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Agora é oficial: Bolsonaro exonera Ministro da Educação

Após declarações polêmicas e afirmações de que não pediria demissão, chega a vez de Ricardo Vélez Rodríguez deixar o MEC. O presidente já anunciou seu sucessor

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NOVA ESCOLA
O ministro Ricardo Vélez Rodríguez em audiência no Senado   Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Agora é oficial: Ricardo Vélez Rodríguez não é mais ministro da Educação do governo de Jair Bolsonaro. O próprio presidente anunciou em seu perfil a exoneração de Vélez, cuja saída vinha sendo cogitada há duas semanas. A demissão já veio acompanhada do sucessor, o economista Abraham Weintraub, secretário-executivo da Casa Civil. Ele é professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e é especialista em direito previdenciário e em finanças, além de ter atuado como executivo no mercado financeiro.

"Comunico a todos a indicação do Professor Abraham Weintraub ao cargo de Ministro da Educação. Abraham é doutor, professor universitário e possui ampla experiência em gestão e o conhecimento necessário para a pasta. Aproveito para agradecer ao Prof. Velez pelos serviços prestados", escreveu no Twitter. Vélez reuniu-se com o presidente na manhã desta segunda-feira (08/04), antes que fosse anunciada sua exoneração. O governo Bolsonaro completa 100 dias nesta semana, mas Vélez não fará parte da equipe a comemorar a data. A exoneração foi publicada na edição extra do Diário Oficial da União desta segunda.

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Como já vinha fazendo antes durante sua gestão, Vélez Rodríguez respondeu à exoneração também pelo Twitter. "Agradeço ao presidente, Jair Bolsonaro, a oportunidade de estar à frente do Ministério da Educação. Confio em sua decisão e me despeço desejando ao professor, Abraham Weintraub, sucesso no cumprimento de sua missão".

Os rumores sobre a saída de Vélez se intensificaram após o presidente ter dito nos últimos dias que o MEC precisava de ajustes. "Claramente não está dando certo", disse ele. No domingo (07/04), Bolsonaro afirmou: "Amanhã (hoje), a gente resolve". Bolsonaro chegou a usar uma figura de linguagem para se referir à decisão de manter ou não o ministro no cargo – uma questão de "casamento ou do divórcio" com Vélez. O ministro vinha sendo bastante criticado por declarações e também sofreu desgaste ao indicar nomes para o MEC, que não chegaram a ser confirmados.

Ricardo Vélez Rodríguez foi indicado por Olavo de Carvalho, mas tornou-se alvo de críticas por parte do chamado ideólogo de Bolsonaro e também de seus ex-alunos do curso de Filosofia. Há mais de um mês, o Ministério da Educação é foco de disputas internas entre dois grupos: os chamados "olavetes", ex-alunos de Olavo, e os militares que defendiam a presença de um "grupo técnico" encabeçado por pessoas vindas do Centro Paula Souza.

 

MEC: território de disputa

Os últimos meses não têm sido fáceis para o Ministério da Educação (MEC). A pasta perdeu várias indicações no alto escalão, como Luiz Antonio Tozi, exonerado da Secretaria Executiva, Tania Leme de Almeida, que deixou a Secretaria de Educação Básica, e Marcus Vinicius Rodrigues, que estava à frente do Inep. O ministério registrou uma onda de exonerações numa tentativa de acalmar a disputa interna de poder entre os chamados "olavetes", os militares e o "grupo técnico".

O ministro também passou por constrangimentos na Comissão de Educação na Câmara dos Deputados. Durante o evento, o deputado federal Ivan Valente (PSOL) pediu a Vélez que renunciasse ao cargo – e ele retrucou que não faria sentido renunciar. “Só apresento a minha renúncia ao presidente da República ou ele me demite”, afirmou. 

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Em sua fala, o até então ministro teceu críticas a Marcus Vinicius Rodrigues, exonerado em 26 de março do cargo de presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A justificativa da demissão seria a falta de consulta ao MEC sobre o adiamento da avaliação de Alfabetização para 2021 (relembre o caso aqui).

Nem dois dias após o anúncio do adiamento, a decisão foi revogada pelo MEC e custou o cargo do presidente do Inep, autarquia responsável pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). "O diretor-presidente do Inep puxou o tapete. Ele mudou de forma abrupta o entendimento que já tinha sido feito para a preservação da Base Nacional [Comum] Curricular e fazer as avaliações de comum acordo com as secretarias de educação estaduais e municipais". Para Vélez, cabia consulta ao ministro. “Realmente, considerei um ato grave, que não consultou o ministro, se alicerçou em pareceres técnicos, mas não foi debatido no seio do MEC”. Em entrevistas a jornais, Marcus Vinícius também não poupou críticas ao ex-ministro. "Foi um processo muito ruim, que mostrou a incompetência gerencial muito grande", disse ao Bom Dia Brasil.

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Diante dos deputados federais, Vélez Rodríguez também falou sobre outros tópicos como a militarização de escolas públicas como uma medida de segurança para alunos e professores. “Essas escolas estão sendo um sucesso, os senhores sabem. Não há arma dentro da escola, tem agentes de segurança encarregados da parte administrativa dentro da escola”. Vélez já havia estabelecido essa relação anteriormente. Após o tiroteio na EE Raul Brasil, em Suzano, que culminou na morte de dez pessoas, ele declarou que a escola poderia aderir ao modelo cívico-militar (relembre aqui). De acordo com ele, “a gestão cívico-militar afasta o traficante da escola. O traficante dá no pé, porque quer massa de manobra”.

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Pablo Escobar e outras polêmicas

Em uma comparação infeliz, Ricardo Vélez Rodríguez disse que “a mesma coisa” que “fazia Pablo Escobar, em Medellín”: “Pablo Escobar tinha campos de futebol para os jovens, e uma pequeninha biblioteca. Por isso, eu tenho esses jovens aqui, e não consomem cocaína porque é produto de exportação. A ideia não era consumir na Colômbia”. Depois do discurso na Câmara, a hashtag #PabloEscobar virou trending topic no Twitter Brasil.

Outras declarações que não caíram bem também foram assunto, como a comparação de que os brasileiros eram “canibais” e da carta enviada às escolas no início do mês (relembre aqui) solicitando a gravação da execução do Hino Nacional e a leitura de uma mensagem que trazia o slogan da campanha eleitoral de Jair Bolsonaro (PSL). “Slogan eleitoral foi uma falha. E toda falha, a gente corrige na hora”, disse. “Quando vi que tinha colocado um slogan eleitoral que causava reação negativa na sociedade, e que me traria problemas jurídicos também, retifiquei imediatamente essa minha afirmação”.

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Em pouco mais de três meses à frente do Ministério da Educação (MEC), Vélez Rodríguez envolveu-se em diversas polêmicas para além das relembradas na audiência. Algumas delas envolvendo também outras autarquias ligadas ao ministério, como é o caso do Inep e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Um exemplo que repercutiu em larga escala foi a confusão no edital do Programa Nacional do Livro Didática (PNLD) 2020 permitia erros nos livros. A hashtag #livrodidatico chegou a ficar nos trending topics no dia 9 de janeiro e o edital foi cancelado no dia seguinte.

Relembre algumas das grandes confusões repercutiram mais na mídia nos dois primeiros meses de gestão de Vélez Rodríguez frente ao MEC:

- Balanço dos primeiros 30 dias do governo Bolsonaro na Educação

- Balanço do mês de fevereiro no MEC traz mais confusões

- Polêmicas e exonerações: veja o que aconteceu no MEC em março

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