Um alerta de Suzano para o MEC

Em bate-papo na redação de NOVA ESCOLA, especialistas discutem como é possível se recuperar após um evento trágico e a dança das cadeiras no Ministério da Educação

POR:
NOVA ESCOLA
Crédito: Pedro Annunciato/Nova Escola

A repercussão sobre as exonerações e nomeações do Ministério da Educação (MEC) nem tinha começado a esfriar quando vieram as primeiras notícias sobre um tiroteio em uma escola de Suzano, na região metropolitana de São Paulo. Na Escola Estadual Professor Raul Brasil, a tragédia terminou com dez mortos (incluindo os dois ex-alunos que executaram o ataque) e mais de dez feridos. Para discutir esses assuntos e como estão interligados, NOVA ESCOLA e o Iede convidaram Charles Kirschbaum, professor do Insper que realiza pesquisa em escolas públicas com ênfase nas redes sociais internas na escola; Roseli de Freitas Avila, ex-secretária de Educação e consultora educacional; e Clarice Sandi Madruga, doutora em Psiquiatria e Psicologia Médica pela Unifesp. Participaram ainda do debate Leandro Beguoci, diretor editorial e de conteúdo da NOVA ESCOLA, e Ernesto Faria, diretor do Iede.

LEIA MAIS   Tiroteio em escola de Suzano: o que educadores podem fazer frente a uma tragédia como essa?

Durante pouco menos de uma hora, a falta de foco na gestão de políticas públicas e a necessidade de construir uma rede de apoio a professores para endereçar a saúde mental na escola foram alguns dos pontos de destaque.

Ao falar sobre a rede de apoio, Charles Kirschbaum enfatizou a importância do envolvimento da comunidade escolar no processo de aprendizagem que pode construir um bom clima escolar: “Nós temos inúmeros relatos de que quando o pai se envolve no aprendizado, o aluno tem um desempenho muito melhor”.

Para Ernesto Faria, o professor precisa contar com uma rede de apoio e esse processo poderia ser puxado pelas secretarias, que dispõem de maior infraestrutura. "No cenário em que a gente está, alguém tem que puxar o processo, definir qual trabalho fazer com os professores", apontou. Ö professor não vai virar especialista, mas tem que ter o mínimo de habilidade para lidar com a questão. O quanto o sistema consegue fazer para minimizar a possibilidade de ações como essa".

Roseli Avila concordou. "A gente tem que pensar em redes para não colocar a responsabilidade do processo no professor. Na secretaria de Educação você tem mais possibilidades, como a ideia de trabalhar em rede com a secretaria de saúde, ambiental".

Para a pesquisadora Clarice Madruga, a importância do trabalho em rede está justamente nessa interlocução entre as partes. "É um trabalho que envolve, muitas vezes, pegar o psicólogo do Capes que conhece aquele menino e fazer com que ele conheça a professora, para que ela saiba que aquele menino está sendo assistido e por quem. É entender quando é importante essa interlocução, principalmente entre Educação e Saúde. E tirando do professor esse peso, que ele já é muito sobrecarregado, de ter tido a responsabilidade de ter tido um olhar clínico e ter percebido o que acontecia com aquele menino".

Assista à íntegra do bate-papo a seguir.

.

Tags

Guias