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Inove | Ciência


Por: Bruna Tiussu

Projeto Cosmos aproxima a astronomia das escolas públicas de Manaus

Na capital do Amazonas, um dos melhores lugares do Brasil para observar as estrelas, a iniciativa põe os alunos para olhar o céu e enxergarem um universo de possibilidades.

Você já parou para pensar que o céu é um campo de investigação infinito? Basta erguer os olhos e os telescópios para deixar a mente ir longe. Por que não aproveitar esse livro sempre aberto para instigar nos estudantes a vontade de saber? Foi a partir dessa ideia que Carlla Vicna fundou o Projeto Cosmos, que busca aproximar a astronomia do currículo das escolas públicas de Manaus. Material não falta: a localização da capital amazonense, numa faixa próxima à Linha do Equador, dá a ela condição privilegiada para a observação astronômica.

Tudo começou quando Carlla descobriu a Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA), ainda no Ensino Médio. “Fiquei empolgada, estudei em casa, pois não sabia nada, e me apaixonei pelo assunto”, conta. Em 2015, já como estudante de engenharia de computação, ela decidiu compartilhar o que sabia na escola onde estudou, a Fundação Matias Machline, depois de firmar parceria com a direção.

Hoje, as escolas da cidade é que procuram Carlla. Com uma metodologia “mão na massa”, os 30 voluntários do projeto organizam aulas, do Ensino Fundamental ao Médio, para falar sobre os corpos celestes, as estações do ano e as fases da lua, entre outros temas. A astronomia também vira ponto de partida para aprender conceitos de Física, Matemática, Química e Geografia. “Queremos mostrar que a ciência está perto da gente e que aprendê-la pode ser divertido”, diz Carlla.

Além da linguagem acessível, o uso de vídeos e experimentos é uma marca da iniciativa. Há oficinas para construir uma réplica do sistema solar em escala reduzida e até um pequeno foguete, lançado com a ajuda de uma bomba de ar de bicicleta. “Usamos só materiais simples: garrafas pet, isopor, fita adesiva. Dá para ser criativo com poucos recursos”, conta a criadora do projeto. A abordagem também encoraja os alunos a participar da OBA. Ao todo, o Cosmos já formou nove turmas preparatórias para a prova, e em 2018, quatro alunos ganharam medalhas. As escolas parceiras, em sua maioria, cedem uma sala ou um auditório e as aulas são realizadas no contraturno. O projeto ainda oferece aulas na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com livre acesso para qualquer estudante. Eventualmente, as turmas até usam os dois telescópios da instituição para observar o céu e, assim, contemplar mais de perto os mistérios do Universo.

Três passos para observar o espaço

Mesmo sem o auxílio de telescópio e luneta, pode-se aprender muito sobre o Universo:

1. Para a observação noturna, busque um local distante das luzes da cidade e aguarde uns 20 minutos: esse é o tempo para os olhos se adaptarem à escuridão e verem melhor as estrelas.

2. Aposte em apps de celular que ajudem a localizar planetas, constelações e satélites. O SkyView Free, por exemplo, oferece recursos de realidade aumentada.

3. Após a experiência, os alunos podem registrar no papel o que viram no céu. Vale repetir a atividade depois de um, três e seis meses e comparar o que mudou.

Astronomia é com eles mesmos

Jovens que participam do Projeto Cosmos contam como estudar o Universo fez com que eles se sentissem mais capazes de aprender

Vários conceitos de Física eu só consegui aprender com as aulas do Cosmos. Os voluntários fazem tudo parecer muito simples.”
Lucas Brasil Dutra, 16 anos, aluno do 3º ano do Ensino Médio CETI Eng. Sérgio Alfredo Pessoa Figueiredo.

“Eu achava que astronomia era só para gente rica. Ainda bem que não: aprendi tanta coisa, sigo estudando em casa e agora quero cursar engenharia.”
Débora Cristina Araújo de Andrade, 14 anos, aluna do 9º ano do Ensino Fundamental, CETI Eng. Sérgio Alfredo Pessoa Figueiredo.

“É incrível olhar para o céu e saber reconhecer algumas estrelas e planetas. Eu nunca havia pensado que poderia aprender isso.”
Thayla Giovanna da Rocha Queiroz, 14 anos, aluna do 9º ano do Ensino Fundamental, Fundação Bradesco

“A astronomia é uma coisa muito linda. As constelações, os planetas, o trabalho dos astronautas... Há tanta coisa no Universo ainda pra eu descobrir...”
Diego Hirohyto, 15 anos, aluno do 9º ano do Ensino Fundamental, CETI Eng. Sérgio Alfredo Pessoa Figueiredo.