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Por: Pedro Annunciato

Edlaine Gladys Borges: “Meus alunos se identificaram com Brumadinho"

Professora desenvolve projeto com cartas após alunos se comoverem com tragédia, confira o relato de Edlaine

"Logo no primeiro dia de planejamento da escola, a direção pediu que fizéssemos um trabalho que envolvesse os alunos. Sugeri: “Por que a gente não faz algo sobre o rompimento da barragem de Brumadinho?” Já que nós não podíamos ajudar pessoalmente (estamos em Xerém, no Rio de Janeiro), propus que enviássemos cartas. Pedi que todos colocassem no papel um pedacinho do coração. Deixei os alunos à vontade para dirigirem a mensagem a quem quisessem: bombeiros, moradores, sobreviventes. Foi um dia que eu nunca vou esquecer. Todos estavam comovidos. Mais interessante foi o que veio depois. Quando fui à agência dos Correios, a funcionária se comoveu e chamou o supervisor. Ele imediatamente ligou para o José, gerente da agência de Brumadinho, que garantiu que entregaria tudo. Há alguns dias, recebi notícias: um agradecimento do Vidal, avisando que estavam nas mãos certas. Meus alunos se identificavam com a tragédia. Aqui em Xerém, há uns dois anos, teve deslizamento de terra e perderam-se vidas. Para mim, educar também é isso: trazer a história do outro para perto de mim".

Edlaine Gladys Borges, professora, 42 anos

Foto Hans Georg/NOVA ESCOLA