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Blog de Alfabetização

Troque experiências e boas práticas sobre o processo de aquisição da língua escrita.

Nem fônico nem construtivista: já perdemos muito tempo discutindo método na Alfabetização

Falta clareza de quais serão os caminhos para avançarmos na aprendizagem de nossas crianças

POR:
Mara Mansani
Crédito: Arquivo/Agência Brasil

Como alfabetizadora, ando preocupada com os caminhos da Alfabetização em nosso país, com as falas e propostas de mudanças indicadas pelo Ministério da Educação. Percebo uma falta de direção e clareza, de quais serão os caminhos para avançarmos na aprendizagem das nossas crianças. Nossos resultados na Alfabetização não são bons e essa falta de clareza causa mais insegurança a todos nós professores alfabetizadores em sala de aula.

Uma dessas falas diz respeito diretamente à metodologia para alfabetizar os alunos. Na Minuta do Decreto da Nova Política de Alfabetização, o MEC prioriza o método fônico de alfabetização. Já perdemos muito tempo em nosso país discutindo a questão do método. Penso que a questão no momento nem deveria ser essa. Acredito que devemos, na verdade, ter diretrizes para formação dos novos professores e a continuidade da formação, ou seja, da formação em exercício para aqueles que, como eu, estão em sala de aula.

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Penso que que as Redes de Educação precisam, juntamente com seus professores e especialistas, analisar seus resultados na Alfabetização, discutir metodologias e seu desenvolvimento em sala de aula. Com isso, é possível corrigir rumos, fazer ajustes e pensar novos instrumentos e metodologias - com o entendimento que todos podem aprender. E, claro, com autonomia para tomar suas decisões.

Nesses mais de 30 anos em sala de aula, em vários momentos vivenciei problemas decorrentes de decisões e mudanças na proposta, linha pedagógica ou metodologia aplicada nas redes em que eu atuava. Não estou falando somente de Alfabetização, mas também em outras etapas da aprendizagem. Lembro que quando comecei a alfabetizar, eu usava a cartilha, ensinava com as famílias silábicas, pois foi dessa maneira que aprendi no Magistério, nos estágios. Era essa a forma na época, lá nos anos 1980. Bem mais tarde teve início o processo de transição para a linha pedagógica construtivista na minha rede. Foi muito difícil, afinal eu e meus colegas professores não havíamos sido devidamente preparados para a mudança. Foi um período difícil que resultou em muitos problemas na aprendizagem dos nossos alunos. Somente anos mais tarde é que fiz um curso mais profundo, formação em serviço, com base teórica e prática que me fez mudar até mesmo minha concepção sobre Alfabetização - e confesso, foi muito bom aprender.

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Depois houve a fase em que nós, professores, ouvíamos: “O Construtivismo não pode ter mesclas com outras linhas pedagógicas e ou metodologias”. Era um tal de isso pode, isso não pode mais, que também causou muita insegurança em nosso trabalho em sala de aula. Com o tempo as coisas foram se ajustando e com cursos e avaliações, nós melhoramos nossas práticas. Assim, fui aprimorando minhas práticas em sala de aula e obtendo bons resultados na aprendizagem dos meus alunos.

Já tive minha fase de acreditar que a minha maneira de alfabetizar era a melhor para todos. Mas já há estudos que indicam que nem toda a metodologia dá conta de ensinar a todos. Isso sem contar que alfabetizar não é só questão de escolha de metodologia, pois envolve também infraestrutura, acesso a bens culturais, etc.

Hoje, quando me perguntam qual é a melhor metodologia para alfabetizar, apesar de defender meu ponto de vista - estou preparada e segura do que faço e sei do impacto na aprendizagem dos meus alunos -, respondo que é aquela que une dois pontos superimportantes: se atende a necessidade de aprendizagem dos alunos e se o professor está preparado para desenvolvê-la, ou seja o ponto é a formação do professor.

Acredito que precisamos é construir um debate nacional em relação a Alfabetização. Estou falando não da Alfabetização que queremos, mas principalmente daquela que precisamos para que todos as nossas crianças possam realmente aprender.

E você, querido professor? O que pensa sobre isso? Qual é a sua realidade na Alfabetização? Conte aqui nos comentários.

Um grande abraço a todos e até semana que vem!

Mara Mansani