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Inove | Projetos


Por: Paula Salas

Quando a tecnologia transforma toda a escola

Na zona rural, uma escola pública gaúcha revolucionou o currículo para aproveitar melhor os recursos do mundo digital

A Emef Zeferino Lopes de Castro, em Viamão, interior do Rio Grande do Sul, quase não tem portas fechadas. Os alunos circulam o tempo todo. Mas não se trata de um recreio permanente. Ao contrário. Eles estão aproveitando toda a tecnologia disponível para fazerem projetos.

A mudança começou em 2013, quando a escola foi escolhida para participar do projeto piloto Escolas Rurais Conectadas, iniciativa da Fundação Telefônica. A instituição ganhou um computador para cada aluno, tablets e internet de altíssima velocidade, entre outros equipamentos. Até impressora 3D a escola tem. Só que a equipe gestora sabia que os recursos, por si sós, não eram suficientes para produzir resultados. Era necessário pensar no propósito pedagógico: “A proposta não era substituir o caderno pelo computador, mas ainda não tínhamos clareza de como poderia ser. Apenas sabíamos que os alunos tinham de usar tudo aquilo para aprender de verdade, a partir dos seus interesses”, explica Rosa Maria Friedl Stalivieri, diretora da escola.

Então, a equipe se uniu para repensar as práticas. Aos poucos, testando e corrigindo o processo, nasceu uma metodologia de projetos própria (veja no quadro abaixo um resumo de como ela funciona na rotina), na qual os estudantes passaram a utilizar toda a infraestrutura para pesquisar, experimentar e construir protótipos que ajudassem a solucionar problemas levantados por eles mesmos. A escolha mudou a própria organização das turmas, que passaram a ser multisseriadas.

“Em salas separadas, os alunos mais velhos acabavam fazendo todo o trabalho do projeto”, explica a diretora. A partir de testes, decidiram que o 1º ano permaneceria em uma sala única, o 2º e o 3º formam um grupo, o 4º e o 5º outro e o Fundamental II se reuniria em uma única sala.

As mudanças profundas geraram um estranhamento no início. Hoje, toda a comunidade escolar acredita na proposta. “A relação é outra, o professor está junto, construindo e aprendendo com os alunos. Aqui não há problema em falar que não sabe”, afirma Rosa.

PROJETOS EM QUATRO PARTES

A escola divide sua rotina em diferentes momentos que se complementam. Entenda quais são:
PROJETOS DE APRENDIZAGEM (PAs) Por ano, as turmas desenvolvem três PAs, cada um com duração entre seis e oito semanas, que incluem:
Saída disparadora:
É um passeio a partir do qual os alunos levantam as perguntas que guiarão o projeto. Vale tudo: desde um centro budista até uma plantação de arroz.
Pesquisas e mapas: A turma é dividida em grupos, que criam mapas conceituais com o que sabem e o que não sabem sobre o tema. Depois começam as pesquisas, cujos dados são anotados no mapa e numdiário individual.
Produto final: Geralmente, a pesquisa resulta no desenvolvimento de protótipos construídos a partir de conhecimentos de robótica e programação. Por fim, acontece uma apresentação dos projetos e se encerra a rodada.

MOMENTOS DE ESTUDO DE CONCEITOS (MECs): Em paralelo, cada professor dá a aula do seu componente curricular. É a parte mais “tradicional” da grade horária, mas há o cuidado de relacionar os conteúdos com os temas dos projetos.

MOMENTOS DE ESTUDO POR PROJETOS (MEPs): Para ensinar aos alunos as técnicas necessárias ao desenvolvimento dos projetos, abrem-se módulos que podem ser escolhidos livremente. Por exemplo: um professor monta um MEP sobre criação de sites, e quem precisa desse conhecimento se inscreve.

OFICINAS: A escola também proporciona experiências não ligadas aos projetos. Os próprios docentes se dividem em duplas para oferecer durante a tarde aulas de teatro, dança, violão e robótica.

MAIORIA OFF-LINE
A Emef Zeferino Lopes de Castro é exceção. A grande maioria das escolas rurais brasileiras enfrenta um cenário bem diferente:

Apenas 36% das escolas rurais têm acesso à internet.
61% delas têm internet de até 3 MBPS (em Viamão, a velocidade é de 100 MBPS).
46% têm acesso à internet na sala de aula.