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Conte | Cara Educadora


Por: Lívia Perozim

Vamos falar de igualdade de gênero, sim

Pensar sobre as assimetrias entre homens e mulheres na sociedade não é fácil, mas é urgente

Não é novidade que os cargos de chefia são ocupados majoritariamente por homens e que eles ganham 20% a mais, ainda que exerçam cargos similares aos das mulheres, segundo dados do IBGE. Também já sabemos – há algum tempo – que as áreas de exatas, como engenharia e informática, são povoadas por homens, enquanto as mulheres se concentram em atividades de ensino e cuidado.

À primeira vista, essa realidade pode parecer reflexo de preferências, aptidões e desempenhos distintos entre os sexos masculino e feminino. Mas só à primeira vista.

Se pararmos para pensar sobre como atribuímos expectativas, responsabilidades e oportunidades desiguais a meninas e meninos, desde a mais tenra infância, veremos que o quadro não é bem esse.

A começar por um fato básico: ainda hoje as garotas estão mais propensas a ser excluídas da sala de aula: são 34 milhões de meninas fora da escola primária no mundo, do total de 63 milhões de crianças. No Brasil, 26,1% das meninas que não estudam precisaram deixar a escola para realizar afazeres domésticos ou cuidar de outras pessoas, de acordo com informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) de 2016.

E o que fazemos com as garotas que estão na nossa sala de aula? O que esperamos delas? Seus modos de se vestir, andar, brincar, dançar, namorar, cuidar do outro, expressar sentimentos, trabalhar? Tratamos, no nosso dia a dia, meninos e meninas de maneira igualitária? Ou insistimos na ideia de que eles são mais fortes e corajosos e de que elas deveriam ser dóceis e comportadas?

Refletir sobre a assimetria de gênero que está arraigada em nossa cultura não é tarefa fácil. Muitas vezes, nos faz rever modelos, questionar padrões e até a nossa própria visão de Educação. No entanto, a reflexão é urgente para que a escola não seja um instrumento da reprodução de preconceitos, mas, sim, um espaço de transformação.

Afinal, quantas e quantas histórias de violência contra a mulher e feminicídios podem ser evitadas com uma formação mais ética e que promova, de fato, a igualdade de direitos entre meninos e meninas?

Lívia Perozim é editora de NOVA ESCOLA livia@novaescola.org.br

Foto: Lucas Magalhães/NOVA ESCOLA