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Como fazer da sua sala de aula um espaço para aprendizagem criativa

A professora Débora Garofalo dá dicas do que levar em conta na hora de pensar o espaço

POR:
Débora Garofalo
Crédito: Getty Images

Muito tem se falado sobre aprendizagem criativa, cultura maker, linguagem de programação, robótica. Mas como fazer da sua sala de aula um espaço acolhedor para receber projetos mão na massa?!

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Muitas escolas que estão implementando atividades mão na massa têm grande preocupação com a construção da sala, investindo muito em máquinas, equipamentos e adaptação do espaço. É importante ressaltar que altos recursos não é garantia de ter uma aprendizagem efetiva. Para tal, é necessário ter uma mudança de atitude nos atores da Educação.

O espaço é importante, mas não é tudo

O espaço influencia no aprendizado. Por isso, ele deve ser inspirador e facilitador da aprendizagem, porém, não é o único ator para proporcionar a aprendizagem. Normalmente ao se criar um espaço para a aprendizagem criativa na escola é necessário ter o cuidado de se trabalhar antes com as pessoas envolvidas, para que não haja um afastamento delas em relação novo. Temos medo do desconhecido e do incomum! É necessário trabalhar a colaboração a integração com o novo. E nada melhor do que envolver os alunos nesta ação de criação deste espaço.

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A chave para o sucesso na implementação de um projeto inovador é criar um ambiente que permita a participação dos atores envolvidos. Um espaço em que possam contribuir com conhecimento, dando-lhes a sensação pertencimento e de autoria. Somos todos seres criadores e motivação intrínseca desperta a mola propulsora para a realização de projetos muitas vezes tidos como impossíveis! 

Como fazer da sua sala de aula um espaço mão na massa

Ao pensar em implementar um espaço criativo devemos nos questionar o que queremos com ele e, principalmente, como iremos trabalhar neste espaço. O lugar deve ser organizado de forma que hajam mesas coletivas em seu centro. Recursos como ferramentas, máquinas e materiais devem ser dispostos na periferia, acompanhando as paredes, para facilitar o relacionamento interpessoal, a colaboração e empatia.

Se você não possui um espaço maker específico para a prática, não tem problema: é possível tornar a sua de aula mais acolhedora, reorganizando o mobiliário, agrupando mesas e cadeiras em formato de bancada e ou ainda aproveitar madeira como porta e carteiras velhas, acrescentar um tripé e formar uma bancada. Desta forma, você estará criando um ambiente de trabalho participativo e colaborativo para que os estudantes possam exercitar a criatividade.

Lembre-se: as pessoas são o centro do espaço criativo. O espaço é o lugar em que aceitamos o desconhecido e o erro e que também trabalhamos colaborativamente – características que não são habituais em nosso dia a dia. Precisamos permitir mudar um hábito já muito arraigado em nós: que é o papel daquele professor que se apresenta a frente dos alunos e que instrui muito ao invés de deixar que os alunos aprendam pela experiência e através do erro. No espaço maker, prezamos a relação humana.

Valores fundamentais

Esse espaço tem de ser regulado por dois valores principais: segurança e respeito. Os participantes das atividades no espaço devem entender que para uma convivência harmoniosa e produtiva deve-se sempre cuidar para que tenham respeito com os outros, com o espaço e consigo mesmo. Da mesma forma é com a segurança. Eles devem agir de forma a garantir a segurança dos outros, do espaço e de si mesmo. Desta forma, todos sabem qual a atitude necessária para o trabalho no espaço e as intervenções, quando necessárias, tem sentido para o aluno e são sempre fundamentadas.

Busca-se sempre o ganho de autonomia, que pode ser atingido quando atuamos de forma empática, criando vínculo com os alunos, reconhecendo o contexto de cada um, descobrindo o que tem sentido e significado para eles e ajudando a criar um ambiente propício para que aprendam. Ao ampliar seu horizonte de conhecimento este aluno ganha autoconfiança, tem segurança para ousar e ganha cada vez mais autonomia.

Por onde começar

Materiais

Para começar, você precisar  de:

- ferramentas simples (chaves de fendas, madeira, cola quente, ferro de solda, solda, tesouras, estiletes, fita isolante, furadeira, serrote),
- materiais eletrônicos (fios, suporte de baterias e ou de pilhas, motores de 6v e 3v, é possível encontrar em brinquedos quebrados e em computadores sem uso, leds, resistores, jacarés, controladores);
- materiais de sucata (papelão, potes, isopor, madeira); e
- muita imaginação.

Vale a pena ainda envolver a comunidade e pedir doações. Outro ponto importante para montar esse espaço são equipamentos de proteção, como suporte para ferro de solda, furadeira que tenha bateria, óculos de segurança, luvas para manusear ferramentas que possam cortar.

Crie situações de aprendizagem

Utilize as metodologias ativas, como resolução de problemas e aprendizagem por projetos, com questões norteadoras:



 

Comece simples

Desenvolva projetos simples com estudantes e vá aumentando o nível de dificuldade aos poucos, exercitando o espírito lúdico, a criatividade e a vivência da aprendizagem em torno de um problema.

Leve materiais de sucata para sala de aula, como potes, papelão, tampinhas, entre outros e eletrônicos motores, resistores, fios, suportes de baterias. Com esse material, você será capaz de incentivar os alunos a desenvolver projetos mão na massa. Estabeleça um roteiro de trabalho e faça perguntas para instigar e aguçar a criatividade dos estudantes. Nessas aulas, a sua turma poderá codificar, desvendar o Scratch (que é um software livre e gratuito), montar circuitos elétricos simples, incorporando desta maneira o pensamento maker. Como professor, você pode montar fichas de observação e investigação para que os alunos possam registrar o aprendizado e você intervir quando necessário fazendo a mediação do processo. 

Ao adotar essa postura mão na massa, os alunos são estimulados a desenvolver autonomia, senso crítico e colaboração. A aprendizagem mão na massa é simples, mas demanda empenho e esforço para mudança de concepção. 

Dê lugar ao erro

Errar faz parte do processo! Os estudantes precisam estar envolvidos no processo e nas etapas de aprendizagem, participando da construção da sua aprendizagem. Eles precisam de espaço para tentar, errar, tentar de novo até acertar. Falhar faz parte desse processo e o torna significativo, tornando os alunos mais criativos e capazes de resolver problemas.

Essas habilidades são importantes para resgatar o encantamento das aulas e desenvolver espírito criativo e inovador. Com soluções criativas, é possível inovar na Educação – por isso essa abordagem da aprendizagem criativa deve ser utilizada em todas as áreas do conhecimento. A ferramenta principal de um espaço maker sempre será você!

E você, querido professor, possui um espaço para o exercício da aprendizagem criativa? Conte aqui nos comentários, como é o seu espaço, que adaptações  você fez nele e ajude a fomentar práticas docentes.

Um grande abraço,

Débora Garofalo

Professora da rede Municipal de Ensino de São Paulo, formada em Letras e Pedagogia, mestranda em Educação pela PUC-SP, colunista de Tecnologia para o site da NOVA ESCOLA, Vencedora na temática Especial Inovação na Educação no Prêmio Professores do Brasil e Top 10 no Prêmio Global Teacher Prize, considerado o Nobel da Educação.

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