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Saiba | Coluna Felipe Bandoni


Por: Felipe Bandoni

Faça do planejamento um meio de transformação da prática

Mudar o que foi planejado não é um problema – muito pelo contrário! Para o nosso colunista, Felipe Bandoni, o documento elaborado no início do ano precisa continuar vivo.

No início do ano, todos os professores estão às voltas com seus planejamentos. Mas, às vezes, a papelada é arquivada pela escola sem nem sequer ser lida. Já vi casos de docentes que apenas “copiam e colam” o que fizeram anteriormente.

Obviamente, essa visão do planejamento como algo meramente burocrático gera apenas um gasto inútil de papel e de tempo. O professor perde a oportunidade de elaborar algo que, de fato, sirva como um instrumento de trabalho, e a escola sinaliza que não é importante que sua equipe planeje o que vai fazer.

Uma coordenadora com quem trabalho diz que o planejamento só é efetivo quando é um “documento vivo”. O professor precisa ter o planejamento sempre à mão, para que ele possa recordá-lo antes da aula e ajustá-lo depois de sair dela.

Ela orientou a equipe a não produzir documentos extensos. Deixamos de lado as introduções teóricas e referências bibliográficas para nos concentrarmos nas atividades e seus respectivos objetivos. Os professores sugeriram vários formatos, e o que eu julguei mais eficiente foi uma tabela com três colunas: a data, uma breve descrição da atividade e os objetivos a serem atingidos aula a aula.

Foi importante chegarmos a esse formato enxuto. Em primeiro lugar, pude listar os objetivos específicos de cada aula e avaliar se estavam coerentes com os objetivos mais gerais – em alguns casos não estavam, e precisaram ser ajustados. Também serviu para a comunicação com colegas da mesma disciplina, mas de séries diferentes, o que nos permitiu verificar repetições desnecessárias de conteúdos e lacunas. Por último, gerou um diálogo mais produtivo com meus colegas da mesma série e com a coordenação pedagógica.

O planejamento feito em janeiro não deve ser um documento congelado e pode, sim, sofrer modificações. É absolutamente normal que certos conteúdos ocupem um tempo diferente do estimado e que novos objetivos sejam inseridos em função do que ocorre em cada turma. Não há mal nenhum nisso! Pelo contrário: um planejamento vivo mostra que o professor pensa sobre o seu fazer e ajusta o percurso conforme a necessidade.

Felipe Bandoni é professor de Ciências na Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Colégio Santa Cruz e no Acaia Ateliescola, em São Paulo

Foto: Tomás Arthuzzi/NOVA ESCOLA