Resenha e trecho do livro "Moral e Ética - Dimensões intelectuais e Afetivas", de Yves de La Taille

POR:
NOVA ESCOLA, Nina Pavan, Tatiana Pinheiro
Foto: Marcelo Kura
Foto: Marcelo Kura

O binômio "moral e ética" é alvo de especulações sobre seus sentidos. Cotidianamente, ambas são tratadas como sinônimos. À luz das ciências, são tidas como conceitos distintos. Na obra Moral e Ética - Dimensões Intelectuais e Afetivas (192 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444), Yves de La Taille, pesquisador e professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), aborda os dois conceitos em profundidade, focando o que representam essas duas palavras na Filosofia. 

La Taille trata com precisão de diversas questões para as quais a Psicologia Moral moderna tem procurado respostas. Mas por que se remeter à Filosofia e buscar autores do passado, como René Descartes (1596-1650), Immanuel Kant (1724-1804), Émile Durkheim (1858- 1917) e Aristóteles (384-322 a.C)? Porque esta obra não é fruto de ideias infundadas, mas sim uma produção que reúne o que há de mais relevante sobre os fatores que levam as pessoas a agir com base em valores. 

Nos três capítulos, o autor distingue o significado de moral e ética para esclarecer o que está implícito nos dois conceitos. Da moral, ele resgata a ideia de um dever para garantir a regulação da convivência humana. Comparar possibilidades de ação, perceber a necessidade do outro e pensar no que está em jogo faz parte da dimensão intelectual envolvida no ato de agir bem. Mas, como o "saber" fazer pode não ser suficiente, é preciso um "querer" fazer. Essa é a dimensão afetiva do agir, que é traduzida pela palavra ética. 

Nesse ponto, La Taille vai de Jean Piaget (1896-1980) aos contemporâneos para traçar uma linha do desenvolvimento afetivo, que começa no despertar do senso moral e termina com a formação da personalidade ética. Nesse passeio, distingue a presença de sentimentos como culpa, indignação e simpatia. Inspirado por sua paixão pela Psicologia Moral, é aqui que o autor apresenta uma das mais belas conclusões sobre como educar - ainda que não se remeta à Educação diretamente: somente tendo por si autorrespeito, é possível respeitar os outros. Simples, elegantes, profundos, autor e obra são únicos - quem não os conhece perde a chance de compreender a natureza humana e suas mais belas lições.

Luciene Regina Paulino Tognetta, autora desta resenha, é docente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Clássico do mês 

Trecho do livro

"A autoestima corresponde a todo e qualquer estado subjetivo de valorização de si próprio. O autorrespeito corresponde apenas à autoestima experimentada quando a valorização de si próprio incide sobre valores morais. Logo, o autorrespeito é um caso particular de autoestima, pois, como o diz Ricoeur (1990), o autorrespeito é a autoestima quando regida pela moral. É claro que a fronteira a partir da qual a autoestima vai tornar-se autorrespeito depende dos conteúdos associados ao plano moral. Na moral kantiana, por exemplo, a qual reza que sempre devemos tratar a outrem e a nós mesmos como fins, e não como meios, de alguém que realize a expansão de si próprio por conceber-se como profissional competente, como atleta de alto nível, como pessoa bela fisicamente, dir-se-á que tem autoestima, e não autorrespeito - pelo fato de os conteúdos arrolados não terem relação com a moral. Em compensação, se o indivíduo associa às representações de si com valor positivo o "ser justo", deve-se falar em autorrespeito, pois a justiça é uma virtude central na moral, segundo Kant."

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Biblioteca viva

A população de Serra Negra, a 143 quilômetros de São Paulo, não tem desculpa para a falta de hábito de leitura. Basta dar um pulo até a Trilhas da Palavra, uma biblioteca comunitária fundada em 2006 pela professora de Língua Portuguesa Solange Moraes Barreto Borges. A Trilhas presta um excelente serviço à cidade: leva seu acervo, de 2 mil obras, até empresas, comunidades rurais e mesmo escolas municipais. "Muitas vezes, os pais não vêm até aqui. Então, vamos até eles", explica ela, que emprestou livros de seu acervo para inaugurar o espaço, que conta com um pequeno bosque integrado. Para fazer doações à biblioteca Trilhas da Palavra, entre em contato pelo telefone (19) 3892-1409.

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