Espaço para o professor estudar

Na Argentina, uma biblioteca exclusiva para professores funciona dentro de um palácio

POR:
NOVA ESCOLA, Paola Gentile
TEMPLO DO SABER A Biblioteca Nacional de Maestros abriga material de formação para docentes. Foto: Paola Gentile
TEMPLO DO SABER A Biblioteca Nacional de Maestros 
abriga material de formação para docentes. 
Foto: Paola Gentile

Localizado na praça Pizzurno, em Buenos Aires, o Palácio Sarmiento é o prédio mais imponente do local. Construído em 1886, foi projetado para ser a primeira escola graduada feminina argentina, mas nunca foi usado para tal. Em 1889, passou a sediar uma biblioteca pedagógica e hoje reúne dois ícones do ensino daquele país: o Ministério da Educação e a imponente Biblioteca Nacional de Maestros (BNM).

É isso mesmo: os docentes argentinos têm uma biblioteca exclusiva, com um acervo de 160 mil títulos e raridades, como os 28 volumes da Encyclopédie, de Denis Diderot (1713-1784) - só existem dois conjuntos completos no mundo. Outro exemplo notável é a coleção do El Monitor de La Educación, o primeiro material de formação para professores do país, publicado desde 1881.

Durante o dia, o grande salão térreo recebe estudantes, que um dia vão se tornar educadores, em busca de material de pesquisa. À noite, o que se vê são professores consultando livros e mais livros para planejar aulas e projetos didáticos. Em 2007, os visitantes somaram 53,2 mil.

Além de disponibilizar um acervo de qualidade, os 70 funcionários da BNM organizam várias ações que beneficiam não só quem visita a instituição. Uma das mais importantes é a que transforma as bibliotecas escolares em espaços de aprendizagem. A BNM informatiza o sistema e capacita os funcionários para que eles sejam formadores de leitores e não simplesmente guardiões de livros. Outra iniciativa inteligente é o sistema que permite o empréstimo de 2 mil títulos, organizados em kits, para escolas de qualquer parte do país. Basta que bibliotecários e docentes os solicitem.

Num mundo de páginas incontáveis, o site da instituição, com 2,4 milhões de acessos por ano, é a atual menina dos olhos de Graciela Perrone, a diretora-geral. Webmasters, webdesigners e pedagogos se dedicam a digitalizar todo o acervo impresso e disponibilizá-lo para consulta on-line, além de produzir pacotes de conteúdos especiais.

Outra missão louvável que envolve boa parte da equipe é a de garimpo de mais material. Na tarde em que visitei a biblioteca, Adriana Redondo, a coordenadora pedagógica da bibliteca, acabara de voltar de um sebo, onde encontrou exemplares de publicações que supostamente tinham sido queimadas na época da ditadura militar.

O ambiente, repleto de professores de todos os níveis de ensino, fazendo anotações e estudando durante horas, é tão envolvente quanto a história da Educação daquele país. Conversando com Graciela, questiono onde ela e sua equipe encontram inspiração para desenvolver tantos projetos mesmo tendo um orçamento pequeno (são somente 600 mil dólares por ano). Ela me conta então sobre dois personagens eternizados naquele endereço. O nome da praça é uma homenagem a Pablo Pizzurno (1865-1940), o responsável pelas bases do sistema de Educação Básica da Argentina. Domingos Sarmiento (1811-1888), que nomeia a sede, foi escritor e ex-presidente e construiu cerca de 100 bibliotecas públicas em seu mandato, com a certeza de que só é possível ter um sistema educativo de qualidade com alunos e professores leitores.

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