Presidente do INEP é a mais nova baixa do MEC

Na disputa entre grupos dentro do Ministério da Educação, Marcus Vinicius Rodrigues é a quarta baixa do alto escalão

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NOVA ESCOLA
Marcus Vinicius Rodrigues no dia de sua posse no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)    Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Marcus Vinicius Rodrigues é a mais nova baixa no alto escalão do Ministério da Educação (MEC). O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), autarquia responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), foi exonerado na noite desta terça-feira (26/03) por decisão do ministro Ricardo Vélez Rodríguez, após polêmica envolvendo a decisão de suspender a avaliação de Alfabetização neste ano

Em entrevista ao jornal O Globo nesta quarta-feira (27/03), Marcus Vinicius afirmou que o ministro Ricardo Vélez Rodríguez é "gerencialmente incompetente" e "não tem controle emocional" para comandar a educação brasileira. "A minha demissão não foi uma injustiça. Foi um ato de incompetência gerencial de um ministro que não tem poder de gestão, não tem controle emocional para dirigir a Educação do Brasil. Pesou o fato de eu ser ligado à ala militar; de ser amigo do grande profissional que é o (Antonio Flávio) Testa (sociólogo que foi dispensado por Veléz durante a transição após um desentendimento). E pesou o fato de termos um modelo de gestão aplicada no Inep muito destoante do que vem sendo aplicado no MEC", afirmou o ex-presidente do Inep.

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Marcus Vinicius substituiu Maria Inês Fini à frente do INEP. Ela chegou a ser duramente criticada pelo presidente Jair Bolsonaro após uma questão na prova do Enem em 2018, que incluía o dialeto pajubá, usado por algumas comunidades LGBT. Nesse sentido, a nomeação de Marcus Vinicius, indicado por Antonio Testa, cientista político que nem chegou a tomar posse, entrou na conta do chamado “grupo técnico” dentro do MEC, que coexiste com as nomeações da bancada evangélica e dos chamados “olavetes”, o grupo de ex-alunos de Olavo de Carvalho.

Marcus Vinicius envolveu-se na polêmica de adiar para 2021 a avaliação, que fica sob responsabilidade da autarquia. Em comunicado, o Inep alegou que o “adiamento” da avaliação externa para as turmas de Alfabetização tem a ver com o momento de implementação da Base. Isso porque 2018 e 2019 são os dois anos definidos como o prazo para que as escolas possam se estruturar para tirar a BNCC do papel e torná-la realidade nas salas de aula. Dentro desse período, as redes de ensino estarão em momentos diferentes da implementação. No município de São Paulo, por exemplo, os currículos alinhados à Base foram implementados em 2018. Outras redes estaduais e municipais levaram neste ano o documento para as escolas, enquanto outras o farão apenas em 2020. 

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O pedido para o adiamento teria partido do secretário de Alfabetização, Carlos Nadalim. A decisão levou à saída de Tânia Leme de Almeida da Secretaria de Educacão Básica. A exoneração dela ainda não foi publicada no Diário Oficial, mas já é oficial.

O engenheiro é doutor em Engenharia de Produção e Administração de Empresas e especialista em Formação de Executivos. Tem passagem por empresas como Correios e Fundação Getúlio Vargas (FGV), onde atuou como executivo e consultor organizacional. Ele também deu aula na FGV e foi professor visitante do Instituto Universitário de Lisboa, autor de vários livros de gestão do trabalho e editor da Revista de Gestão dos Países de Língua Portuguesa. 

Lista de exonerações cresce no MEC

Além da saída de Marcus Vinicius Rodrigues e Tania Leme de Almeida, o ministro Ricardo Vélez Rodríguez teve de lidar com a negativa para a indicação de Iolene Lima para a Secretaria Executiva do MEC, o segundo posto mais alto do ministério. No dia 11 de março, o Diário Oficial trouxe uma lista de exonerações: Tiago Tondinelli (chefe de gabinete do ministro da Educação); Eduardo Miranda Freire de Melo (secretário-executivo adjunto da Secretaria-Executiva do MEC); Ricardo Wagner Roquetti (coronel que atuava como diretor de programa da Secretaria-Executiva do MEC); Claudio Titericz (diretor de programa da Secretaria-Executiva do MEC); Silvio Grimaldo de Camargo (assessor especial do ministro da Educação); e Tiago Levi Diniz Lima (diretor de Formação Profissional e Inovação da Fundação Joaquim Nabuco).

Silvio Grimaldo havia criticado o ministério dias antes da exoneração. Ele chegou a afirmar em sua página no Facebook que o ministro Ricardo Vélez Rodríguez "precisa se livrar dos maus conselheiros e dos falsos amigos". "O expurgo de alunos do Olavo de Carvalho do MEC é a maior traição dentro do governo Bolsonaro que se viu até agora", escreveu.

"Entre outras coisas, esse grupo tinha em comum o fato de serem alunos, leitores ou admiradores do professor Olavo de Carvalho", escreveu o agora ex-assessor especial do ministro. "E esse grupo incomodava. Pouco, mas incomodava. Pois era ele quem sempre cobrava mais alinhamento com o presidente da república, mais fidelidade ao Bolsonaro, mais fibra e mais, digamos, faca na bota e sangue nos olhos".

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