Eu, o meu professor

Quem ensina precisa estudar e aprender sempre. E isso pode ser feito dentro da própria escola em que leciona, em conjunto com os colegas

POR:
Arthur Guimarães
"Sempre procurei aprender mais na escola em que lecionava e me especializei para ajudar os colegas nessa tarefa"   Rosana Castilhos, 42 anos - Coordenadora - Rede municipal, Porto Alegre, RS

O educador deve estar constantemente aperfeiçoando sua formação. E isso não precisa acontecer durante um curso - seja ele de graduação ou pós. A própria sala de aula em que ele leciona pode se transformar em um laboratório de atualização. Sabendo identifi car as difi culdades da turma, é possível aproveitá-las para traçar estratégias de estudo. Com a ajuda dos colegas, problemas detectados se transformam no ponto de partida para uma capacitação continuada.

A idéia de que cada um precisa cuidar da qualidade de sua prática e investir na própria formação não é uma exclusividade da escola. No mundo corporativo, ela também é disseminada há tempos. Conhecer bem os alunos e buscar na teoria e na pesquisa didática informações que levem a solucionar os problemas da turma são pontos fundamentais para alcançar o sucesso na tarefa de aprender em serviço. Na troca com os pares, esse aprendizado se completa. O momento mais propício para isso é o horário de trabalho pedagógico coletivo - que tem nomes variados, conforme a rede de ensino.

Tudo começa com a avaliação da garotada. "É preciso construir um ambiente em que as crianças confrontem perspectivas e revejam conceitos", explica Cristiano Muniz, da Universidade de Brasília (UNB). Observado o aprendizado da turma, é hora de levar o assunto como sugestão para o estudo com a equipe. "Atuar de forma conjunta faz os professores se sentirem responsáveis por todos os estudantes da unidade", afi rma Ana Canen, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Para que isso dê resultado, a atuação do coordenador pedagógico é fundamental. "Ele tem a função de fazer pesquisas, buscar textos e vídeos e sistematizar as discussões", aponta Anna Helena Altenfelder, do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), em São Paulo.

Rosana Castilhos Fernandes desempenha essa função na EM Neusa Goulart Brizola, na periferia de Porto Alegre, RS. No começo da carreira, ela sentia falta de alguém que a ajudasse a se aperfeiçoar. "Pensava nas dificuldades da garotada, procurava material de apoio e trocava idéias com os mais experientes", lembra. Quando migrou para o Ensino Fundamental, sentiu que precisava de informações específi cas sobre alfabetização. "Tentei aproveitar as horas de trabalho pedagógico para ler textos sobre o aprendizado da escrita, os problemas mais comuns e as soluções." A consciência da necessidade dessa rotina na escola foi o que fez Rosana pensar em novos rumos para a carreira. "Cursei Pedagogia com habilitação em supervisão exatamente para oferecer aos outros o que eu mesma nem sempre tive."

PARA APRENDER NA PRÁTICA

Avaliar os alunos para saber onde precisam avançar.
Buscar material de apoio teórico e sobre pesquisa didática.
Levar dúvidas para discussão com os colegas e a coordenação.

 

Quer saber mais?

Cenpec, www.cenpec.org.br
 

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