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Biblioteca do professor: mudar e inovar para educar

O livro O Significado da Mudança Educacional permite o acesso a fatores relevantes para a construção de significado da mudança educacional tão socialmente necessária no Brasil

POR:
NOVA ESCOLA

Tratar do significado da mudança educacional sob a perspectiva de Michael Fullan, nesta quarta edição de O Significado da Mudança Educacional (Editora Penso), parece remeter à temática como parte das tecnologias sociais que ele define como software social. A mudança social, por sua vez, significa inovação ao representar a possibilidade de construção de outras configurações e expectativas sobre a própria prática educativa.

Inicialmente, isso parece ser possível porque, se as tecnologias da informação e da comunicação provocaram uma reestruturação de vários setores da sociedade como os sistemas financeiro, bancário, de saúde e, até mesmo, das relações pessoais, a educação como um modo de fazer, sentir e pensar não pode ser excluída do conjunto de relações que representam as tecnologias sociais. Assim, ao fazer parte das práticas sociais de um grupo, o autor se propõe a compreender como combinar significado e ação depois de três edições (1982, 1991 e 2001).

Na presente obra, Fullan indica o que há de novo, ainda no prefácio: um conjunto de práticas como capacitação, aprendizagem dentro do contexto, capacitação literal, sustentabilidade e líderes sistêmicos. Note-se que o nível local – a sala de aula, espaço privilegiado de ensino e aprendizagem – não teria se apropriado de um traço muito importante da atividade tecnológica. Se, por um lado, a introdução de uma tecnologia é vista como fator constitutivo da vida do homem em sociedade, por outro, implica escolhas e decisões tanto para produção como para difusão e consumo. O autor evidencia uma contradição: haveria uma superdosagem de padrões e avaliações. Pouco carregados de significado, esses modelos têm fracassado e essa condição resultaria em um contexto de alerta: a disparidade de renda e educação.

Diante desses pressupostos, parece ser necessário inovar – algo distinto da condição de capacidade inovadora. Para Fullan, inovar “diz respeito ao conteúdo de um determinado programa novo, enquanto ‘a capacidade inovadora’ envolve as habilidades de uma organização para manter uma melhora contínua” (pág. 22).

Sem dúvida, o foco da obra nesta edição é a mudança educacional como um processo sociopolítico, que ele traça com um diagnóstico preciso: “A interface entre o significado individual e coletivo e a ação em situações cotidianas está onde
a mudança se mantém ou fracassa”.

Quando a mudança educacional se mantém, há um caráter (des)estruturante das relações sociais, pois o significado que representa promove outras estruturas de funcionamento no nível local, regional e nacional. Assim, o autor divide a obra em três partes:

1) compreendendo a mudança educacional;
2) mudança educacional no nível local; e
3) mudança educacional no nível regional e nacional.

Para compreendê-las, parece ser necessário:

a) tratar das tecnologias sociais como relações entre escola e conhecimento;
b) considerar a capacidade inovadora como construção de sentidos que perpassam o modo como os papéis são desenvolvidos em sala de aula, sobretudo, do professor; e
c) entender que os sentidos que determinadas práticas assumem devem abranger o maior número possível de possibilidades de compreensão dos grupos que formam uma sala de aula e que o autor define como realidade objetiva.

Para alcançar o objetivo final da mudança, que seria a condição de que “as pessoas se enxerguem como atores com interesse no sucesso do sistema como um todo, a busca de significado é a chave para isso. Significado é motivação; motivação é energia; energia é envolvimento; envolvimento é vida” (pág. 272). Vale a pena a leitura da obra e a ênfase nas dez ideias básicas para concentrar os esforços descritos e iniciados na página 51. O livro permite o acesso a alguns relevantes fatores para a construção de significado da mudança educacional tão socialmente necessária no Brasil desta segunda década do século 21.

 

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