o MEC é "um abacaxi do tamanho de um bonde"

Além de sua sólida formação militar, possui Graduação em Direito com pós-graduação em Direito Internacional dos Conflitos Armados pela Universidade Nacional de Brasília (UNB). O oficial possui várias condecorações, incluindo a Medalha Ordem do Mérito Bombeiro Militar do Distrito Federal “Imperador Dom Pedro II”, a Ordem do Mérito da Defesa e Grã-Cruz da Ordem do Mérito Judiciário Militar – Superior Tribunal Militar.

Em entrevista ao Estadão, Ricardo Machado Vieira afirmou: "Vivemos um momento díficil, quero tomar pé da situação e ver como a gente pode ajudar".

LEIA MAIS   Em menos de 24h, Inep perde presidente e coordenador do Enem

Na gestão de Ricardo Vélez Rodríguez, o cargo foi ocupado inicialmente por Luiz Antonio Tozi, que acabou demitido após críticas de Olavo de Carvalho, no dia 12 de março. Olavo, que indicou o próprio Vélez para ocupar a pasta, também indicou vários de seus ex-alunos do curso de Filosofia para cargos no MEC. O ministro então chegou a anunciar dois outros nomes para ocupar a Secretaria Executiva, sem sucesso. O primeiro nome anunciado foi o de Rubens Barreto da Silva, que ocupava o cargo de secretário executivo adjunto. O ministro foi ao Twitter no dia 13 de março para o anúncio: “Dando sequência às mudanças necessárias, agradecemos a Luís Antônio Tozi pelo empenho de suas funções no MEC e transferimos sua missão de Secretário Executivo a Rubens Barreto da Silva, que ocupava o cargo de Secretário Executivo Adjunto”. No dia seguinte, ele voltou ao Twitter para fazer o segundo anúncio: de que a secretaria executiva seria ocupada por Iolene Lima, ex-diretora de uma instituição educacional regida pelos princípios da Bíblia. "De volta a Brasília, confirmo que Iolene Lima, da Secretaria de Educação Básica, assumirá a Secretaria-Executiva do Ministério da Educação", afirmou. 

LEIA MAIS   MEC volta atrás e revoga portaria que adiava Ciclo de Alfabetização

A repercussão foi negativa junto inclusive à bancada evangélica, que está envolvida na disputa de poder dentro do MEC. Veículos da grande imprensa chegaram a noticiar que o presidente Jair Bolsonaro desautorizou Vélez de fazer qualquer indicação.  

No dia 22 de março, após dias sem confirmação no Diário Oficial, a própria Iolene Lima foi ao Twitter para dizer que não fazia mais parte da equipe do ministério. "Hoje, após uma semana de espera, recebi a informação que não faço mais parte do grupo do MEC. Não sei o que dizer, mas confio que Deus me guardará e guiará. Desejo ao governo do nosso presidente [Jair] Bolsonaro e ao ministro Ricardo Vélez o melhor", disse na postagem. No Facebook, ela chegou a postar uma mensagem mais longa e que dá maiores indicações da crise que se desenrola no MEC. "Aos meus amigos e colegas: Depois de cinco anos à frente da direção do colégio que ajudei a fundar, deixei meu emprego a fim de aceitar um convite para, junto com outros profissionais, servir ao meu país, colaborando para um ideal que acredito: um Brasil melhor por meio da educação. Todavia, diante de um quadro bastante confuso na pasta, mesmo sem convite prévio, aceite a nova função dentro do ministério. Novament me coloquei à disposição para trabalhar em prol de melhorias para o setor. No entanto, hoje, após uma semana de espera, recebi a informação que não faço mais parte do grupo do MEC. Não sei o que dizer, mas confio que Deus me guardará e guiará! Desejo ao governo do nosso Presidente Bolsonaro e ao Ministro Ricardo Vélez, o melhor! E obrigada a todos que oraram por mim e me apoiaram neste desafio! Foram milhares de mensagens de apoio! Que Deus abençoe nossa nação!". A exoneração de Iolene foi publicada no dia 28 de março no Diário Oficial.

A Secretaria Executiva do MEC tem entre suas funções dar assistência ao ministro na supervisão e coordenação das atividades das secretarias integrantes da estrutura do ministério e das entidades a ele vinculadas. O novo secretário também terá de auxiliar o ministro na definição de diretrizes e na implementação das ações em educação, supervisionar e coordenar as atividades relacionadas aos sistemas federais de planejamento e orçamento, organização e modernização administrativa, recursos da informação e informática, recursos humanos e de serviços gerais.

.

Tags

Guias