"Estreei como docente com uma sala do 4° ano", depoimento de Janaína Facioli Grecco

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Anna Rachel Ferreira
Janaína Facioli Grecco, de Itapira, e os alunos indo para a classe no primeiro dia de aula. Foto: Alexandre Severo
Janaína Facioli Grecco, de Itapira, e os alunos indo para a classe no primeiro dia de aula

"Meu ano começou com um misto de alegria e apreensão. Depois de algumas tentativas, passei no concurso público e finalmente me tornei professora titular em Itapira (a 174 quilômetros de São Paulo). A atribuição aconteceu apenas quatro dias antes das aulas. Minha intenção era pegar uma sala de 1º ano para acompanhar a alfabetização desde o início, mas fiquei com o 4º, da EMEF Izaura da Silva Vieira.

Para diminuir a insegurança, conversei com a responsável pela classe no ano passado e ela me contou um pouco sobre os alunos. No dia seguinte, fui pela primeira vez à escola. Os professores me passaram várias ideias e um deles me deu um caderno de planejamento para o 4º ano. Com esse material, passei a tarde de sábado preparando as aulas com minha tia, educadora há 14 anos. No domingo, fiz ensaios em que ela fingia ser uma de minhas alunas.

Na segunda-feira, cheguei duas horas mais cedo, arrumei as carteiras em círculo e organizei a sala para o que pretendia fazer. Às 13 horas, a diretora nos chamou para que fôssemos apresentados às turmas e o nervosismo aumentou. Mesmo assim, procurei ser bem atenciosa com os pais que vieram me conhecer.

Ao ficar sozinha com os alunos, a minha preocupação era que eles se sentissem acolhidos e que percebessem que somos um grupo que vai estar junto ao longo deste ano. Promovi, então, uma atividade em que cada um sorteava o nome de um colega e entregava a ele um presente que eu havia preparado. O embrulho foi passando de mão em mão até ser aberto. Era uma caixa com bombons para todos.

Em seguida, coloquei para tocar a música Gente Tem Sobrenome, do Toquinho. Distribuí cópias da letra para as crianças lerem e conversei sobre pessoas e coisas terem nome. Aí, propus uma tarefa de escrita e percebi que elas possuem dificuldades diferenciadas na produção de texto. Isso é mais um desafio para mim. Então, pretendo desenvolver outras ações diagnósticas para direcionar o meu planejamento.

No restante de nossa primeira tarde juntos, consegui realizar boa parte do que havia previsto, apesar de lidar com um desentendimento entre os alunos e de ter de lembrá-los constantemente sobre a importância de falar baixo. Fiquei bastante surpresa com a indisciplina e com a quantidade de vezes em que eles me chamaram. Percebi que precisaria construir logo os combinados com a turma. O medo de nem ser ouvida passou. Sei que tenho muito trabalho pela frente, mas acredito que com dedicação e paciência posso fazer a diferença na vida dessas crianças."

Janaína Facioli Greco é professora da EMEF Izaura da Silva Vieira

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